sexta-feira, 30 de abril de 2010

A mudança dos paradigmas e o mito do crescimento

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Artigo publicado no Jornal Valor no dia 19 de abril de 2010

Não há uma única variável nos modelos econômicos que contabilize a contribuição irreproduzível e fundamental dos serviços da natureza. Para a pouca análise feita dentro do “mainstream”, há apenas a conclusão que os recursos naturais tangíveis, como metais e petróleo, são completamente dispensáveis e irrelevantes para o processo econômico. Água, que é finita, idem. Sobre os demais serviços ecológicos e o papel dos ecossistemas não há qualquer tratamento científico nessa ciência. A importância desses itens é demasiado grande para ser ignorada dessa forma.

Há um artigo na “Enciclopédia de Sistêmica” de Charles François que dá a seguinte referência para “Permanência” (leia-se sistemas sustentáveis): “um sistema só pode permanecer se apresentar estruturas regulatórias de feedback que levem em conta interferências e possibilidades externas reais.” Esse conceito revelaquepraticamente nenhum processo econômico possui permanência — ou sustentabilidade —, a menos que esse erro teórico seja corrigido.

China e os Estados Unidos não vivem a sua própria insustentabilidade porque são capazes de exportá-la a custo zero para o resto do mundo via comércio global. Nicholas Georgescu-Roegen teria evitado a confusão climática e ambiental atual, pois no seu tempo, mais de 50 anos atrás, foi capaz de prever a maior parte desses problemas. Segundo ele, se a economia do descarte imediato dos bens, do desperdício e do crescimento infinito for mantida, a humanidade será capaz de entregar a terra ainda banhada em sol apenas à vida bacteriana.

Temos um problema tanto de matéria quanto de energia, mas o“mainstream” abraçoua causado aquecimento global como uma oportunidade de negócios. É um mito acreditar que só temos umproblemade energia.Temosacima de tudo um problema de matéria.

O espaço territorial é finito, os serviços ecológicos e os ecossistemas dos quais dependemos são restrições maiores que a espacial. Na Terra, todos os seres vivos dependem de todos os seres vivos. Tamanho erro não se justifica à luz do conhecimento científico das últimas décadas e não se confirma mais pelos fatos evidenciados todos os dias, seja no âmbito ambiental e no social. A mania de crescimento, se não for logo abandonada, irá transformar nosso planeta fértil e cheio de vida em uma rocha seca. Quando o problema do buraco da camada de ozônio surgiu, houve um lobby gigante da maior empresa produtora dos gases causadores (CFCs), que atrasou a solução por mais de 10 anos.

Estava em jogo nada mais nada menos que a vida na Terra, pois, sem essa frágil camada, o DNA é destruído. O mesmo lobby surge agora da indústria de combustíveis fósseis e carvão. A esse respeito o livro “Os Senhores do Clima” de Tim Flannery é uma leitura mais do que recomendada. Há evidências do fracasso do modelo de crescimento. Os Estados Unidos são um exemplo desse projeto que terminou em catástrofe econômica.

A China deve evidenciar a catástrofe ambiental com seus problemas assustadores. Ocrescimento, segundo a New Economics Foundation (“Growth isn´t working“) e a Fordham University, nada mais é que um mecanismo de diferenciação social, cujos níveis de desigualdade atingiram recordes, principalmente entre as nações mais ricas.

Os indicadores da Fordham mostram uma comprometedora relação negativa entre crescimento econômico e os indicadores (analfabetismo, pobreza entre pessoas com mais de 65 anos, população encarcerada, alcoolismo, mendicância, acesso à saúde, suicídio, etc). Amartya Sen tem uma enorme contribuição a dar para esse debate. Ao largo dessa visão de mundo, há o testemunho de Mohammed Yunus que curiosamente foi assistente de Roegen (seu livro “O Banqueiro dos Pobres” é imperdível).

Segundo Yunus, os projetos de assistência social visam perpetuar uma situação de

Empobrecimento da população com duas finalidades nada éticas: 1) Justificar mais crescimento para abastecer quem menos precisa, com a falsa noção que só o crescimento — e o dinheiro — irá tirar a população da pobreza.

2) Criar atividades que deveriam ser éticas, mas que são portas abertas para as mais absurdas manobras de corrupção envolvendo governos e empresas no mundo todo. Como romper com tudo isso?

Hugo Penteado é economista-chefe do Santander Asset Management e autor do livro “Eco-Economia — Uma nova Abordagem” E-mail hugo.penteado@santander.com.br

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Belo Monte vai custar R$ 44 bi, diz ambientalista

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Valor Econômico - 28/04/2010, p. A14

Daniela Chiaretti, de São Paulo

Roberto Smeraldi, 50 anos, diretor da Amigos da Terra - Amazônia Brasileira, diz que Belo Monte não só não tem viabilidade econômica utilizando-se os critérios convencionais, mas que se forem incorporados custos ambientais e sociais, a energia gerada pela hidrelétrica custaria mais de R$ 200 o megawatt-hora. Ele faz essa conta somando custos de engenharia, isenção fiscal e os serviços básicos para quem vive em Altamira e terá que ser realocado (cerca de 30 mil pessoas) e para os 100 mil migrantes que chegarão. O ambientalista deixa de fora do cálculo as perdas de biodiversidade e as emissões de gases-estufa, bem mais complicadas de estimar, e crava o custo de Belo Monte em R$ 44 bilhões. "O que mais preocupa é que se está colocando lá dinheiro do Tesouro, de FAT e até de FGTS" , observa.

Na visão de Smeraldi, que conhece bem a região do Xingu onde o governo quer erguer a hidrelétrica, ao investir em Belo Monte o país deixa de colocar dinheiro onde deveria - na eficiência energética e na conservação. O Brasil perde na distribuição e na geração 1/4 da energia que produz, lembra. "Está se secando a fonte para fazer investimentos viáveis. É o chamado custo de oportunidade, que é o custo de não fazer outras coisas com aquele mesmo dinheiro", diz. Um estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) indica que no caso do Brasil, cada R$ 1,00 investido em eficiência energética tem impacto equivalente a mais de R$ 3,00 investidos em geração de eletricidade adicional. A lógica de Smeraldi é inversa à do presidente

Lula: "Belo Monte vai na direção do apagão."

Valor: Qual é a sua posição sobre hidrelétricas?

Roberto Smeraldi: Todas as formas de geração têm uma relação custo-benefício que muda de acordo com os projetos. Não é que hidrelétrica é boa ou é ruim, ou que eólica é boa ou ruim, ou solar, ou bagaço. Todas essas fontes têm impactos e oferecem oportunidades. É preciso fazer esse balanço e ver o saldo. A nossa posição não é ideológica. Temos no Brasil casos de hidrelétricas sensacionais, como Itaipu, que é top da eficiência, um altíssimo custo-benefício em todos o sentidos. Até nas emissões ela é quase nula.

Valor: Não é este o caso de Belo Monte, não é?

Smeraldi: Belo Monte não tem viabilidade econômica, mesmo usando-se apenas os critérios convencionais. Se forem incorporados os custos ambientais e sociais, então, é péssima. Com as externalidades sociais e ambientais, o preço de Belo Monte está na faixa de R$ 200 o MW.

Valor: Como se faz essa conta?

Roberto: Somando os custos de engenharia, a usina vai para R$ 28 bilhões a R$ 29 bilhões; com a isenção fiscal, vai para R$ 36 bilhões. Se calcularmos os serviços básicos para quem vive ali, mais as 100 mil pessoas que vão chegar e as 30 mil que serão realocadas, já estamos em R$ 44 bilhões. Ainda teríamos que calcular as emissões de gases-estufa do desmatamento e a perda da biodiversidade. Se a conta for feita assim, o custo vai muito além da eólica. A energia deveria ser vendida a R$ 200. O que mais preocupa é que se está colocando lá dinheiro do Tesouro, de FAT e até de FGTS e com renúncia fiscal. Além disso, não serão feitos investimentos nas áreas de energia onde seria necessário fazer.

