segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Procuradoria vai à Justiça contra licença de Belo Monte

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http://www1.folha.uol.com.br/mercado/866806-procuradoria-vai-a-justica-contra-licenca-de-belo-monte.shtml

FERNANDA ODILLA
DE BRASÍLIA

O Ministério Público Federal no Pará espera apenas ter acesso à integra da decisão do Ibama para pedir na Justiça o cancelamento da licença que permite o início do projeto de construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu (PA).

Na avaliação do procurador Ubiratan Cazetta, não há base legal para o modelo de "licença de instalação específica" concedida pelo Ibama na quarta-feira e que autoriza o início imediato do desmatamento para montar canteiros e acampamentos na região das barragens da usina.

"Por mim, propunha a ação contra o Ibama amanhã porque entendemos que não existe essa figura, no ordenamento jurídico brasileiro, de uma licença parcial apenas para instalação do canteiro. Mas ainda não tivemos acesso ao texto", disse o procurador. Para ele, a autorização para tirar o projeto do papel só deveria ser dada após o empreendedor cumprir todos os itens da lista de 40 condicionantes.

O Ibama informou ontem, em nota, que o documento autoriza a montagem da infraestrutura para a obra, que ainda passa por análise antes da concessão da licença definitiva, ainda sem prazo.

Até então, o mesmo artifício havia sido usado pela agência ambiental apenas para autorizar as obras da hidrelétrica de Jirau, em Rondônia.

A maior preocupação do MPF são com as condicionantes relacionadas aos impactos sociais na região. "A situação da saúde e da educação em Altamira já são caóticas e, antes mesmo do início da obra, um número enorme de pessoas já está se deslocando para a região. Não podemos negar que um canteiro de obras provoca impactos que podem ser irreversíveis", disse Cazetta.

USINA

A usina de Belo Monte será a terceira maior do mundo, com capacidade de 11.233 MW (megawatts), atrás da chinesa Três Gargantas, com 22,5 mil MW, e da binacional Itaipu, com 14 mil MW.

O custo é estimado em até R$ 30 bilhões pela iniciativa privada --o governo estima em R$ 25 bilhões.

A primeira unidade geradora da hidrelétrica de Belo Monte deverá entrar em operação comercial em fevereiro de 2015.

A Norte Energia venceu, em abril do ano passado, o leilão de geração promovido pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) para a construção, operação e manutenção da Usina de Belo Monte. A operação e manutenção do empreendimento será realizada pela Eletronorte.

ENTRAVE

O processo de licenciamento foi conturbado. Os empreendedores negociavam com a agência ambiental e o governo a flexibilização dos prazos de cumprimento de algumas das 40 condicionantes impostas pelo Ibama na Licença Prévia, concedida antes do leilão da usina.

A Norte Energia argumentava que parte das condicionantes (pré-requisito para a concessão da licença de instalação) poderia ser cumprida posteriormente, sem prejuízo da região. O Ibama não havia aceitado o argumento.

O choque pode ter sido uma das razões para a saída do presidente do Ibama, Abelardo Bayma. Ele alegou questões pessoais para deixar a presidência da agência ambiental.

No início do mês, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou que existem mais de 30 pendências ambientais emperrando projetos de energia no país. O principal deles, a construção da hidrelétrica de Belo Monte, poderia atrasar em um ano se a autorização do Ibama não saísse até fevereiro.

O Ministério Público Federal do Pará encaminhou ofício ao Ibama prometendo ações judiciais caso a licença de instalação seja dada com a flexibilização das condicionantes.

Para evitar atrasos, as obras da usina têm que começar antes do período chuvoso, que inicia em abril.

FINANCIAMENTO

Em dezembro, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) aprovou empréstimo-ponte no valor de R$ 1,087 bilhão à Norte Energia para a implantação da usina hidrelétrica de Belo Monte.

"O empréstimo-ponte é um adiantamento de recursos a título de pagamento inicial das encomendas para a fabricação de máquinas e equipamentos necessários ao projeto, a fim de garantir o cumprimento do cronograma da obra, estabelecido pela Agência Nacional de Energia Elétrica", explicou à época, em nota.

