sábado, 27 de fevereiro de 2010

Peta alerta SeaWorld após morte de treinadora em ataque de orca

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Amigos,

Não sei de quem mais eu tenho pena, se das pessoas que ficam atrás desses shows bizarros ou se do animal, que a ele é imposto uma condição contrária à sua natureza.

E se somos capazes de impor condições contrárias à natureza de um bicho, como fazemos ilimitadamente no planeta da crueldade total, é porque talvez nós estejamos sofrendo o mesmo mau trato, ao viver em cidades horrendas dentro do desenvolvimento estúpido dos economistas que não são formuladas para nosso bem estar e sim apenas para fluxo de bens e automóveis e apenas melhor ajeitada para os mais endinheirados.

Se recusem a assistir tais shows. Está na hora de respeitarmos a natureza o quanto antes.

Na foto abaixo, a Tilikum tem a sua barbatana superior curvada, sinal de sofrimento, segundo os biólogos. O PETA avisa algo que deveria ser óbvio: animais que tem os oceanos para percorrer longos trajetos, ficam presos em áreas para eles pequeníssimas e aterrorizantes.

É esse desrespeito que nos traz um custo. E esse custo é muito alto, ao que tudo indica.
Hugo


25/02/2010 - 09h02

Peta alerta SeaWorld após morte de treinadora em ataque de orca

da Folha Online

O grupo de proteção aos animais Peta (sigla em inglês para Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais) disse nesta quarta-feira que a morte da treinadora Dawn Brancheau, 40, pela orca Tillikum, no parque americano SeaWorld foi "uma tragédia que não precisava acontecer".

SeaWorld cancela shows com orcas após ataque
Orca já havia afogado outro treinador, diz jornal

"Por anos, Peta pede ao SeaWorld que pare de confinar mamíferos oceânicos em uma área que para eles é como o tamanho de uma banheira", disse o grupo, em comunicado.

"Não é surpreendente quando estes enormes e inteligentes animais atacam", completa o texto.

Mathieu Belanger-03set.09/Reuters


A orca Tillikum faz performance no parque SeaWorld, em Orlando; animal matou treinadora

A orca Tillikum faz performance no parque SeaWorld, em Orlando; animal matou treinadora Dawn Brancheau, 40

O ataque aconteceu na tarde desta quarta-feira, pouco após as três sessões de uma atração chamada 'Dine with Shamu' (Jantando com a Shamu) que consiste em realizar truques perto de um local no qual o público pode comer.

Segundo o jornal "Orlando Sentinel", um diretor do SeaWorld, Chuck Tompkins, já confirmou a versão de algumas testemunhas de que Brancheau foi mordida por Tilikum, a maior orca do parque, e arrastada para dentro do tanque. "Estamos em fase de investigar todas as pessoas e os animais", disse Tompkins.

Um turista brasileiro identificado como João Lúcio de Costa Sobrinho, 28, contou ao mesmo jornal que tirava fotos do interior do tanque ao lado da namorada, Talita Oliveira, 20, quando percebeu que uma das orcas levava uma pessoa na boca. "Foi terrível. Foi difícil ver a cena", disse o brasileiro. Conforme o casal, no momento do ataque, Brancheau estava sangrando na área do rosto, e a orca a girava enquanto nadava.

Os brasileiros e outras testemunhas, ainda conforme o "Orlando Sentinel", disseram que os animais não se comportaram normalmente no show que havia sido realizado algumas horas antes. Brad Sultan, da cidade de Tampa, também na Flórida, disse que uma das orcas não completou uma formação em triângulo com os treinadores e que, depois, uma delas não completou uma volta no tanque conforme o previsto.

Outras testemunhas ouvidas pelo jornal que estavam em um restaurante perto dos tanques das orcas afirmaram que a treinadora foi arrastada para a água por uma orca, enquanto a acariciava. Minutos depois, um alarme soou e seguranças isolaram a área.

Conforme o porta-voz da polícia Jim Solomons, a treinadora estava morta quando o resgate chegou.

Parque

Mais cedo, os responsáveis pelo parque disseram acreditar que a treinadora tivesse escorregado e caído dentro do tanque, sendo "fatalmente ferida" por uma das orcas.

Dan Brown, presidente da SeaWorld Orlando, afirmou aos meios de comunicação americanos que a vítima era "uma das mais experientes treinadoras de animais" e que ela "se afogou em um incidente com uma de nossas orcas". "Este é um momento extremamente difícil para os parques Seaworld", afirmou.

Em nota aos meios brasileiros, a SeaWorld Parks & Entertainment reafirma que o momento é "extremamente difícil" e diz que, em 46 anos de história, nunca teve "um incidente como este". Conforme a empresa, todos seus procedimentos "passarão por severas investigações".

O parque SeaWorld pertence ao grupo Blackstone, dono também de parte de outro parque da cidade, o Universal.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Sonho realizado.