Valor: Por que não?

Smeraldi: Porque todo o dinheiro disponível vai para subsídios e se concentra num grande empreendimento. Está se secando a fonte para fazer investimentos viáveis. É o chamado custo de oportunidade, que é o custo de não fazer outras coisas com aquele mesmo dinheiro. Belo Monte vai na direção do apagão.

Valor: Como assim?

Smeraldi: Tira recursos de investimentos que ajudariam a prevenir o apagão. Perdemos na distribuição e na geração 1/4 daquilo que a gente produz. Estamos gerando menos do que se poderia com a atual capacidade instalada. Com a modernização das usinas (a chamada repotenciação) já instaladas se poderia aumentar em 6% a geração atual. O Banco Interamericano de Desenvolvimento fez em 2008 um grande estudo sobre o setor energético da América Latina, incluindo um ranking de eficiência de cada país. No caso do Brasil, cada R$ 1,00 investido em eficiência energética tem impacto equivalente a mais de R$ 3,00 investidos em geração de eletricidade adicional. O BID avaliou as necessidades de crescimento até 2016 e estima que o país deveria investir US$ 6,8 bilhões em eficiência, ou, para ter o mesmo resultado, US$ 21 bilhões em geração.

Valor: O que pode dizer sobre as perdas na distribuição?

Smeraldi: Não há auditoria que diga quanto se está perdendo de energia nos últimos anos no linhão de Itaipu. Mas não faz nenhum sentido ligar as térmicas a todo vapor, se neste verão todos os reservatórios estavam cheios. É um paradoxo. Além disso, os investimentos para gerar nova energia darão resultados em cinco anos, mas investimentos para evitar o desperdício dão resultado imediato. E o nosso potencial de bagaço significa três Belo Monte.

Valor: Vocês fizeram uma ação para impedir o leilão, certo?

Smeraldi: Foi a ação para a qual foi dada a liminar e que valia enquanto o leilão ocorreu. E é uma das razões pelas quais o leilão pode ter sido realizado ilegalmente.

Valor: Por quê?

Smeraldi: No site do tribunal está registrado que as partes foram notificadas a respeito da liminar às 12h25 e ela foi publicada no site às 13 h. Ou seja, era de domínio público. Mas a Aneel realizou o leilão apesar de uma decisão judicial que o impedia. O leilão ocorreu às 13h24, ocorreu sob embargo. Acho difícil que chegue a ser homologado.

Valor: Qual era o argumento da ação?

Smeraldi: A licença prévia do Ibama estabelece um reservatório de 516 km2. É este também o valor pelo qual a Agência Nacional de Águas (ANA) declarou a reserva de disponibilidade hídrica do rio Xingu. Mas o edital que convocou o leilão mudou este valor para um tamanho de reservatório 29,47% maior do que foi licenciado pelo Ibama.

Valor: O que pode acontecer?

Smeraldi: Três coisas. Nós podemos entrar com recurso contra a cassação da liminar, que foi cassada só na noite do dia 20. A outra é que esta ação terá que ser julgada no mérito também. E a terceira é que o Ministério Público abriu um inquérito para verificar essa questão do leilão ocorrendo sob embargo da Justiça.

Valor: A União diz que vai processar quem entrou com ações.

Smeraldi: Acho preocupante que a União não entenda que é obrigação, tanto do Ministério Público quanto de instituições como a nossa, a tutela de interesses difusos. Somos uma Oscip e para nós não é uma opção agir na tutela dos interesses difusos, da lisura e legalidade dos processos que dizem respeito ao meio ambiente. É uma obrigação.

Valor: O argumento da AGU é que as ações vão na direção contrária aos interesses do Brasil. Dizem que o país precisa crescer e para isso precisa de energia.

Smeraldi: Eles podem achar que é interesse do Brasil jogar dinheiro público em Belo Monte, eu posso achar que é interesse do Brasil não jogar fora a energia que já estamos produzindo. Ambas as posições são legítimas. Mas eles deveriam se pautar pela lei. Mas atacam quem promoveu as ações. Até um juiz disse que era pressionado pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Esse tipo de coisa a gente não esperaria depois de 22 anos da Constituição democrática.

Valor: Belo Monte poderia ser menor?

Smeraldi: Belo Monte já foi feita menor. O problema é que sem reservatórios complementares não tem viabilidade econômica, e isso significa alagar grandes áreas. Belo Monte só terá vazão quatro meses ao ano.

Valor: E o argumento de que o Brasil precisa de energia?

Smeraldi: Este deveria ser o foco de uma política energética. Há um grande espaço para o Brasil investir em tecnologia para crescer com menos intensidade de energia por unidade de PIB gerado. Ou seja, aumentar a eficiência. Ao mesmo tempo, investir em setores menos intensivos de energia. Não vejo como o país possa crescer subsidiando a indústria do alumínio. Tem que fazer investimento em indústria no Brasil. A economia florestal, por exemplo, traz um volume de emprego muito alto e não é eletrointensiva.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Notícias que gostaríamos de ver

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Governo Federal anuncia moratória de construção

Governo anuncia moratória de contrução nas cidades grandes e a partir de 2011 todas as contruções só poderão ser feitas caso não haja opção de imóveis vazios ou abandonados . A política agora não é construir, mas adotar o retrofit, reduzir o desperdício (continua)

Governo do Estado de São Paulo anuncia mudança de motoboys para biceboys

Em função da mortandade e do péssimo nível de bem estar gerado para os motociclistas, a transformação de sua função feita também com emprendimentos sociais é fundamental para reverter esse quadro. Redução de mobilidade fazendo uso de tecnologia será exigido das empresas. Menos papel e menos mobilidade é fundamental para salvar o planeta, escreveu o governo em nota à imprensa (continua)
Governo Federal anuncia programa de adoção de crianças

Cada casal que ao invés de ter dois filhos naturais, tiver um filho e adotar uma criança sem pais ou ajudar na criação de uma criança pobre sem pais receberá isenção de 30% no seu imposto de renda. O objetivo não é adotar crianças que tenham pais, mas adotar as órfãs, em qualquer idade. Crianças pobres que tenham pais podem ser adotadas, mas a convivência com os pais naturais tem que ser prioridade da família que ajuda. É muito difícil que as pessoas abandonem a idéia que seus filhos são apenas os de sangue, quando na verdade somos uma família única. O governo pretende com isso dar um estímulo monetário na direção de mais solidariedade. Outra iniciativa é fazer documentários para mostrar o estado das crianças abandonadas nesse país, para as quais mantemos os olhos fechados (continua)

Governo Federal anuncia fim de construção de usinas hidrelétricas

Convencido pelos pesquisadores que o país não precisa de mais energia, mas sim de menos, dado que o desperdício de energia é hoje no Brasil de 50%, o governo vai evitar construção de usinas hidrelétricas que tenham impactos socioambientais controversos e vai trabalhar na direção de redução do desperdício, com mais eficiência e atualização tecnológica. Mas uma das principais conclusões históricas é que a demanda crescente por energia só poderá ser atendida através do fim da vida na Terra ou através do ecosuicídio e extinção coletiva. Governo urge os economistas para mudarem seus modelos e pararem de brincar com a realidade na qual a economia é pretendida ser poderosa o suficiente para ser maior que o planeta, o que não é verdade. Governo está criando uma agência de pesquisas econômicas com a nova fronteira do pensamento, a Economia Ecológica (continua)

Governo Federal anuncia meta lixo zero

Governo exigirá das empresas logística reversa de quase todos os produtos. O custo do descarte de lixo para consumidores e empresas será aumentado mais de 1.000 vezes. A economia e o nosso sistema de produção e consumo não pode mais tratar o planeta como lixeira. Segundo fontes do governo, é um absurdo que as maiores cidades do Brasil já exportem lixo para as cidades do interior e que essas cidades não sejam mais auto-suficientes em lixo e em água. Esse absurdo se estendido para o resto do país, significa o fim da nossa nação. As empresas tem sido subsidiadas continuamente por essa falta de atenção com as questões ambientais e sociais, pois a conta sempre recai nas costas do contribuinte. Hoje é extremamente caro manter o fluxo de lixo e de água para as cidades esgotadas. Esse modelo não é o modelo do futuro e sim do desastre total (continua)