Segundo o BNDES, o capital servirá para compra de materiais e de equipamentos nacionais, além do pagamento de serviços de engenharia e de estudos técnicos para a instalação da usina. O projeto faz parte do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

O empréstimo chegou a ser questionado pelo Ministério Público Federal e ONGs tentaram barrar o financiamento

sábado, 29 de janeiro de 2011

Míriam Leitão - Panorama Econômico O GLOBO 28/01/2011

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Licença para confundir

No último absurdo de Belo Monte, um presidente interino do Ibama deu uma licença parcial que vai provocar um dano permanente, a ´supressão da vegetação`. O Ministério Público entrou ontem com uma ação contra a licença. O BNDES emprestou R$ 1,1 bilhão ao grupo, mas garante ao MPF que exigiu que a empresa nada fizesse no local antes da licença de instalação total.

O Ministério Público entrou com uma ação ontem contra a concessão da licença de instalação parcial. Na comunicação do Ibama, eles definiram essa concessão com o curioso nome de ´licença específica` para os ´sítios` de Belo Monte e Pimentel. Na lei, o que existe é licença prévia, que é um primeiro sinal ao empreendedor, entendido como aprovação do Estudo de Impacto Ambiental. No caso de Belo Monte, essa primeira licença foi concedida, mas com 40 exigências. Em seguida, cumpridas as exigências, é dada a licença de instalação.

O BNDES concedeu tempos atrás um empréstimo ponte de R$ 1,1 bilhão à Norte Energia, que fará a hidrelétrica de Belo Monte, exigindo, no entanto, que ela não faça qualquer intervenção no ´sítio`. Só que as árvores do ´sítio` começarão a ser derrubadas a partir dessa licença parcial.

O texto da documento do BNDES ao Ministério Público, que tenho em mãos, é claro. Diz que na minuta do contrato ´figura a obrigação explícita para a beneficiária de não efetuar qualquer intervenção no sítio em que está prevista a construção da usina sem que tenha sido emitida a Licença de Instalação do empreendimento como um todo.`

O presidente substituto do Ibama, Américo Ribeiro Tunes, me disse ontem que não foi concedida a licença de instalação do empreendimento.

- Essa é uma licença apenas para fazer trabalhos específicos. Instalar o canteiro de obras, escritório, terraplanagem, alojamentos de trabalhadores.

Continue lendo: http://oglobo.globo.com/economia/miriam/posts/2011/01/28/licenca-para-confundir-359548.asp

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

A regra "Boom and Bust"

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Hugo,

É o típico “boom-and-bust”, um exemplo de insustentabilidade. Veja o artigo abaixo: com a retirada da floresta para criação de gado, vem o “crescimento econômico”, que dura até a exaustão dos recursos naturais... Os exemplos são inúmeros (ver Colapso, do Jared Diamond). Funciona até a próxima eleição dos “homens (e mulheres) públicos”.

Abs,

CE

“Boom-and-Bust Development: Patterns Across the Amazon Deforestation Frontier”

Ana S. L. Rodrigues, Robert M. Ewers, Luke Parry, Carlos Souza Jr., Adalberto Veríssimo, Andrew Balmford

Science 324, 1435 (2009)

The Brazilian Amazon is globally important for biodiversity, climate, and geochemical cycles, but is also among the least developed regions in Brazil. Economic development is often pursued through forest conversion for cattle ranching and agriculture, mediated by logging.

However, on the basis of an assessment of 286 municipalities in different stages of deforestation, we found a boom-and-bust pattern in levels of human development across the deforestation frontier.

Relative standards of living, literacy, and life expectancy increase as deforestation begins but then decline as the frontier evolves, so that pre- and postfrontier levels of human development are similarly low. New financial incentives and policies are creating opportunities for a more sustained development trajectory that is not based on the depletion of nature and ecosystem services.

Carlos,
“Boom and bust” é regra, não só na Amazônia, mas no mundo todo (basta ver os programas de gastos com defesa e infraestrutura dos EUA). Nada pode ser mais “boom and bust” do que a indústria cuspir vários veículos por segundo num planeta finito como a Terra e não ter a noção dessa finitude – sequer a espacial é reconhecida – e não perceber que carro conceito ou movido à luz (embora use outros recursos nada sustentáveis) jamais irá revogar essa limitação espacial, quiçá as determinadas pelas leis da matéria e da energia ou ecológicas ou a própria entropia.
Essa visão de mundo – só crescimento resolve – é tão universal que eu não sei onde podemos colocar as esperanças que seremos capazes de evitar que a rota de colisão com a Terra seja detida a tempo de evitar a nossa extinção.
Abraço
Hugo

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Espírito de porco

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Saiu no Diário do Nordeste esta matéria escrita por Manuel Soares Bulcão Neto.