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Andar de bicicleta pelas ruas de São Paulo é uma maneira inteligente de reverter a situação horrenda na qual estamos, presos nos caixões de cemitério que são os automóveis feios que inventaram para nós, principalmente as SUVs, que são carros horrorosos e perigosos, porque não foram feitos para estradas e ruas planas e sim para pistas desniveladas e seu índice de acidentes é cinco vezes maior que o de um carro convencional. Sem falar na poluição que causa câncer com a nossa gasolina e diesel, que são as piores do mundo em concentração de chumbo e enxofre, uma conquista que não condiz em nada com a visão ufanista do nosso país dos Jogos Olímpicos e da Copa. É hora de falar menos e fazer mais.

Na verdade, a sensação de liberdade é enorme. Não senti medo nenhum momento. Fui acompanhado pelo bice-anjo Leandro Valverdes, um ciclo-ativista, amigo do Daniel Pasqualini. Foi ele que me vendeu a bicicleta e como bice-anjo ele acompanha os principiantes como eu. Foi a realização de um sonho, eu me senti criança novamente, fiquei comovido, pude me re-integrar na cidade. Comovido porque a cidade deveria ser feita para as pessoas e não para os automóveis, máquinas da morte, que são erradamente vendidos sob a falsa ilusão de poder e proteção. Um carro a 40 km/h tem a resistência de uma caixa de papelão e todos nós conhecemos dezenas de pessoas amigas e familiares que morreram de forma dolorosíssima em acidentes de carros. Eu mesmo perdi dois primos nos seus 20 anos. Duas famílias inteiras aparentadas próximas a nós morreram em acidentes de automóveis. A lista é infinda.

Assim como os cigarros vem com avisos de perigo, automóveis deviam ter a mesma advertência. Aos poucos vou relatar a vocês, amigos do blog, essa minha experiência, mas só posso dizer que fiquei muito feliz e posso recomendar a todos que andar de bicicleta e andar a pé em São Paulo é uma maneira incrivelmente poderosa de humanizar essa cidade e nos humanizar.

Realizei um sonho.

Hugo

Consumo de carnes e peixes representa desperdício, diz relatório da ONU

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Se a questão ambiental não fosse uma externalidade fora do sistema de preços e se as gerações futuras contassem e se não fôssemos individualistas suicidas, o preço da carne seria 20 vezes seu valor atual, o da gasolina, 100 vezes, e por aí vai.

Fácil gerar progresso em cima de externalidades e do genocídio das gerações futuras. Fácil manter progressos inúteis e injustificáveis de países já em colapso como China e Estados Unidos exportando seu colapso para o resto do mundo de graça via comércio global.

O problema vai ser resolvido, mas não via mudança de comportamento e sim via desaparecimento de parte de nós, se tivermos sorte, pois há o risco de desaparecimento total da vida.

Vai ver é a evolução do Universo...

23/02/2010 - 12h18

Consumo de carnes e peixes representa desperdício, diz relatório da ONU

ANNE CHAON
da France Presse, em Paris

Atualizado às 12h44.

Acostumados ao título de "topo absoluto da cadeia alimentar", os seres humanos se dão ao luxo de comer de tudo, mas a um preço elevado: a pesca massiva está levando as espécies marinhas à extinção, e a piscicultura polui a água, o solo e a atmosfera. São importantes motivos para mudança de hábitos.

Alimentar a humanidade --nove bilhões de indivíduos até 2050, segundo as previsões da ONU-- exigirá uma adaptação de nosso comportamento, sobretudo nos países mais ricos, que precisarão ajudar os países em desenvolvimento.

Segundo um relatório da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), publicado nesta terça-feira (23), a produção mundial de carne deverá dobrar para atender à demanda mundial, chegando a 463 milhões de toneladas por ano.

A situação se agrava com a ocidentalização de hábitos e o enriquecimento: um chinês que consumia 13,7 kg de carne em 1980, por exemplo, hoje come em média 59,5 kg por ano. Nos países desenvolvidos, o consumo chega a 80 kg per capita.

"O problema é como impedir que isso aconteça. Quando a renda aumenta, o consumo de produtos lácteos e bovinos segue o mesmo caminho: não há exemplo em contrário no mundo", destacou o cientista Hervé Guyomard.

Ele é diretor científico em Agricultura do Instituto Nacional de Pesquisa Agrônima da França (INRA), responsável pelo relatório Agrimonde sobre "os sistemas agrícolas e alimentares mundiais no horizonte de 2050".

Desperdício com ração

Atualmente, a agricultura produz 4.600 quilocalorias por dia e por habitante, o suficiente para alimentar seis bilhões de indivíduos.

Deste total, no entanto, 1.500 são dedicadas à alimentação dos animais --que só restituem em média 500 calorias na mesa--, 800 se perdem no campo (pragas, insetos, armazenamento), e 800 são desperdiçadas nos países desenvolvidos de outras formas.

O desperdício é grande, pois mais de um terço (37%) da produção mundial de cereais serve para alimentar o gado --56% nos países ricos-- segundo o World Resources Institute.

O gado custa caro ao ambiente: 18% das emissões de gases causadores do efeito estufa, segundo a FAO (mais que os transportes) ou 51%, segundo o World Watch Institute (mais que a geração de energia).

A pecuária também custa 8% do consumo de água e 37% do metano, que colabora para o aquecimento global 21% mais que o CO2 emitido pelas atividades humanas.