Governo Federal anuncia cobrança de custos ambientais nos produtos exportados aos países ricos e a China que já esgotaram seu meio ambiente

O objetivo da medida é impedir que a China e os países ricos continuem exportando sua devastação e colapso ambiental para o Brasil, o que causa enorme desastre para o povo brasileiro, sem ganho social e de bem estar algum, como mostram pesquisas acadêmicas. Se a China e os Estados Unidos estivessem sozinho no planeta Terra, já teriam entrado em colapso ambiental há muito tempo e suas populações já teriam desaparecido. Um modelo que é inviável para todos os países, por causar um colapso planetário, não é um modelo viável para ninguém (continua)

Governo Federal anuncia impostos elevados para empresas que importam matérias-primas de longe

Regra se aplica a matérias-primas que podem ser encontradas no Brasil ou na Amazônia. Empresas brasileiras que exportam matérias primas de longe, como por exemplo da Malásia, estão emitindo uma quantidade gigante de carbono no transporte, não contabilizadas nas suas contas de neutralização. Para evitar essa maquiagem, será adotada elevação dos tributos para estimular um modelo que realmente beneficie o meio ambiente. Adicionalmente, segundo o governo, muitas dessas empresas que contaminam a atmosfera terrestre com importações longínquas, participam da maior exploração global de mão de obra do planeta, em países sem regimes trabalhistas dignos (continua)

domingo, 25 de abril de 2010

40 anos do Dia da Terra

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Segue um comparativo entre a situação global de hoje com a de 1970. Merece uma leitura cuidadosa, pois deixa mais claro o pano de fundo dos negócios e das demais atividades humanas.

O texto destaca o papel da educação e do desenvolvimento de infraestrutura (sistemas de energia, transporte, habitação e manufatura) que não seja tão dependente de matéria e energia ao longo do tempo.

Merece atenção o fato de que as mudanças climáticas representam a crise mais proeminente, mas não a única.

O texto é mais uma evidência do poder de comunicação e de avaliação da Pegada Ecológica.


40 Years of Earth Day: The Planet Then and Now

On April 22, 1970, the first observation of Earth Day took place, a massive series of gatherings, demonstrations and discussions across the U.S. that many credit as the birth of the modern environmental movement. An oil spill off the California coast was the event that triggered U.S. Senator Gaylord Nelson to launch Earth Day – but concerns about environmental health and the detrimental effects of industrialization were growing, over issues such as pesticide use, oil spills, poor air quality, pollution, loss of wilderness to development and declining biodiversity. Heralded as a resounding success, the first Earth Day resulted in the implementation of a number of U.S. environmental policies, and the movement quickly went global.

Yet today, the environmental challenges we face dwarf those that touched off that first celebration. And the planet we honor on Earth Day is a far different place from that of just four decades ago.

§ World population has almost doubled, from 3.7 billion to 6.9 billion

§ The amount of land paved over to build houses, cities and roads has increased 75 percent, from 228 million global hectares to 400 million global hectares, according to Global Footprint Network’s 2009 National Footprint Accounts

§ The amount of productive forest land required for fuelwood, paper and timber products, has gone up 53 percent to close to 2 billion global hectares

§ The productive land and sea area we need for food – for fishing, crops and grazing our livestock – has increased 69 percent, to 5.6 billion global hectares.

But the most staggering increase is reflected in our carbon Footprint, the amount of productive land area that would be needed to absorb our carbon emissions:

§ Since 1970, our total carbon Footprint has more than tripled, from 2.9 to 9 billion global hectares. Carbon has also gone from being a smaller part of humanity’s total Footprint than cropland, to outstripping every other area of demand by a significant margin.

The result of this ecological overspending is clear from the crises we are confronting now – most prominently climate change, but also:

§ biodiversity loss

§ deforestation

§ fisheries collapse

§ soil erosion and other problems.

Earth has changed from a place where we could operate as if resources were limitless, to one in which resource constraints are becoming a pressing and increasingly decisive concern.

Growing Footprints on a Small Planet
In 1970, the world still had significant ecological reserves. Humanity used resources and produced carbon emissions at a rate that the planet’s ecosystems could keep up with. By the time Earth Day was 15 years old, however, humanity was in ecological overshoot: using resources and producing CO2 at a rate that exceeded what the Earth could regenerate and reabsorb.

Today, it would take the resources of 1.4 Earths to renewably produce all the resources we consume and absorb the carbon dioxide emissions we create. Global Footprint Network research shows that if we continue at the current rate, by the time we celebrate Earth Day’s 60th anniversary, we will require the resources of two Earths to sustainably meet human demands. Reaching this level of demand may well be impossible.

(Use our newly expanded personal calculator and determine your own Ecological Footprint.)

The good news is, we can change our trajectory.

Infrastructure, because of its long life, will play an especially important role in determining whether the sustainability challenge will be successfully met.

Just as the choices we made in 1970 still shape the way we live today, the energy, transportation, housing and manufacturing systems we build today will chart the course for our future.

If we invest in systems that can operate on a small Footprint, that do not have negative impacts on biocapacity, and that are flexible and resilient in the face of changing resource constraints, they will provide lasting benefits. If, on the other hand, we design infrastructure that is dependent on a high level of resource throughput, or that damages or depletes the ecological services that make its operation possible, any benefits gained will be at best short-lived.

Similarly, the way we manage agricultural, water and forestry systems will determine whether they will be able to provide an ongoing stream of renewable resources and carbon sequestration services.

In countries with rapidly expanding populations, education—especially of women— along with improved health care and access to family planning options, can help mitigate the contribution of population growth to local and global overshoot.

(Download our recent report: The Ecological Wealth of Nations: The Earth’s biocapacity as a new framework for international cooperation.)

Confronting the Future
The first Earth Day showed that major public movements can have significant effects in shifting policies and values.

As we note its 40th anniversary, we have a choice. Do we continue with business as usual, careening toward critical limits not just in atmospheric carbon build-up, but in biodiversity, freshwater, fisheries, soil quality and other systems? Or do we begin the rethinking and retooling we need to change the arc of human demand, and bend it toward living within nature’s means?


sábado, 24 de abril de 2010

VULCÃO EXPLICITA LIMITES DA GLOBALIZAÇÃO

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Estadão, 21 de Abril de 2010
Visão Global (p. A15):

VULCÃO EXPLICITA LIMITES DA GLOBALIZAÇÃO

George Monbiot
The Guardian

Assim como a crise financeira, o vulcão Eyjafjallajokull mostrou que o mundo precisa de sociedades mais simples. O homem propõe e a natureza dispõe. Dificilmente somos mais vulneráveis do que quando nos sentimos isolados. O milagre da moderna aviação nos protegeu da gravidade, da atmosfera, da cultura, da geografia. Fez com que nos sentíssemos cidadãos de todos os lugares. Mas, quando a natureza se interpõe, nos deparamos com a realidade de uma separação de milhares de quilômetros. E descobrimos que, afinal, não escapamos do mundo físico.

Sociedades complexas e interligadas têm maior capacidade de recuperação do que as mais simples. Durante as secas na África, nos anos 90, as pessoas que tinham menos parceiros comerciais foram as mais atingidas. Quanto mais ampla a área geográfica da qual extraíam seus alimentos, menor foi o impacto da fome.

Após certo ponto, a conectividade se torna um perigo. Quanto mais extensas as linhas de comunicação, mais dependentes somos da produção de empresas de outros países e maior é o potencial de perturbação. Essa é uma lição que aprendemos com a crise dos bancos. Alguns milhares de mutuários que não conseguiram pagar suas hipotecas nos EUA quase quebraram a economia global. Se o vulcão islandês continuar vomitando cinzas, pode produzir o mesmo efeito.