Espírito de porco

Mês passado, depois de almoçar um lombo de porco delicioso preparado por d. Josina, minha secretária do lar, deitei-me feito um poltrão saciado e liguei a TV. Em um canal a cabo, passava um documentário sobre… porcos, e me surpreendi ao ponto da indigestão com as mais recentes descobertas acerca deste mamífero. Com efeito, pesquisas etológicas apontam que o porco não só é muito mais inteligente que o cão doméstico: também é capaz de reconhecer a própria imagem no espelho, não a confundindo com outro suíno. Significa dizer que o leitão de pocilga, assim como o ser humano e meia dúzia de outras espécies (pongídeos, golfinhos e elefantes), possui autopercepção, consciência de si e, portanto, uma “personalidade”. Esse documentário me fez lembrar da balela, dita por René Descartes, segundo a qual todos os animais, exceto o homem, são “autômatos sem alma” e, por isso, incapazes de experimentar dor (embora aparentem senti-la). O Filósofo, em sua obra “Discurso do Método”, também afirmou que nós, humanos, devido à nossa “idiossincrática” faculdade de pensar, temos o direito de “nos tornar senhores e possuidores da natureza”, inclusive de todos os animais. Ora, a incapacidade da ciência de prever, em tempo para salvar a vida de centenas de milhares ou milhões de indivíduos, certos acidentes naturais (terremotos, erupções vulcânicas, furacões, tornados, tsunamis, o choque de um cometa ou asteroide…), indica que, muito provavelmente, jamais seremos senhores sequer da fina camada do planeta em que vivemos. Aliás, a mudança climática radical que ora desponta não só diminui essa chance como aumenta a probabilidade de virmos a nos extinguir lenta e dolorosamente – de terminarmos nosso tempo da mesma forma como o começamos: uma pandemia de guerras entre tribos de selvagens. (Grande probabilidade, entretanto, não é certeza: ainda há tempo e condições de mudarmos o rumo dos acontecimentos). Quanto ao efeito desse antropocentrismo cartesiano na nossa relação com os outros bichos, podemos vê-lo cruamente na pecuária industrial. Se, nas fábricas da morte nazistas, a matéria-prima (judeus, eslavos, comunistas, ciganos…) era, para o conforto moral dos verdugos, concebida como sub-humana, nas fazendas industriais modernas a rês de qualquer gado é “desalmada” quando reduzida ao estatuto biotecnológico e puramente físico de “sistema de conversão de proteína vegetal em proteína animal”. Assim, fica mais fácil tratá-la, do nascimento ao abate, do modo mais eficiente e lucrativo possível, o que, em regra, vai de encontro ao seu modo de vida natural e gera grande sofrimento. Nas granjas, para que pintos se transformem em frangos em 45 dias (ainda um bebê, dado que a expectativa de vida de um galináceo é de sete anos), são eles forçados a comer o tempo todo, à custa do sono. Para tanto, vivem sua existência curta e miserável sob barulho e luminosidade constante. Pior condição é a do bezerro destinado à vitela: sabe por que sua carne é tenra e rosada? Porque, desde o nascimento, é impedido de se movimentar (i.e., de desenvolver músculos), submetido a uma dieta pobre em ferro e a viver a maior parte do tempo na escuridão.
Não é minha intenção defender o vegetarianismo, nem que só se consuma bichos criados soltos, como a galinha caipira (que tem peito de tísico e mal alimenta uma pessoa). Pretendo apenas lembrar que uma das nossas tarefas de ser moral é minimizar a dor do mundo, e que nossa própria existência depende de uma mudança radical de atitude: substituir o humanismo antropocêntrico por outro, aquele assim definido por Claude Lévi-Strauss: “Um humanismo adequadamente ordenado não pode começar espontaneamente, mas deve colocar o mundo antes da vida, a vida antes do homem e o respeito pelos outros antes do egoísmo”.
Ensaísta

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

"Que os desmoronamentos enterrem"

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Recebi esse texto do grupo ECOECOBRASIL, "Que os desmoronamentos enterrem", e fiz esse comentário abaixo.