Não rentável

E, mesmo que seja uma possível fonte de proteínas, a carne bovina não é "rentável" do ponto de vista alimentar: "são necessárias três calorias vegetais para produzir uma caloria de carne de ave, sete para uma caloria de porco e nove para uma caloria bovina", explicou Guyomard.

Substituir o consumo de carne de animais terrestres pela carne de peixe não seria ainda uma alternativa adequada.

"Os oceanos não podem ser considerados uma despensa inesgotável", estimou Philippe Cury, diretor de pesquisas do Instituto de Pesquisas para o Desenvolvimento (IRD).

O número de pescadores é duas a três vezes superior à capacidade de reconstituição das espécies.

No atual ritmo, a totalidade das espécies comerciais terá desaparecido em 2050.

Ativistas como do grupo paulista Veddas defendem como solução o veganismo, abstenção de todo tipo de produto derivado de animais.

Justificam que, além de haver o impacto ambiental gerado pela pecuária, "animais têm o direito à vida e à liberdade, livres da exploração humana".

Com Folha Online


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

O erro eternamente perseguido

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Não há uma só variável no modelo dos economistas que contabilize a contribuição irreproduzível e fundamental dos serviços da natureza. Para a pouca análise feita dentro do mainstream, o que há é apenas a conclusão que os recursos naturais tangíveis, como metais, petróleo, são completamente dispensáveis e irrelevantes para o processo econômico.

Tamanho erro não se justifica à luz do conhecimento científico das últimas décadas, bem como não se confirma mais pelos fatos evidenciados todos os dias.

A mania de crescimento se não for logo abandonada, irá transformar nosso planeta fértil e cheio de vida em uma rocha seca. Quando o problema do buraco da camada de ozônio surgiu, houve um lobby gigante da maior empresa produtora dos gases causadores (CFCs), que atrasou implementar a solução por mais de 10 anos. O que estava em jogo? Nada mais nada menos que a vida na Terra, sem essa frágil camada, o DNA é destruído.

Há claras evidências do fracasso do modelo de crescimento. Estados Unidos é um exemplo desse projeto que terminou em catástrofe. O crescimento é um motor de enriquecimento das classes mais favorecidas e os projetos de assistência social visam perpetuar uma situação de empobrecimento geral da população com duas finalidades nada éticas: 1) a primeira é a de justificar mais crescimento para abastecer quem menos precisa, afinal, só o crescimento irá tirar a população da pobreza, embora isso possa ser negada por qualquer análise menos fria e 2) a segunda é criar atividades reconhecidamente éticas que são portas abertas para as mais absurdas e anti-éticas manobras de corrupção envolvendo governos e empresas (no Brasil - e no mundo - isso é recorrente, dinheiro para assistir pessoas doentes ou com fome sendo roubados por políticos e empresários sem alma alguma para voltar ao Universo).

Como romper com tudo isso?

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Ciclistas em São Paulo

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Bici-anjos ajudam ciclistas inexperientes pelas ruas de SP

http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MRP1091087-5605,00.html

Ciclistas experientes são anjos da guarda dos novatos no trânsito.
Eles acompanham pessoas de casa ao trabalho até elas perderem medo.

Eles acompanham ciclistas novatos, dão dicas de roteiro e quais medidas de segurança devem ser adotadas. Os chamados bici-anjos são ciclistas mais experientes que fazem o papel de anjos da guarda dos novatos até que eles se sintam seguros em trafegar pela cidade de São Paulo. O trabalho dos "padrinhos" é como o de um instrutor de uma “bike-escola”. Os mais experientes vão do lado dos principiantes em trajetos como entre a casa e o trabalho. A diferença é que os bici-anjos fazem isso sem cobrar nada. O objetivo deles é estimular o uso da bicicleta.

“É uma forma de ajudar as pessoas e incentivá-las a usar um meio de transporte melhor”, diz o analista de sistemas Bruno Gola, de 21 anos, que já acompanhou três iniciantes pelas ruas da cidade, dois deles nem eram seus amigos. “A gente se conhece na bicicletada ou alguém pede ajuda na lista de e-mail”, conta ele, que há um ano usa só a bicicleta para se locomover pela cidade e até colocou o carro a venda. “Desde que comecei a usar a bicicleta melhorou meu humor, meu ânimo, meu corpo”, diz ele. A bicicletada reune ciclistas toda última sexta do mês. O ponto de encontro é a Praça do Ciclista, que fica no canteiro central da Avenida Paulista entre as ruas da Consolação e Bela Cintra.

Outro que também faz o papel de bici-anjo é o cicloativista Leandro Valverdes, que diz já ter acompanhando pelo menos dez pessoas que temiam circular sozinhas pelo trânsito paulistano. “A gente vai junto e dá dicas para deixar a pessoa segura”, diz. Ele afirma que o maior medo dos iniciantes é ser atingido por um carro ou ônibus.

De acordo com Valverdes, antes de colocar a bicicleta na rua é preciso traçar um roteiro para evitar avenidas de fluxo intenso, como as marginas e a Avenida 23 de Maio. “Nem sempre o caminho do carro ou do ônibus é o melhor para o ciclista”, adverte. “Outro erro crasso é andar na contramão, não se deve fazer isso”, acrescenta.