Há vários tipos de vulnerabilidade. A mais catastrófica seria uma tempestade solar, que causa um aumento repentino da corrente direta em nossas redes de eletricidade, queimando os transformadores. Poderia ocorrer em questão de segundos, mas precisaríamos de anos para nos
recuperarmos.

Como destaca a revista New Scientist, um evento como esse desmantelaria a maior parte dos sistemas que nos mantêm vivos. Destruiria as estações de tratamento e bombeamento de água.
Paralisaria a distribuição de petróleo, reduzindo a oferta de alimentos. Afetaria hospitais e sistemas financeiros.

Os geradores de emergência só funcionariam até o fim das reservas de petróleo. Transformadores queimados não podem ser reparados - devem ser substituídos. As companhias distribuidoras de energia não estão preparadas para esse tipo de catástrofe. A mesma falta de planejamento existe caso a oferta global de petróleo comece a declinar.

O relatório mais recente do governo britânico afirma que "uma crise de energia será inevitável se não houver uma expansão da produção e da capacidade de refino". "Até 2012, o excedente da capacidade de produção de petróleo poderá desaparecer. Em 2015, o déficit poderá chegar a 10 milhões de barris diários", diz o documento.

Os custos da energia e os impactos ambientais já ultrapassaram os benefícios de uma complexidade crescente. Pela terceira vez em dois anos, descobrimos que as viagens aéreas são o elo frágil do nosso sistema. Em 2008, o aumento do custo dos combustíveis tirou do mercado várias linhas aéreas. O vulcão arruinará muitas outras. A indústria da aviação, grande consumidora de energia, depende do clima, que é incontrolável. E quanto maior nossa dependência do avião, mais vulneráveis nos tornamos.

O fornecimento de petróleo, os custos ambientais e sociais do setor e sua vulnerabilidade significam que os atuais níveis dos voos não poderão ser mantidos. Temos uma opção. Podemos começar a desativar o setor enquanto há tempo e encontrar maneiras de viver passando a depender menos dele. Ou podemos ficar sentados esperando que a realidade física simplifique o sistema por meios mais brutais.

Tradução de Anna Capovilla

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Comemoração em Brasília mostra o desapego com a natureza.

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Em primeiro lugar, uma cidade sem ciclovias. Totalmente plana. Com um problema de trânsito gigante. Como se mais carros pudessem dar mais mobilidade e é justamente o contrário.


Em segundo lugar, algo que se espalha de Brasília para o resto do Brasil e é a filosofia do mundo: tratar a Terra como se fosse lixeira, acreditando no mito do jogar fora, embora o jogar fora não exista.
Fonte da foto: http://noticias.uol.com.br/album/100422_album.jhtm?abrefoto=13#fotoNav=25

Leilão de usina de Belo Monte volta a ser suspenso

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Leilão de usina de Belo Monte volta a ser suspenso


JOÃO CARLOS MAGALHÃES
da Agência Folha, em Belém

Atualizado às 18h03.

A Justiça Federal em Altamira (PA) voltou a suspender, nesta tarde, o leilão da hidrelétrica de Belo Monte, a ser construída no rio Xingu, no Pará. A decisão do juiz juiz Antonio Carlos Almeida Campelo é liminar, ou seja, emergencial, e atendeu pedido do Ministério Público Federal. Ele também mandou cancelar a licença prévia da obra.

Veja a íntegra da decisão da Justiça

Com isso, a realização do leilão da usina, até agora previsto pelo governo federal para amanhã, está de novo ameaçada.

Índios preparam invasão de área da usina de Belo Monte
Construção de usina de Belo Monte divide opinião de moradores
Enquete: você é a favor da construção?

A AGU (Advocacia Geral da União) afirmou que o recurso já está sendo escrito, e que ele será protocolado ainda hoje no TRF (Tribunal Regional Federal) da 1ª Região, em Brasília.

Na semana passada, o mesmo Campelo já havia dado uma decisão idêntica. Aquela liminar analisava questões estritamente jurídicas, e acabou cassada rapidamente em decisão do presidente do TRF, Jirair Meguerian.

A de hoje é mais extensa do que a anterior, e está recheada de decisões e leis de outros países, como EUA e Austrália.

Ela elenca diversas supostas ilegalidades nos trâmites legais e enumera possíveis inconsistências dos estudos que levaram o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) a aprovar Belo Monte.

Primeiro, Campelo diz que as audiências públicas sobre o projeto foram "meras encenações" e que a falta de dados sobre o projeto fere o princípio jurídico da precaução.

O magistrado cita um parecer do Ibama, assinado no mesmo dia em que a autorização de licença, no qual é dito que "não há elementos suficientes para atestar a viabilidade ambiental do empreendimento, até que sejam equacionadas as pendências apontadas".

E pergunta: "Como, no mesmo dia, dois documentos são emitidos com informação totalmente contraditória em um empreendimento de grande vulto e complexidade como [...] Belo Monte?"

Ele critica a potencial extinção de espécies de peixes e os danos causados aos moradores da chamada Volta Grande do Xingu, trecho em que possivelmente o rio secará, devido à tecnologia inédita que será usada na hidrelétrica.

Campelo também diz que é ilegal o leilão ter sido marcado sem a que a obra tenha licença de instalação --passo imediatamente posterior à licença prévia, dentro do rito legal de licenciamento ambiental. Segundo ele, isso contradiz frontalmente uma resolução do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente).

A decisão de hoje só ocorreu pois o MPF dividiu em duas a ação em que, originalmente, tentaria brecar a usina. A ideia dos procuradores da República foi acelerar a apreciação de seus pedidos.


http://f.i.uol.com.br/folha/dinheiro/images/1010991.gif

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Sobre Belo Monte - Por Miriam Leitão

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Sobre Belo Monte


Por Miriam Leitão

Por 100 quilômetros o rio Xingu vai passar a ter uma vazão mínima de água, e, às margens dessa área, há tribos, ribeirinhos, floresta. Os técnicos do Ibama escreveram que não garantiam a viabilidade ambiental da hidrelétrica de Belo Monte. Duas das maiores empreiteiras do país desistiram porque acham arriscado demais economicamente. Mas o governo diz que fará o leilão.

Há dúvidas de todos os tipos sobre a hidrelétrica: ambiental, econômico-financeira e política. Por que ignorar tantas dúvidas? Por que leiloar a mais polêmica das hidrelétricas brasileiras a seis meses das eleições com um só grupo interessado? Por que tentar forçar a formação improvisada de um novo grupo, manipulando os fundos de pensão?

A primeira vez que se pensou em fazer essa hidrelétrica foi no auge do poder do governo militar, em 1975. Nem eles, com AI-5, sem audiências públicas, com um estado maior e mais insensato; nem eles, que fizeram Balbina, tiveram coragem de levar adiante o projeto.

O Ministério Público levanta dúvidas sobre várias questões, mas principalmente não entende a pressa do governo:

— Os técnicos do Ibama escreveram que não tiveram tempo de considerar as questões levantadas nas audiências públicas, escreveram que não tinham como garantir a segurança ambiental do empreendimento, há dúvidas sobre a viabilidade econômico-financeira e mesmo assim o governo diz que fará a obra — diz o procurador da República Bruno Alexandre Gutschow, do Pará.

Há vários outros pontos que estão sendo analisados pelo Ministério Público e novas ações podem ser propostas nas próximas horas. Eles entraram com duas ações pedindo a suspensão do leilão. E a vice-procuradora-geral da República, Débora Duprat, enviou um ofício ao presidente do BNDES exigindo respostas para várias perguntas: se o banco fez estudo da viabilidade econômico-financeira do projeto; quanto pretende financiar; se pesou o custo sócio-ambiental de deslocar 50 mil pessoas.

No mês passado, o Ministério Público tinha feito essas perguntas ao BNDES, e ele admitiu que desconhece os detalhes do empreendimento. Estranhíssimo. Ele será o grande financiador, como pode desconhecer?

O governo claramente está forçando a barra diante de todas as dúvidas. Ontem, a Aneel adiou o prazo de inscrição para participar do leilão. E, sem qualquer transparência, o governo tenta montar um novo consórcio.