Megaeventos como esses ocorriam de décadas em décadas e não todos os anos. Agora temos uma sucessão de eventos anuais ou quase mensais (2008 Florianópolis, 2009 Angra, Ilha Grande, São Luiz de Paraitinga, 2010 Região Serrana do Rio). Um registro de variações erráticas como secas seguidas de enchentes, tradição na Austrália e na Amazônia, mas não no modo atual, 13 anos de seca que virou desertificação no caso da Austrália, seguido de enorme enchente. A anomalia está bastante clara e as causas muito relacionadas à ação humana, tanto na área global - clima - quanto na área local - excesso de gente, desmatamento, etc. Fica bem claro que é o planeta que dá as regras, como Deus pergunta a Joh numa passagem bíblica: "Por ventura foste tu que deste lei à luz da manhã?" Se o planeta dá as regras, só podemos nos ajustar a elas. Foi tudo que não fizemos, principalmente nos últimos 150 anos de economia industrial global, com uma aceleração histórica num planeta finito e fechado como o nosso. Nicholas Georgescu-Roegen estava certo ao escrever: "se a economia do descarte imediato dos bens e do desperdício continuar, seremos capazes de entregar a Terra ainda banhada em sol apenas à vida bacteriana." A economia do descarte e do desperdício não só continuou como é enaltecida, desigual, além de suicida e insustentável, passou a ser o modelo dos BRICs de onde nos esperam mega projetos, o IRSA (integração regional industrial da América do Sul para transformar o continente em plataforma exportadora da nossa natureza na forma de commodities - que não precisamos - para os países que já não a possuem mais, por terem destruído tudo).

La nave va, já sabemos para onde. Esses episódios são apenas o começo, a ponta do iceberg, estranha muito a repetição sombria dos mesmos não chamar atenção de mais ninguém, enquanto a mídia corre para fazer paralelos e transformar as anomalias em normalidade, em luta contra o conhecido ou o repetido, embora não o seja, trata-se do terrível desconhecido diante de nós, a colheita que faremos das nossas ações do passado e que de uma forma geral recairão sobre os ombros menos merecidos e favorecidos.

Perdi um meu conhecido, com a esposa grávida e a sogra, soterrados em Nova Friburgo, uma vida terminada repentinamente. Seu último texto no facebook foi "chove muito". Acho que não imaginava o que iria acontecer. Sua casa era sólida, mas no sopé do morro não sobrou nada. Os corpos foram achados demoradamente.

O que nos espera em 2011?

Hugo Penteado


QUE OS DESMORONAMENTOS ENTERREM

também

AS INCONVENIENTES PROPOSTAS DO ALDO REBELO! (e BANCADA)

As violentas enchentes que predominavam ocorrer apenas entre as encostas dos Aparados da Serra Geral e o litoral de Santa Catarina nas décadas de 70, 80 e 90 passaram nesta nova década do século XXI para o Estado do Rio de Janeiro e São Paulo, porém não esquecendo Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Recife e Pernambuco. Não tínhamos conhecimento sobre a tragédia de Caraguatatuba no litoral norte de São Paulo, em 1967, com 436 mortos e no Rio de Janeiro, na Serra das Araras, com 1700 mortos, porém
tínhamos o registro da tragédia de 1974 que matou 199 pessoas só na cidade de Tubarão em Santa Catarina, totalizando 250 mortos incluindo as bacias do Araranguá e Mampituba. Todavia, esta ocorrência na região serrana do Rio de Janeiro poderá ser a segunda maior tragédia climática do país.

Mais de 600 pessoas praticamente ''enterradas vivas'', milhares de desabrigados com sérios transtornos sociais e traumas para o resto da vida, reais possibilidades de adquirirem doenças contagiosas e imensuráveis prejuízos materiais às famílias, ao Estado e a União. Isto é inconcebível, uma catástrofe que certamente poderia ter sido
amenizada se houvesse planos e programas específicos para eventos extremos do clima, no qual estamos apontando desde a ocorrência do inédito Furacão Catarina. Convenhamos que não houve de fato um ''alerta adequado/seguro de perigo real e imediato para a evacuação da população'', porém se houve os responsáveis pela omissão deverão ser
processados criminalmente.