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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

PT: Qual a Grande Transformação?

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PT: Qual a Grande Transformação?

Leonardo Boff

Não sou membro do PT mas um cidadão que se interessa pelos destinos
do nosso pais, nos últimos sete anos moldados pelo governo Lula.

A campanha eleitoral se iniciará oficialmente dentro de pouco. Há o
grande risco de que predomine um espírito menor, diria quase infantil,
de uma campanha plebicistária entre os feitos do governo de FHC e
daquele de Lula. Seria a disputa tola entre o ontem e o anteontem ou
entre o atrasado e o velho, como preferem alguns ecologistas. Pois
ambos os contendores, na relação desenvolvimento e natureza, manejam o
mesmo paradigma, sob severa crítica mundial, por conter o veneno que
nos pode matar. Isso só serviria para distrair os eleitores dos
verdadeiros problemas que o Brasil e o mundo irão enfrentar.

Uma disputa eleitoral séria, à altura da fase planetária da humanidade
e da importância fundamental do Brasil dentro dela, não deveria estar
voltada para o passado a ser continuado mas, sim, para o futuro a ser
construido coletivamente. Quem apresenta o melhor projeto de Brasil
para o nosso povo e em sua relação para com a nascente sociedade
mundial? Que contribuição essencial podemos dar face aos cenários
dramáticos que se desenham no horizonte?

Permito-me apresentar três sugestões para animar a discussão interna
do PT. O lema do encontro nacional - A Grande Transformação - nos
remete Karl Polanyi com o clássico livro do mesmo título (1944) no
qual mostra como a sociedade virou uma sociedade de mercado,
transformando tudo em mercadoria. Não será essa a Grande Transformação
pensada pelo PT. Para que seja outra coisa, o partido deve assumir
seriamente este fato irrecusável: A Terra mudou porque já estamos
dentro do aquecimento global. A roda não pode mais ser parada, apenas
diminuir-lhe a velocidade. Se o termômetro da Terra subir para mais de
dois graus Celsius, nos próximos decênios, como previstos pelos
melhores centro de pesquisa, enfrentaremos no Brasil e no mundo a
tribulação da desolação. Muitos projetos já concluidos do PAC poderão
ser anulados. Não incluir em todos os planejamentos este dado é
mostrar falta de inteligência prática e irresponsabilidade histórica.
Do contrário teremos que aceitar a maldição de nossos filhos e filhas
e de nossos netos e netas.

Outro dado não menos perturbador é: a insustentabilidade do
sistema-Terra. A partir de 23 de setembro de 2008 ficamos sabendo que
o planeta Terra ultrapassou em 30% sua capacidade de repor os bens e
serviços necessários para a vida. Estamos consumindo hoje o que
precisaremos amanhã. Se quisermos universalizar o nivel de consumo das
classes médias mundiais, incluidos os oitenta milhões de brasileiros,
precisaríamos já agora de três Terras iguais a esta. Este modelo de
crescimento, como parece subjacente ao PAC, mostra a sua inviabilidade
a médio e a longo prazo. Não é que deixemos de produzir. Devemos
produzir mas dentro de um outro paradigma menos depredador do
sistema-Terra, com um acordo de respeito à suportabilidade de cada
ecossistema e com uma ampla inclusão social, imbuidos todos de uma
ética do cuidado, da responsabilidade universal e da busca do bem
viver para todos.

Por fim, o PT precisa conscientizar o fato de que o Brasil é,
seguramente, o pais-chave para o equilibrio do Planeta. Ele é a
potência das águas, o detentor das maiores florestas, as grandes
sequestradoras de dióxido de carbono e reguladoras dos climas, com
imensa biodiversidade e vastas terras agricultáveis, podendo ser a
mesa posta para as fomes do mundo inteiro, com capacidade incomparável
de gerar energias alternativas e com um povo altamente criativo, que
fez um ensaio civilizatório dos mais significativos, não imperialista,
e com uma visão encantada do mundo que lhe permite, no meio das
contradições. celebrar suas festas, torcer por seus times e dançar
seus carnavais, características essas decisivas para conferir um rosto
humano à mundialização em curso.

O futuro passa por nós. Não percebê-lo por ignorância ou distração é
não escutar os apelos da Mãe Terra e é defraudar seus filhos e filhas,
nossos irmãos e irmãs que apenas pedem singelamente viver com
decência.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Colapso ambiental

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Isso é uma prova que países com a China e Estados Unidos já entraram em colapso ambiental, mas conseguiram ultrapassar essa restrição sugando água, petróleo e serviços ecológicos das demais regiões do mundo através da falsa benesse imposta aos países exportadores do comércio global – onde não se contabiliza impactos sociais, humanos, culturais nem ambientais em nenhum momento. Como a natureza é regida por matéria e energia e só existe matéria e energia à nossa volta, a variável esquecida nas importações de bens de todos os países é a contribuição dada pela natureza. Outro esquecimento é não mensurar que o colapso dos países importadores está sendo exportado para os países exportadores e embora tenha possibilitado aos países como os do norte de Europa e outros mais desenvolvidos ou megalomaníamos como Estados Unidos e China escamotear seus próprios desastres ambientais, isso só é possível entre países, mas não planetariamente. Essa é a razão pela qual estamos em vias de um colapso global pela primeira vez na história da humaidade, cujos retrocessos (de produção, bem estar, de paz entre as nações, de saúde) estão já sendo observados.