O Ministério Público se perguntou numa das ações propostas: como manter a biodiversidade da área impactada pela redução da vazão de água? Como manter a segurança alimentar da população da área? Como garantir a navegabilidade do rio? Dúvidas que ficaram sem respostas porque os técnicos do Ibama disseram várias vezes em seus pareceres e de forma contundente o seguinte: “A equipe mantém o entendimento de que não há elementos suficientes para atestar a viabilidade ambiental do empreendimento.”

O pesquisador Francisco Hernandez, da USP, que estudou Belo Monte, define como um “monumento fluvial” o Rio Xingu, pela sua exuberante biodiversidade. O procurador Gutschow diz que há mais espécies de peixes lá do que em toda a Europa.

Mas alguém pode considerar que tudo isso deve ser sacrificado por uma hidrelétrica que será a terceira do mundo e que vai produzir 11 mil MW. Isso é um enorme engano. A produção média mal passará de 4 mil MW, e por três ou quatro meses no ano pode ser de meros 1 mil MW pelo regime das águas do rio.

Alguém pode argumentar que a hídrica é uma energia barata. É mesmo? A obra está calculada em R$ 19 bilhões, mas o que as empreiteiras estão dizendo é que talvez chegue a R$ 30 bi. Essa incerteza é que afasta muitos competidores. Além disso, há o custo não contado dos enormes linhões atravessando a floresta e muito distantes dos centros consumidores.

Pode-se argumentar também que se não forem feitas as hidrelétricas da Amazônia, restará ao Brasil a energia fóssil vinda do carvão, ou petróleo. É mesmo? Há inúmeras outras alternativas num país como o Brasil: biomassa, eólica, solar, eficiência energética, pequenas usinas, marés. A Coppe tem protótipo de usinas de marés, há estudos mostrando que se deveria estimular a autogeração renovável de fontes alternativas pelas indústrias.

Se você concorda com a ex-ministra Dilma, para quem nenhuma dessas fontes pode ser levada a sério, em grande escala, veja os números da Europa: A Alemanha no final de 2009 tinha 25.800 MW de energia eólica; a Espanha, 19.150 MW. Em toda União Europeia, 75 mil MW. Na Dinamarca, representa 20% da energia; em Portugal, 15%. Os Estados Unidos têm 35 mil MW. Isso sem falar do enorme potencial fotovoltaico (solar) do Brasil.

O Brasil explorou intensamente seu potencial hídrico, agora ele está em local distante, de grande impacto ambiental, com custos de construção e manutenção mais altos e incertos. A tendência agora é descentralizar a geração, e produzir barragens menores que reduzam o estrago ao meio ambiente. Enfim, quem pensa que só existe barragem ou fóssil precisa urgentemente atualizar seus conceitos.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Carta Aberta à Dilma Roussef

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Prezada Exma. Sra. Ministra Dilma Roussef,

Sem o Cerrado, o aquífero Guarani morre e sem ele a agricultura morre. Não tem como mirar em uma só variável e uma só métrica, pois o problema é sistêmico e o desastre ambiental global não é causado apenas pelo aquecimento global e sim por uma série de riscos e pressões em várias frentes e por uma visão de mundo que ignora a contribuição da natureza e seus serviços para tudo existir.

O Guarani já está bem comprometido com contaminação, contas futuras que deixamos de herança para todos os netos de todos os netos. Eu não sou especialista, posso achar alguém na minha rede de contatos que possuo para detalhar mais isso, mas a situação do Cerrado e do Guarani é assustadora. Estive com um especialista em Bauru, um cientista, que falava comovido sobre o assunto. Como ele há vários, jamais ouvidos. Eles precisam ser ouvidos.

Os economistas precisam corrigir seu paradigma, porque essa ciência possui erros epistemológicos seríssimos identificados há mais de 60 anos. Os economistas acreditam que o sistema econômico é totalmente desvinculado do meio ambiente e que a economia pode ser maior que o planeta. Ou que o planeta é um subsistema da economia e que todos os processos econômicos, além de reversíveis, são neutros para o meio ambiente. Ou que os serviços ecológicos e recursos naturais, mesmo os tangíveis, como petróleo, metais e água, são desprezíveis e irrelevantes para explicar o crescimento econômico - e prevêem preço zero para eles, uma distorção de mercado que só será corrigida por uma mudança geral de valores que, mesmo entre os mais despertos, está ainda longe de acontecer. O nosso atual conjunto de valores determina que quanto mais viável economicamente for uma atividade, menos viável ambientalmente ela é. Estamos perdendo muito com isso.

Esses mitos de separação da economia (e de atividades como agricultura) e meio ambiente andam a todo vapor e a rota de colisão com a Terra, cuja resposta pode ser o fim da nossa espécie animal, segue infrene. Os ecossistemas não estão aí apenas para serem lugares de expansão agrícola e econômica, eles fornecem os 20 serviços ecológicos sem os quais não estaríamos vivos, são reguladores químicos do solo, do ar e da água, sem os quais a Terra seria uma tocha incandescente. É um equilíbrio dinâmico e vivo. Como economista de formação e atuante estou profundamente convencido da necessidade de conhecermos as demais ciências, as puras, como química, física e matemática, para depois entendermos o que podemos fazer. Precisamos inclusive discutir essa conta ambiental com a comunidade internacional, porque não há um só exemplo no mundo de desenvolvimento econômico que não tenha devastado os ecossistemas e não tenha transbordado essa destruição para além de suas fronteiras, via comércio global. Esse processo já causou a maior e mais veloz extinção da vida em massa na Terra dos últimos 65 milhões de anos. É muita ingenuidade achar que essa extinção jamais irá se voltar contra os causadores.

No futuro não haverão vencedores, posto que todos nós estamos no mesmo planeta e pertencemos a mesma espécie animal, numa teia viva onde todos os seres vivos dependem de todos os seres vivos. A tarefa é árdua, parabéns pelo seu trabalho e preocupação com o futuro.

Atenciosamente,

Hugo Penteado

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Petróleo faz do Canadá novo vilão do clima

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CCS significa o seguinte: eu jogo um balde de lama na sala, totalmente inútil... porque vai vir uma máquina limpar. O correto não seria não jogar o balde de lama na minha sala?

Essa cornucópia tecnológica vai nos causar nosso fim ecológico...

Credo : será quando que vão entender que não precisamos de mais energia, já que desperdiçamos horrivelmente mais da metade?


Petróleo faz do Canadá novo vilão do clima

Antes e depois: nos arredores de Fort McMurray, a bela visão da floresta boreal e de afluentes do rio Athabasca desaparece subitamente…

A van segue veloz pela rodovia 63, rumo ao norte. O asfalto perfeito da estrada canadense e a agenda apertada animam o motorista, que acelera – até a hora em que aparece o carro de polícia e manda encostar. O guarda se aproxima, avisa que o limite de velocidade foi ultrapassado, pede documentos e se retira. Mas quando retorna, minutos depois, quebra o script rotineiro: “Você é do Greenpeace, não é?”. Essa reação inusitada mostra como a polêmica e rentável exploração das areias betuminosas é um tema delicado no Canadá.

… e é substituída pelo cenário sombrio das minas de extração de betume, onde não sobrou uma única árvore

No norte de Alberta, a província do Canadá que está ganhando todo tipo de fama por abrigar o maior projeto energético do mundo, o que era para ser uma multa por excesso de velocidade se transforma em um comboio policial de três viaturas para escoltar três ambientalistas, um fotógrafo e uma jornalista. É deste jeito que entramos pelas ruelas de Fort MacKay, a pacata comunidade onde vivem, segundo a placa de madeira na entrada, exatas 273 pessoas. Há alguns trailers estacionados e playgrounds de plástico nos jardins. Celina Harpe, de 70 anos, a líder da etnia cree, acena da porta de uma casa verde, na beira do rio.