Precipitações maiores que estas ocorreram na Austrália e Portugal, porém a sinistra contabilidade de mortos foi bem menor. Na manhã em que ocorreu o Furacão Catarina, o então governador se utilizou de uma cadeia de rádio e televisão para comunicar (''assustar'') a população do sul de SC, talvez por isso tenha havido pouquíssimas
vítimas pela dimensão destruidora do violento evento climático - o primeiro do Atlântico Sul, enquanto que as superprecipitações já vêm ocorrendo nos últimos anos, portanto, era para haver mais investimentos em sistemas de prevenção e de adaptação, tanto na área científica quanto na defesa civil. OBS. Talvez quem sabe, seja necessário criar uma associação das vítimas prejudicadas pelas tragédias do clima, com objetivo de desenvolverem programas de prevenção e adaptação locais/regionais, como também de fiscalizar os rotundos recursos destinados a recuperação dos danos que são vergonhosamente desviados pelas administrações públicas.

A elaboração de um mapa das regiões onde tem havido com mais frequência e intensidade a ocorrência de eventos considerados extremos pela violência das águas, deve ser acompanhado de dados e informações orientadoras, pois as populações afetadas pelas tragédias do clima querem respostas!!! A ciência da meteorologia não consegue mais
fazer a adequada leitura da climatologia da Terra, tanto nas previsões, como também não consegue explicar as dinâmicas que estão promovendo o desequilíbrio do clima. Na verdade, as imagens de satélite é que orientam os meteorologistas e se não fossem elas estaria em cheque a credibilidade da meteorologia.

Estudos mais profundos com ajuda de outras ciências como a geofísica, oceanografia, sociologia, entre tantas outras que poderiam avançar em pesquisas em conjunto com investimentos em radares e supercomputadores de alta tecnologia, que tem alta capacidade de monitorar iminentes ameaças com antecipação e que viessem a orientar a população em geral, mas principalmente as mais afetadas que vivem em área de risco
decorrentes de super precipitações e de locais vulneráveis a violência dos ventos. Estudos idôneos e independentes, porém comprometidos com a verdade, não ficam apenas restritos a escritórios, mas vão a campo colher informações com o imaginário popular que vive diretamente com a natureza, que sente o seu impacto quando responde as agressões com violência. No dia que um degradador ''sentir na pele a força da
natureza'' ele certamente passará a ver o mundo de outra forma.

Como um dos principais fatores que facilitam os desmoronamentos em encostas de morros é a ausência de vegetação nativa (que assegura o solo com suas raízes ao mesmo tempo em que infiltra/absorve a água da chuva, evitando maior quantidade de água nos leitos dos rios, que por sua vez já não possuem mais mata ciliar que tem a função de proteger os cursos d'água de intempéries que provocam o assoreamento da calha original), o desmatamento em APP tem que ser considerado crime. Observando, no entanto, que quando a precipitação é muito violenta, ela pode arrastar tudo, mesmo as encostas não desmatadas ou ocupadas, destruindo até mesmo as matas ciliares bem compostas, como por exemplo, a catástrofe/tragédia de Figueira no município de Timbé do Sul/SC, quando na noite de Natal de 1995 o choque de duas nuvens provocou o
maior desmoronamento de terra e vegetação na história do país, nas encostas dos Aparados da Serra Geral: http://www.deslizamento-timbedosul-sc.blogspot.com

Alguns céticos podem contestar que sempre existiu a ocorrência de fenômenos naturais, que não existe aquecimento global, ou seja, que as mudanças climáticas são invenções de ambientalistas, porém não podem contestar a intensa frequência da ocorrência de eventos extremos do clima nas últimas décadas no planeta Terra.

Entendemos que três fatores estão contribuindo para aumentar a frequência e a intensidade destes fenômenos naturais e as respectivas consequências:

1. Primeiro é o resultado do desequilíbrio da protetora camada de ozônio ''que não sabe mais o que fazer'' com tanto CO², surgindo o efeito estufa, não permitindo a saída de ar quente para a atmosfera, resultando assim no inconveniente aquecimento global, do qual a queima de combustíveis fósseis é a principal causadora em nível mundial, seguida das queimadas do desmatamento na Amazônia, por exemplo.

2. Segundo é a ocupação desordenada de Áreas de Preservação Permanentes (APP) em encostas de morro e margens de rios, desmatamento e assoreamento dos córregos e rios, ou seja, desenvolvimento a qualquer custo, porém quem paga, na grande maioria, são os pobres excluídos ambientais.