É rizível alguns autores de economia ecológica menos atentos acreditarem que o que os países “limpos” fizeram isoladamente através de transferência de produção suja para outros lugares do mundo pudesse ser feito planetariamente. Fico pasmo quando autores dessa vertente se encaixam tranquilamente nos erros atrozes da economia tradicional, evidenciados há mais de 60 anos.

Today on a segment of the "Glen Beck Show" on FOX (Fox Cable News) was the following:

"Today, even though President Obama is against off shore drilling for our country, he signed an executive order to loan 2 Billion of our taxpayers dollars to a Brazilian Oil Exploration Company (which is the 8th largest company in the entire world) to drill for oil off the coast of Brazil! The oil that comes from this operation is for the sole purpose and use of China and NOT THE USA! Now here's the real clincher...the Chinese government is under contract to purchase all the oil that this oil field will produce, which is hundreds of millions of barrels of oil".

http://online.wsj.com/article/SB10001424052970203863204574346610120524166.html

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Filha do Brasil

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Folha de S.Paulo, Sexta 5 de fevereiro de 2010, página A2

FERNANDO DE BARROS E SILVA

Educação sentimental

SÃO PAULO - O programa do PV, exibido ontem à noite em rede nacional
de TV, marcou a estreia de Marina Silva como candidata à Presidência.
O grande público pôde vê-la pela primeira vez neste ano. Ao final de
10 minutos, fica-se com a sensação de que o PT teria com o que se
preocupar se as condições da disputa não fossem tão desiguais.

O que fez o PV? Um programa em grande parte dedicado à importância
estratégica da educação. Mas associou a defesa dessa bandeira à
biografia da sua candidata, de tal forma que as coisas se confundissem
num enredo comum. Marina aparece na tela como a melhor personagem da
sua mensagem.

A identificação e o contraponto com Lula não poderiam ser mais
cristalinos. Nascida no interior do Acre, negra, pobre, analfabeta até
os 16 anos, Marina também é uma legitima "filha do Brasil".

Mas, contra todas as adversidades, depois de ter sido humilhada pela
professora diante dos colegas no primeiro dia de aula, reuniu forças
para se alfabetizar: "A minha vontade de aprender era tamanha que em
15 dias eu já estava alfabetizada". Concluiu o supletivo, passou no
vestibular, cursou história e se especializou em psicopedagogia.

"Tudo o que aconteceu na minha vida foi graças à oportunidade que tive
de estudar, ainda que tardiamente", diz, orgulhosa. É como se
dissesse: Lula nos trouxe até aqui, para dar o próximo passo é preciso
estudar -apresentando-se, ela própria, como o espelho do futuro.

Merece atenção a referência elogiosa que Marina faz a Lula e a FHC, de
maneira equânime. Ao mesmo tempo em que se coloca como herdeira dos
dois, ela vocaliza a ideia de que representa uma ruptura. Sem se
definir, o programa oscila habilmente entre mensagens de continuidade
e mudança, evolução e revolução, passado e futuro.

Ouvimos de Marina expressões como "virada histórica", "grande
transformação", "nova consciência" e "utopia". Mas ninguém precisa ter
medo. A fala mansa está ali para nos sugerir que ela é só um Lula que
estudou até o fim, direitinho.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Índios Kayapó dizem não à Belo Monte em reunião na TI Capoto-Jarina

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Em reunião histórica encerrada na noite de ontem (2/11) na aldeia Piaraçu, na Terra Indígena Capoto-Jarina, no Pará, 284 indígenas de 15 diferentes etnias, disseram não à construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, e ameaçam ir à guerra caso as obras se iniciem.

http://www.socioambiental.org/noticias/nsa/detalhe?id=2988

Jame Lovelock e seu novo livro

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Pena que ele seja uma das poucas vozes a falar a verdade: que a busca de sustentabilidade está dentro do mesmo modelo que nos destruiu e que esse mundo verde não é só uma falácia, mas um grande mote para se ganhar mais dinheiro no réquiem da humanidade. Até os mecanismos de limitar e negociar gases do efeito-estufa estão dentro do arcabouço mental que nos faz pensar em fluxos, quando deveríamos pensar em estoques, que nos faz pensar em países, quando deveríamos pensar no único planeta que dispomos, que nos faz pensar como indivíduos, quando deveríamos pensar como uma família única e unida de seres vivos e interdependentes.

Tudo isso – energia limpa – não passa de um mito para manter o status quo e ao mesmo tempo não promover nenhuma mudança na nossa forma de pensar, principalmente no que diz respeito à nossa posição vulnerável em relação ao planeta e sua teia de vida.

Mas não concordo com a opinião dele sobre Energia Nuclear. O pior de Tchernobyl ainda não aconteceu.