Espantalhos no lago: ideia é evitar dramas como o dos 500 patos que pousaram nas lagoas da Syncrude em 2008; só dois sobreviveram ao óleo e às toxinas
Há um mês, na véspera do encontro entre o primeiro-ministro canadense, Stephen Harper, e o presidente dos EUA, Barack Obama, 25 ativistas do Greenpeace entraram na mina Albian, da Shell, pararam por várias horas a produção e penduraram faixas gigantes: “Tar Sands: Climate Crime”. É um crime climático, além de causar dano a recursos naturais e à saúde das pessoas, dizem ambientalistas.

Mas a trajetória da vizinha cidade de Fort McMurray, mostra o outro lado da história. Seria só mais um local caipira do norte canadense não fosse a extração do tal do “betume”. É evidente que se trata de um centro superaquecido. A população, de 66 mil habitantes, dobrou em dez anos, e o preço das casas triplicou. Motoristas solitários dirigem aqueles jipões enormes. No pequeno aeroporto, cartazes fazem propaganda de empresas de petróleo. Tem muito trabalho naquele pedaço do mundo.

Por ali, enterrado sob a bela floresta boreal, há um enorme campo de areias petrolíferas. É uma mistura de areia, argila, água e um petróleo bruto muito pesado conhecido por betume. O problema começa em como tirar o betume do solo e como separá-lo do resto – sem mencionar que se trata de um combustível fóssil dos mais sujos.

Existem dois métodos de extração, dependendo da profundidade da jazida. Cerca de 20% dos campos estão próximos da superfície, e o betume é extraído em mineração aberta. É preciso arrancar a floresta, remexer a terra, retirar água do rio e formar imensas lagoas. No outro caso, o betume é retirado com o bombeamento de muito vapor. A extração é cara, exige alto consumo de água e de energia e o resultado final não é um petróleo de grande qualidade. Mas a questão não é essa: as jazidas de betume de Alberta são imensas.

A primeira petroleira a chegar, nos anos 60, foi a canadense Sincor. Uma década depois veio outra canadense, a Syncrude. Por muitos anos a operação ficou nisso, restrita a essas duas. Era muito caro separar o óleo da areia. Mas o preço do petróleo subiu, a tecnologia avançou e a extração do betume explodiu em Alberta. Em abril de 2008 havia 91 projetos ativos na região. A produção diária atual é de 1,3 milhão de barris e deve saltar para 3,3 milhões em 2025.

Os números da indústria são gigantescos. Em 25 anos, segundo estimativa do Instituto de Pesquisa Energética do Canadá, as areias betuminosas podem agregar US$ 1,8 trilhão ao PIB do Canadá e criar 456 mil empregos. Esse petróleo do solo já torna o país o segundo maior produtor do mundo, perdendo apenas para a Arábia Saudita. Desde 2001, o país é o maior fornecedor de petróleo aos EUA, desbancando os sauditas. No site da Syncrude há dados impressionantes: os três depósitos de petróleo de Alberta (Athabasca, Cold Lake e Peace River) poderiam suprir a necessidade energética do Canadá por 475 anos ou toda a demanda mundial por 15. O potencial pode ser cinco vezes maior que as reservas sauditas. “As areias de petróleo são uma das pedras fundamentais da economia de Alberta e do Canadá”, diz Don Thompson, presidente da Oil Sands Developers Group, entidade que reúne as petroleiras.

Acontece que o outro lado desta moeda é muito sinistro. O Canadá está na contramão de todos os esforços internacionais de reduzir os gases de efeito-estufa e combater o aquecimento global. O país assinou o Protocolo de Kyoto, mas não só não cumpriu o corte que havia prometido fazer como aumentou as suas emissões. Segundo o relatório “energy [r]evolution”, do Greenpeace-Canadá, as emissões de gases-estufa do país eram 592 milhões de toneladas em 1990 e viraram 721 milhões em 2006 – um aumento de 21,7% sobre os níveis de 1990 e de 29,1% sobre as metas do país em Kyoto. “O Canadá é um fora-da-lei internacional” diz o jornalista canadense Andrew Nikiforuk, autor do livro ” Tar Sands”. Segundo ele, cada barril de betume produz três vezes mais gases-estufa que um barril de petróleo convencional. “As ‘tar sands’ explicam porque o governo do Canadá gastou mais de US$ 6 bilhões em programas de mudança climática nos últimos 15 anos e não conseguiu cumprir nenhuma meta”, diz ele.

Nas contas da ONG Global Forest Watch Canada, os moradores da província de Alberta emitiam 71 toneladas de CO2 equivalente (uma medida padrão para os gases-estufa) per capita em 2005, ou quatro vezes a emissão do resto dos canadenses. As emissões per capita ali só perdem para as dos moradores do Qatar. A região tem 10% da população do país e responde por 32% de suas emissões.

A indústria do petróleo corre para desenvolver a tecnologia que sequestrará carbono, a chamada CCS, o que aliviaria a emissão. Alberta está investindo US$ 2 bilhões nisso. “Mas os projetos CCS não ficarão prontos em 2020, e a mudança climática está acontecendo agora”, diz, cética, Emily Rochon, “campaigner” de clima e energia do Greenpeace International.

Há outras prováveis consequências da extração das areias betuminosas que arrepiam ambientalistas. Peter Lee, diretor da Global Forest, diz que as reservas de gás natural do Canadá só dão para a extração de 29% do betume. “Serão necessárias 14 usinas nucleares para substituir o gás”, estima. “O Canadá será o único país do mundo a usar energia nuclear para produzir combustíveis fósseis” ironiza Melina Laboucan-Massimo, a “Tar Sands campaigner” do Greenpeace. “Esta atividade não é sustentável para o ar, a água, a saúde, o clima, o direito dos povos indígenas” prossegue. Segundo ela, as indústrias lançam no rio Athabasca 11 milhões de litros de efluentes com mercúrio, amônia, cobre e outros metais pesados. Há risco de contaminação dos aquíferos. Para produzir um barril de petróleo, usam três a quatro vezes a mesma quantidade de água. “Afinal, que tipo de legado estamos deixando às futuras gerações?” questiona.

Os depósitos de betume se espalham por 140 mil km2, uma área do tamanho da Flórida. Segundo o Greenpeace, o projeto inteiro mexerá numa área de floresta boreal das dimensões da Inglaterra. Só se tem ideia da proporção do estrago sobrevoando a área. O hidroavião decola, e os primeiros minutos são de surpresa frente ao belo panorama da floresta. Ali ainda vivem ursos e alces. O grande Athabasca faz suas curvas, pinheiros altos em cada margem. A floresta abraça Fort McMurray. E, de repente, some.

Basta o avião superar os limites de Fort McMurray para que as árvores desapareçam de uma só vez. É uma imagem horripilante. O que se vê é um cenário de “Mad Max”, só que não é ficção. O mundo parece ter perdido a cor, só há tons de cinza e negro, enormes lagos escuros de águas paradas, canteiros de obras e um frenesi de caminhões.
Don Thompson, da associação das indústrias, diz que já foi reconstituída uma “área grande”, mas que “as árvores da floresta levam 80 anos para crescer, e as que plantamos ainda parecem grama. É preciso lembrar que esta indústria só tem 40 anos de idade”. Pode até ser, mas o que se vê hoje é desolador. A ativista canadense Maude Barlow, famosa no mundo todo pela luta pela água, chama as minas de Alberta de “Mordor”. Para quem não leu o livro e não viu o filme, Mordor é o centro sombrio do Mal no mundo imaginário de Tolkien em “O Senhor dos Anéis”.

“Tínhamos água limpa e peixes, era uma vida boa”, diz Celina Harpe, a líder cree, que vive com o marido, Edward, numa casa simples em Fort McKay. “Isto foi há 30 anos. Agora o veneno das lagoas está indo para o rio.” Ela é interrompida pelo telefonema de um vizinho, que quer saber porque a polícia está estacionada ali em frente. Celina não se intimida. De um armário junto à TV, tira fotos do tempo em que Edward curtia pele de castores no abrigo de madeira que ele mesmo construiu. Lembra do dia em que as crianças da escola se sentiram mal e tiveram que ser socorridas por ambulâncias. “Foi amônia que vazou, mas nunca nos explicaram nada nem pediram desculpa.” O cheiro de ovo podre, emissão da indústria, não dá trégua.