3. As pessoas estão se acostumando com as desgraças alheias (os políticos oportunistas mais ainda!) no que denominamos de ''normose'', resultante da ganância infecciosa do capitalismo e da frieza do socialismo.

Se com uma legislação abrangente e rígida as tragédias acontecem, imaginem então se flexibilizarem as leis deste país como os políticos e governantes catarinenses fizeram ao instituir o Código Ambiental, mesmo após a tragédia de novembro de 2008 no Vale do Itajaí/SC. O mesmo processo está contaminando as mentes da bancada ruralista no Congresso Nacional, com as inconvenientes propostas do Aldo Rebelo de alterar o Código Florestal, que deveriam ser enterradas com a lama dos desmoronamentos por este país afora.

www.tadeusantos.blogspot.com

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Hora Final: Martin Rees

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Em 'Hora final', Martin Rees apresenta uma perspectiva alarmante do destino da humanidade. Segundo ele, a chance que tem de sobreviver ao século XXI não passa de 50%. O risco vem dos próprios avanços científicos e tecnológicos, postos como indispensáveis ao desenvolvimento do homem - a nanotecnologia, a engenharia genética e a tecnologia de comunicação, por exemplo. Nesta obra, Rees pretende mostrar aos cientistas e à sociedade a imensa responsabilidade que recai sobre todos e como é possível evitar os desastres ambientais.

O autor não me parece ser um maluco fundamentalista:
Martin John Rees, o barão Rees de Ludlow é um cosmologista e astrofísico britânico. Foi o presidente da Royal Society entre 2005 e 2010. Mestre (diretor eleito pelo corpo de Fellows e responsável pela administração do colégio) do Trinity College, Cambridge, desde 2004. Professor de cosmologia e astrofísica da Universidade de Cambridge e professor visitante da Universidade de Leicester e do Imperial College London. Foi promovido a Astrônomo Real Britânico em 1995 e foi designado para a Câmara dos Lordes em 2005 como membro independente.


Os cientistas avisam que bilhões, vários bilhões de seres humanos, irão perecer e levar consigo outros tantos bilhões de seres vivos. Provável não ter mais saída. A razão para essa crença é que fazemos parte de uma teia interligada, somos totalmente dependentes dela e nós já a destruímos de forma irreversível em vários itens, polinização, água, solo fértil, clima e sequer cogitamos parar de destruir. E muitos se enganam sobre a forma para pararmos. Para piorar, a maior parte das pessoas – os comuns – está completamente inconsciente sobre o que está por vir. Já a classe dirigente, a superclass, temos duas categorias: os que sabem e fingem não saber e os que não sabem ou escamoteiam as ameaças com soluções tecnológicas impossíveis de se concretizar. Enfim, ainda somos regidos pela ganância, individualismo e ignorância sobre os elos vitais que nos trouxeram até aqui. Teríamos que mudar para solidariedade, coletividade e conhecimento imediatamente e em escala universal para conseguirmos nos adaptar às mudanças inevitáveis que vem pela frente. Isso está fora de questão. As pessoas ainda são muito cruas e incompletas para tal mudança. Não consigo festejar nem com os seminários que parecem raves e reúnem bacharéis em torno da sustentabilidade, porque só se fala muito sobre isso, mas sem nada concreto, muito menos uma mudança profunda e reversão total de valores dos que falam. Na verdade, continuamos com o pé no acelerador em direção ao precipício. Os principais projetos pelo mundo afora ainda são megaconstruções, crescimento populacional contínuo, obesidade e falta de saúde alarmantes, erradicação da pobreza através de disseminação do consumismo para todos com a indústria cuspindo estruturas insustentáveis como carros, aviões, armas, etc. a cada segundo. Todos agem como se o território do planeta fosse inesgotável para essa materialização contínua e o projeto econômico e político é sempre o mesmo, só que a cada vez maior velocidade. Não tem jeito. Nós iremos continuar nosso aprendizado de forma intangível, em outras dimensões, onde até ali poucos de nós irão se encontrar. Rezo para depois achar o sentido disso tudo, dessa perda de consciência de coletividade tão profunda que está por trás da nossa extinção iminente e do fim da vida nesse planeta. O que mais assusta é ver o risco de fim da água e da comida, dois itens sem os quais não teremos nada e dois itens que nada contribuímos para existirem.