Acho que ele com um pouco de Roegen conseguiria fechar seu pensamento na não necessidade de sintetizar alimentos para estruturas e pessoas que não param de crescer como pragas mortais e letais no nosso pequenino planeta finito e tudo isso para satisfazer a ganância de uns poucos.

07/01/2010 - 13h47

Biocombustíveis são embuste criado por interesses, diz autor em "Gaia: Alerta Final"

da Folha Online

Divulgação

O ambientalista James Lovelock foi o autor da célebre hipótese Gaia

Energia eólica, biocombustíveis e outras tecnologias "verdes" parecem ser alguns dos melhores investimentos para minimizar as alterações climáticas e ajudar a deter o aquecimento global, certo? Não para um dos ambientalistas mais respeitados do mundo, James Lovelock.

Conhecido internacionalmente por ser o autor da chamada hipótese Gaia --que, resumidamente, considera o planeta Terra como sendo um superorganismo--, Lovelock afirma em seu livro "Gaia: Alerta Final" que algumas destas tecnologias não passam de "um elaborado embuste criado pelo interesse de algumas nações cujas economias se enriquecem a curto prazo pela venda de turbinas eólicas, usinas de biocombustível e outros equipamentos energéticos supostamente verdes".

De acordo com ele, existem muitas coisas que podemos fazer para amenizar os problemas causados pelas mudanças no clima --no entanto, ele acredita ser muito pouco provável que realmente as levemos a cabo. "não perceberemos, enquanto desfrutamos de nossas vidas cotidianas, que o custo de nossa negligência poderá em breve causar a maior tragédia já vista na história da humanidade", escreve logo no começo do primeiro capítulo da obra, "A Jornada no Espaço e no Tempo".

Desde que ele elaborou a hipótese Gaia e a publicou em "Gaia: Um Novo Olhar Sobre a Vida na Terra", nos anos 70, foram poucos os indícios de que a humanidade conseguirá reverter um cenário que se torna cada vez mais assustador. Talvez seja por isso que, aos 90 anos, ele pretende ser um dos primeiros civis a viajar ao espaço pela companhia Virgin Galatic, para "ver a Terra do alto antes que ela desapareça".

Divulgação

O criador da hipótese Gaia adverte sobre falsas tecnologias "verdes"

O criador da hipótese Gaia adverte sobre falsas tecnologias "verdes"

Leia a seguir um trecho do capítulo citado de "Gaia: Alerta Final" :

*

Capítulo 1

A jornada no espaço e no tempo

[...] No Reino Unido, sobrou pouca terra para cultivo e para nos alimentar, mas nós e os refugiados poderemos, de qualquer forma, não ser capazes de o fazer, porque a maioria absoluta de nós é urbana, e praticamente ignora a vida além da cidade, não entendendo que todas as nossas vidas dependem dele. As visões tão íntegras e bem-intencionadas da União Europeia para "salvar o planeta" e promover o desenvolvimento sustentável com o uso apenas de energia "natural" poderiam ter funcionado em 1800, quando havia apenas um bilhão de seres humanos no mundo, mas agora não podemos nos dar a esse luxo. De fato, à sua própria maneira, a ideologia verde que agora parece inspirar o norte da Europa e os Estados Unidos poderá, afinal, ser tão prejudicial ao meio ambiente real quanto o foram as ideologias humanistas anteriores. Se o governo do Reino Unido persistir em forçar os esquemas dispendiosos e nada práticos da energia renovável, em breve descobriremos que quase tudo o que resta da nossa região rural será usado para a produção de biocombustível, geradores de biogás e parques eólicos de escala industrial - tudo isto no exato momento em que precisaremos de todo o campo existente para o cultivo de alimentos. Não se sinta culpado por optar por essa bobagem: um exame mais profundo revela que ela é um elaborado embuste criado pelo interesse de algumas nações cujas economias se enriquecem a curto prazo pela venda de turbinas eólicas, usinas de biocombustível e outros equipamentos energéticos supostamente verdes. Não acredite por um momento sequer na conversa de vendedor de que isso salvará o planeta. A conversa mole dos vendedores tem a ver com o mundo que eles conhecem, o mundo urbano. A Terra real não precisa ser salva. Pôde, ainda pode e sempre será capaz de se salvar, e agora está começando a fazê-lo, mudando para um estado bem menos favorável a nós e outros animais. O que as pessoas querem dizer com o apelo é "salvar o planeta como o conhecemos", e isso agora é impossível.