No aeroporto de Fort McMurray, uma loja vende um suvenir curioso: um suporte de madeira com cilindros de acrílico de conteúdo duvidoso, variando do amarelo ao negro. Vem com legenda: areia, enxofre, petróleo cru, betume. Muita gente em Alberta têm orgulho da indústria do petróleo, do trabalho e riqueza ela que gera. “A gente não quer que as pessoas fiquem desempregadas. Mas temos que batalhar por empregos verdes e pensar em como será a vida dos nossos filhos”, diz a bióloga Luana Adário, 23 anos, voluntária do Greenpeace em Manaus e que participou de uma ação da ONG nas instalações da Shell, em Alberta. Roland Woodward, líder cree em Anzac, vive à beira do lago Gregoire. Ali, o ar não cheira mal, mas ele desconfia da água. “Quando era criança as pessoas morriam de velhice, de acidente ou ‘matadas’. Agora só se morre de câncer. Até jovens morrem de câncer. É estranho.”

(Fonte: Valor Econômico/ Daniela Chiaretti, de Wood Buffalo, Canadá)

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Sobre a água

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Fiz um comentário a partir do texto da nossa ilustríssima senadora, Marina Silva. Muito poderia ser escrito sobre esse descaso monumental, o lixo, a poluição ininterrupta e exponencialmente crescente em cima dos ecossistemas e seus recursos hídricos e a forma como isso já produziu a maior extinção em massa das espécies animais e vegetais da Terra dos últimos 65 milhões de anos. Sem uma mudança radical do modelo econômico, de seus valores, das suas métricas, sem mostrar como a economia que rege o mundo à nossa volta não passa de uma teoria falsa, em desacordo com a realidade e com as ciências mais puras, não iremos evitar que essa extinção não se voltará contra os causadores, ou seja, nós. Por isso, o cientista Martin Rees e outros já declaram que as chances da humanidade terminar o século XXI são muito baixas, infelizmente.

Vamos à água que veio dos cometas. Basta lembrar que faz parte de um ciclo vivo, não pode ser estocada, porque sem as plantas e os bichos, a água desapareceria, é um fluxo constante. A água só existe porque existe a biodiversidade e seus ecossistemas e seus serviços. Na Amazônia, 50% da água existente vem da evaporação dos oceanos e a outra metade vem da transpiração das árvores. A água lá só existe porque existe a floresta e a floresta só existe porque existe a água. Elas são inseparáveis. E dessa água vem os rios aéreos que trazem água para o resto do Brasil, 90% da água da região sudeste é formada na Amazônia, de acordo com o Smithsonian Tropical Institute. Não é só a água que chega aqui, que é dependente da Amazônia, porque o pólen das árvores que vem em grande quantidade junto com ela é que permite ela se aglutinar e formar as chuvas, do contrário a água passaria reto sem cair sobre nossas cidades. Sem a Amazônia todos estaremos mortos, parafraseando a famosa frase do economista também cego em relação ao meio ambiente, John Maynard Keynes: não se preocupem com outras questões (sociais ou ambientais nem com as gerações futuras) porque “no longo prazo todos estaremos mortos”. É assim que todos os economistas pensam, apesar de todas as evidências em contrário.

Por isso em todos os modelos econômicos da atualidade, não há uma só variável que contabilize a contribuição inigualável e irreproduzível da água. Na macroeconomia aplicada que é seguida por todos os governos, desde Fernando Henrique Cardoso, Lula, Serra e Dilma, não há nenhum tratamento digno da contribuição da natureza para tudo que existe à nossa volta inclusive nossas vidas. Na macroeconomia moderna a conclusão que vigora até hoje é que os recursos da natureza são completamente irrelevantes para explicar os processos econômicos e podem ser perfeitamente substituídos pelo capital produzido pelo homem (máquinas, equipamentos, construções, etc.). É um erro teórico tão monumental que pode ser ilustrado da seguinte forma: na cozinha dos economistas, eles podem preparar uma refeição apenas com panelas, colheres e fogão, sem precisar em nenhum momento da farinha, do leite e dos ovos.

A crença absurda na inesgotabilidade da água e a abundância da água do Brasil na bacia amazônica não tem fundamento científico algum. A água que existe nesse planeta em grande parte chegou aqui através do bombardeamento contínuo de cometas compostos de água congelada. Isso nos primórdios da criação do nosso planeta e sistema solar há bilhões de anos e a paz cósmica só chegou a partir do surgimento de Jupíter, que por ser um planeta infinitamente maior que o Brasil, virou a esponja do nosso sistema solar, absorvendo todos os cometas e asteróides através da sua enorme gravidade. Para a quantidade de água aumentar na Terra é necessário um cometa bater contra a Terra e como isso seria o equivalente a várias bombas nucleares explodindo, é um evento extremamente indesejável. Sem Jupíter presente no sistema solar da Terra, não estaria agora escrevendo esse texto e essa é apenas mais uma das incríveis peculiaridades universais que permitiu a existência da vida na Terra. Nós estamos destruindo a mais básica de todas que é a nossa relação com o meio ambiente e a nossa incrível dependência, onde todos os seres vivos dependem de todos os seres vivos, fato que no excesso de individualismo atual segue amplamente ignorado. Para restabelecer essa relação do homem com o meio ambiente é fundamental que onde for possível essa relação seja restaurada.

Dia da vida

Marina Silva

SEM ÁGUA não existe vida, saúde ou desenvolvimento sustentável. Se a água for mal tratada e mal gerida, pode ser morte, doença e desigualdade social. E, a cada ano que passa, torna-se maior o complexo desafio para o homem tratar da questão da água em um cenário de industrialização, de urbanização e de mudanças climáticas.

Todos os cenários vislumbrados para o Brasil, no âmbito das mudanças climáticas, apontam para alteração do padrão de chuvas no ano. Avaliando-se o que já acontece hoje em todas as regiões do país, é de se esperar que aumentem os efeitos desastrosos desses fenômenos naturais.

Historicamente, temos tratado a água como um recurso inesgotável.

Embora vivamos em um planeta cuja superfície é ocupada por cerca de dois terços de água, esquecemos que apenas 0,09% dessa água pode ser aproveitada para consumo do homem. E há uma parte significativa que já foi poluída ou degradada pela ação humana.

O Brasil é favorecido com o maior volume de água doce do planeta. Entretanto, difundiu-se aqui, desde Pero Vaz de Caminha, a falsa ideia de abundância. É enganosa a ideia, uma vez que a distribuição é desigual e a maior parte da água está concentrada na bacia amazônica.

Como destino natural das águas de chuvas em um território, os rios, os lagos e os mares trazem em suas entranhas as marcas e os reflexos das atividades humanas. Os rios traduzem, assim, as virtudes e as mazelas de nossa relação com o meio ambiente. Viram o melhor indicador do gerenciamento e da consciência ambiental de uma sociedade. Sob essa perspectiva, há pouco a festejar e muita preocupação com o Dia Mundial da Água, celebrado hoje. Para se ter uma ideia, a maior parte do esgoto gerado nas cidades é despejado sem tratamento nos cursos d’água.

Nas últimas décadas, o Brasil avançou na criação de um aparato legal e institucional que permite gerenciar, de forma adequada, as águas do país. É um sistema que exige a participação cidadã e a consideração das diferentes situações regionais.

Com esse sistema implantado, certamente o Brasil estaria mais bem preparado para enfrentar os desafios que se avizinham. No entanto, o batalha é ainda imensa, já que a questão da água ainda não ocupa a prioridade que deveria ter para os gestores públicos.

Fizemos o Plano Nacional de Recursos Hídricos com intensa participação da sociedade. Agora precisamos enfrentar o grande desafio de implementá-lo. Saneamento básico é a prioridade, investimento obrigatório para quem deseja uma sociedade que sabe cuidar das suas águas em benefício de seus cidadãos.

Publicado na Folha de São Paulo em 22/03/2010.

http://www.minhamarina.org.br/blog/artigos/page/2/

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Sem a Amazônia estaremos todos mortos..

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O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgou nesta quinta-feira (24) o levantamento da área desmatada na Amazônia no mês de agosto de 2009. Cerca de 500 km² da floresta amazônica foram destruídos no período, o equivalente a metade do território do Estado do Rio de Janeiro.

http://www.apolo11.com/imagens/etc/queimadas_set_2009.jpg

Os Estados do Pará e de Mato Grosso lideram o ranking de desmatamento somando 400 km² de área devastada. Em seguida aparecem Rondônia e o Amazonas com mais de 70 km² devastados. O restante ficou distribuído entre os Estados do Acre, Maranhão, Amapá, Roraima e Tocantins.

As condições do tempo ajudaram na observação dos satélites e apenas 17% da região ficou coberta por nuvens.

O Inpe destaca que em relação ao mês anterior houve uma queda de 40% na área devastada.
Comparada a agosto de 2008, a queda no desmatamento foi de 34%.

Segundo o Instituto, comparações entre meses seguidos não são totalmente precisas, pois a cobertura de nuvens em parte da região pode dificultar o real monitoramento feito pelas imagens de satélites.

O Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) identifica focos de devastação com área superior a 25 hectares. São considerados as áreas de mata totalmente destruídas e locais de degradação parcial da floresta.

Gráfico: Mapa divulgado pelo Inpe mostra pontos de desmatamento no mês de agosto. As áreas em rosa indica a região encobertaelas nuvens. Crédito: Inpe.

Direitos Reservados


Fonte: Apolo11 - http://www.apolo11.com/meio_ambiente.php?posic=dat_20090925-170255.inc

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Fumaça e poluição provocam chuva ácida em Manaus (AM)

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Fumaça e poluição provocam chuva ácida em Manaus (AM)

Há meses a qualidade do ar em Manaus, capital do Amazonas, vem sendo prejudicada por conta da fumaça gerada com frequência pelos focos de queimadas ao redor da região. Com as chuvas abaixo da média nesta época do ano, a névoa formada pela fumaça e a poluição não se dissipa.

http://www.apolo11.com/imagens/etc/chuva_acida_amazonas_nov_2009.jpgAs partículas da fumaça das queimadas associadas a gases como o dióxido de carbono emitido pelos veículos, resultaram na ocorrência de uma chuva ácida na última quinta-feira (26). De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o fenômeno costuma se agravar sobre a capital e outras cidades do Estado no período da estiagem prolongada.

Os poluentes gerados pelos veículos, mas principalmente pelas queimadas, evaporam junto com a água em direção a atmosfera. Ao se juntarem, congelam nas baixas temperaturas e se precipitam em forma de chuva ácida.

“A chuva ácida ocorre todos os dias em determinadas regiões do País. Em São Paulo, por exemplo, quase todos os dias há o registro de chuva ácida, mas o nome é pouco usado para não causar impacto maior na população. Manaus passa pelo mesmo processo”, explica a gerente do Inmet, Lúcia Gularte.

As implicações são diretas para o meio ambiente e para a saúde humana. O fenômeno tem impacto desfavorável sobre as florestas, elevando a acidez no solo e na água dos rios e lagos, destruindo plantações e podendo causar a morte de insetos, peixes e animais.

Além disso, a precipitação ácida tem poder corrosivo sobre edifícios e estruturas expostas ao ar livre. Existem ainda estudos epidemiológicos que sugerem uma ligação entre a acidez atmosférica e a saúde da população.

O que fazer para evitar a chuva ácida? A resposta parece simples: diminuir a quantidade dos poluidores na atmosfera. A redução dos focos de queimadas já pode ser um bom começo.

Direitos Reservados


Fonte: Apolo11 - http://www.apolo11.com/meio_ambiente.php?posic=dat_20091130-074814.inc

terça-feira, 6 de abril de 2010

Fim do Mar do Aral: um entre bilhões de desastres ambientais diários

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Estamos trocando bilhões do meio ambiente por bilhões de dólares

Ninguém ficará rico assim – e sim muito pobre.

Já estamos muito pobres.

A desertificação do mar de Aral, situado na Ásia Central entre o Cazaquistão e o Uzbequistão, é um dos desastres ambientais mais chocantes do mundo. Foi assim que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, classificou o problema depois de sobrevoar a região.

Mar de Aral

Ban Ki-moon fez uma parada em Muynak, no Uzbequistão, cidade que beirava o mar. Hoje, no lugar da água existe um imenso deserto arenoso e o que se vê são camelos andando entre diversos navios encalhados.

O mar de Aral que já foi um dos quatro maiores da Terra e encolheu surpreendentemente 90% em nove décadas. Em 1920, os rios que o alimentavam foram desviados durante um projeto soviético de irrigação de plantações de arroz, cereais e algodão.

Inicialmente o plano deu certo e em pouco tempo o Uzbequistão tornou-se o terceiro maior exportador de algodão do mundo. Com o passar dos anos, canais mal construídos geraram grande perda da água por vazamento e evaporação. Entre 1961 e 1970, o nível do mar baixou 20 cm por ano em média. Ao mesmo tempo, a concentração de sal da água ficou cinco vezes mais alto acabando com a economia pesqueira da região.

O solo coberto por camadas de areia extremamente salgada não serve mais para nada e causa problemas de saúde a população. A pouca água que restou está poluída. A transformação da paisagem também mudou o clima no local. As temperaturas têm sido mais baixas no inverno e mais altas durante o verão.

Imagens de satélite do mar de Aral

Clique para ampliar

"É claramente um dos piores desastres ambientais do mundo. Eu fiquei chocado”, declarou Ban Ki-moon após visita à região nos primeiros dias de abril. "Peço que todos os líderes sentem-se e tentem encontrar soluções", acrescentou o secretário geral da ONU que ainda prometeu ajuda das Nações Unidas.

A paisagem atual é de apenas lagos dispersos. Segundo Ban Ki-moon, a briga de países vizinhos por recursos hídricos não pode atrapalhar o empenho em tentar fazer algo para minimizar o quadro.


Desertificação
Até 1960, o Mar Aral tinha 68 mil km quadrados de área, com volume estimado em 1.100 km cúbicos de água. Em 1998 sua superfície estava reduzida a 29 mil km quadrados e o volume despencou para 220 km cúbicos. Neste período a salinidade da água subiu proporcionalmente de 10 para 45 gramas de sal por litro de água.

O drama do Aral pode ser melhor compreendido observando as imagens acima, registradas pelo satélite europeu Envisat entre os anos de 2006 e 2009. As cenas mostram uma dramática retração de 80% do lóbulo oriental do lago, que na imagem de 2006 já tinha apenas tinha 11 mil km quadrados. Em 2007 a área era de apenas 10% da original e a salinidade atingiu 100 gramas por litro de água.

O constante esvaziamento do lago deu lugar a um deserto branco e salgado de 40 mil km quadrados, chamado Aral Karakum. Todos os anos as tempestades de areia varrem do leito seco aproximadamente 150 mil toneladas de sal e areia, que são transportadas por centenas de quilômetros causando graves problemas de saúde na população local e tornando os invernos regionais mais frios e os verões mais quentes.

Leia mais sobre o mar de Aral


Fotos: No topo, cena típica do Mar de Aral, dominado atualmente por embarcações encalhadas e camelos que lembram paisagens do Saara. Acima, imagens registradas pelo satélite Envisat mostram claramente o processo de desertificação do Mar de Aral, que até 1960 era considerado o quarto maior lago do mundo. A foto do lado direito mostra o deserto de Aral Karakun, formado a partir do ressecamento do leito. Créditos: ESA/Envisat/Wikimedia Commons.

Direitos Reservados
Fonte: Apolo11 - http://www.apolo11.com/meio_ambiente.php?posic=dat_20100406-080407.inc