Acho improvável que um dano grave possa decorrer do uso em pequena escala de biocombustíveis produzidos a partir de resíduos agrícolas, óleo de cozinha reciclado ou uma modesta colheita de algas oceânicas. Entretanto, os cultivos de cana-de-açúcar, beterraba, milho, colza e outras plantas unicamente para a produção de combustível é quase certamente o ato mais danoso de todos. O problema com a espécie humana é que, como disse William James, "o homem nunca tem o bastante sem ter em demasia". Uma vez que o combustível seja utilizado para manter nossos carros e caminhões em movimento, tentaremos cultivá-lo globalmente,com consequências estarrecedoras. Para ter uma ideia da escala já envolvida, consideremos a legislação sobre energia promulgada em 2007 nos Estados Unidos, que prevê cerca de 170 bilhões de dólares para refinarias de biocombustível e infraestrutura. Brent Erikson, da Organização das Indústrias de Biotecnologia, disse que "estamos no ponto onde estávamos nos anos 1850, quando o querosene foi destilado pela primeira vez", e também que a nova lei exige a produção de 3,8 bilhões de litros de combustível etanol obtidos de grão de milho até 2022. Fica evidente pelas declarações de Erikson, pelo que está acontecendo agora no Brasil e pelas intenções dos europeus, que os biocombustíveis não são uma indústria artesanal inócua qualquer: são grandes empreendimentos, como de hábito. Quanto tempo levará até nos tornarmos dependentes de biocombustível para mover nossos carros e caminhões?

Os Estados Unidos entendem a ameaça do aquecimento global? Poucos duvidariam de que, no presente momento, os Estados Unidos sejam a nação mais destacada em termos de ciência e invenção - e não há maior prova disso que o computador que está sobre todas as nossas mesas e que, no mínimo, realiza o trabalho outrora feito por um datilógrafo. Os Estados Unidos tiveram um papel importante em sua evolução. Como se não bastasse, temos os pousos na Lua, a exploração de Marte e as frotas de satélites assombrosamente complexos, desde o telescópio Hubble até aqueles que lhe informam exatamente onde você se encontra em qualquer lugar do mundo. Tudo isso e muito mais é um tributo ao know-how americano e sua atitude dinâmica. Mesmo a teoria de Gaia foi descoberta no fértil ambiente do Laboratório de Propulsão a Jato da Califórnia, e o único biólogo que a entendeu e continuou a desenvolvê-la foi a destacada cientista americana Lynn Margulis. Obviamente, avanços em ciência e tecnologia emergiram na Europa na Idade Média e seu centro de excelência se moveu entre as nações. Em tecnologia e teoria computacionais, Babbage, Ada Lovelace e o mais trágico entre os homens, Alan Turing, fizeram, todos, o trabalho de base aqui, no Reino Unido. Turing foi aquele que, com seu grupo, construiu o primeiro aparelho computacional sério e o utilizou para decifrar o código inquebrável dos nossos inimigos de tempo de guerra. Mas isso foi naquela época. Agora, os Estados Unidos são o centro da ciência.

Faço este elogio solene aos Estados Unidos da América por estar perplexo: apesar de sua excelência científica, eles, entre todas as nações, foram os mais lentos em perceber a ameaça do aquecimento global. Duvido que essa ignorância inesperada tenha alguma ligação com o fato de o uso per capita americano de combustível fóssil, uma fonte de dano climático, ser maior que em qualquer outro lugar. Considero-a mais uma consequência de a maioria dos cientistas americanos, à sua maneira francamente bem-sucedida e reducionista, considerar a Terra algo que eles poderiam melhorar ou controlar; parece que eles a veem como nada mais que uma bola de rocha umedecida pelos oceanos e situada dentro de uma tênue esfera de ar. Até parece que consideram Marte um planeta a ser desenvolvido quando a Terra não for mais habitável. Não veem a Terra como um planeta vivo que regula a si próprio.

Eles não enxergam isso porque a Terra foi colonizada pela vida há pelo menos 3,5 bilhões de anos, sendo sua temperatura e a composição de sua superfície definidas pelas preferências de quaisquer que tenham sido os organismos que formavam a biosfera. Isso foi verdadeiro no frio das eras glaciais, é verdadeiro agora e será verdadeiro no calor da era escaldante que em breve virá. É claro que a física e a química do ar são importantes para compreender o clima, mas o gerente dos climas é e sempre foi Gaia, o sistema Terra do qual faz parte a biosfera. O erro desastroso da ciência do século XX foi partir do pressuposto de que tudo que precisamos saber sobre o clima pode se originar da criação de um modelo físico e químico do ar nos computadores cada vez mais potentes e, então, supor que a biosfera simplesmente reage passivamente à mudança, em vez de perceber que ela está ao volante. Por termos reconhecido a liderança dos Estados Unidos na ciência, a maior parte do mundo aceitou que sua concepção equivocada fosse verdadeira. Quase tarde demais, os cientistas mais importantes do mundo inteiro estão percebendo que observações e medições reais refutam a concepção do século XX, que vê a Terra como um recurso passivo. Pode ser boa o bastante para as previsões do tempo, mas não para prever o clima das décadas que estão por vir.

A qualidade dos cientistas profissionais individuais nos Estados Unidos é inigualável e são eles que estão observando com exatidão o ambiente global: os nomes de Ralph Keeling e Susan Solomon vêm imediatamente à minha mente, mas existem muitos outros no mesmo nível na Nasa, na Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA, National Oceanic and Atmospheric Administration) e nos departamentos científicos universitários. Os Estados Unidos também se redimem por meio das vigorosas mensagens de Al Gore, Jim Hansen e Steve Schneider. Suas palavras nos tornam todos cientes de quão sério é o aquecimento global, mas, com exceção de E. O. Wilson, Stephen Schneider, Robert Charlson e outros poucos geocientistas, a maioria absoluta se retrairá diante do difícil conceito de uma Terra viva. Nossas respostas e ações corretas para prevenir o pior- ou, mais provavelmente, escapar dele - ainda exigem que a ciência abrace esse conceito e abandone as ideias estéreis da corrente dominante das ciências da Terra e da vida. Uma mudança de visão está surgindo nos Estados Unidos e poderá restabelecer sua liderança nessa parte vital da ciência.

Talvez os cientistas devessem ser recrutados para servir, como foi feito na Segunda Guerra Mundial e com isso não quero dizer algo que lembre apenas o Projeto Manhattan. No Reino Unido, houve uma mudança tectônica nas atitudes de cientistas durante a Segunda Guerra Mundial. Bem me lembro de ser entrevistado para meu primeiro emprego como um recém-graduado em junho de 1941 no Instituto Nacional de Pesquisas Médicas (National Institute for Medical Research), na época em Hampstead. O entrevistador era o diretor do instituto, Sir Henry Dale; era também presidente da Royal Society e ganhador do Prêmio Nobel. Era um homem gentil e de inteligência fenomenal, com modos bem diretos. Algumas das primeiras palavras que ele me disse foram: "Deixe de lado todos os pensamentos de fazer ciência aqui - a ciência está suspensa enquanto durar a guerra; tudo que temos a oferecer são problemas ad hoc que precisam ser resolvidos hoje ou, melhor, ontem." Ele então acrescentou: "Depois da guerra, voltaremos à ciência real, e a espera terá valido a pena." Obviamente, Sir Henry estava errado. A guerra foi um campo fértil para a ciência real quando a lenta e corriqueira pesquisa dos tempos de paz foi colocada de lado. Achei a ciência em tempo de guerra apaixonante e estimulante, e quando a paz chegou fiquei consternado com o retorno da busca de engrandecimento pessoal e da perda do senso de deslumbramento que tanto desfigura a ciência moderna. Lembremos que a penicilina foi inicialmente desenvolvida durante a guerra e todo o conceito de antibióticos nasceu ali. Lembremos também, ao usarmos o micro-ondas, que o magnétron em seu centro foi inventado por Boot e Randal na década de 1940 para melhorar o radar em tempo de guerra. A pesquisa de radar levou diretamente à radioastronomia e uma nova compreensão do universo. Na Alemanha, as pressões para invenção em tempo de guerra levaram von Braun a desenvolver os foguetes que foram a base da ciência espacial, que agora nos permite aceitar com naturalidade os satélites que orbitam a Terra e considerar a exploração planetária por veículos robóticos um luxo ao nosso alcance.

Políticos do mundo desenvolvido reconhecem a mudança climática, mas suas políticas ainda estão no século XX, fundamentadas nos conselhos de lobistas dos ambientalistas e daqueles da comunidade empresarial, que enxergam um enorme lucro no curto prazo vindo de planos energéticos subsidiados. Eles raramente parecem agir sob as recomendações de seus consultores científicos. Em Bali, líderes políticos acordaram em cortar as emissões de carbono em 60% até 2050. De onde é que eles tiraram a ideia de que poderiam fazer uma política para um mundo com mais de quarenta anos de antecedência? É improvável que políticas baseadas em extrapolação injustificável e dogmas ambientais evitem a mudança climática, e não deveríamos sequer tentar implementá-las. Em vez disso, nossos líderes deveriam se concentrar imediatamente na sustentação de suas próprias nações como um habitat viável; poderiam ser inspirados a fazê-lo não apenas por causa de um interesse nacional egoísta, mas como capitães dos botes salva-vidas que suas nações poderiam vir a ser. No início de 2008, o governo do Reino Unido finalmente anunciou um programa para a construção de novas centrais energéticas nucleares. Certamente espero que essa não seja outra das falsas promessas que caracterizaram tantas das eloquentes declarações do governo Blair. Energia nuclear é, de longe, o meio mais efetivo de reduzir a emissão de dióxido de carbono, mas não é esse o motivo mais importante para que rivalizemos com a França e passemos a produzir eletricidade a partir de urânio. O importante é que as cidades exigem um fornecimento constante e econômico de eletricidade que até recentemente veio do carvão e do gás, mas esses recursos estão agora em declínio e não deixam nenhuma alternativa além da energia nuclear. As megacidades que estão começando a emergir demandarão enormes fluxos de eletricidade e somente uma vigorosa e rápida expansão da energia nuclear poderá satisfazê-los num futuro próximo. Essa necessidade se intensifica por termos pouca terra para cultivar alimentos - e a agricultura intensiva exige energia abundante. Com o esgotamento do petróleo, precisaremos sintetizar combustível para a maquinaria móvel de construção, transporte e agricultura. Não é algo difícil de fazer a partir do carvão ou da energia nuclear, mas precisamos começar a nos preparar para isso agora. Poderemos até ter de considerar a síntese direta de alimento a partir de dióxido de carbono, nitrogênio, água e cultura de células.

Haverá um dilúvio de desinformação antienergia nuclear por parte das empresas de energia cuja lucratividade será ameaçada e até de nações que verão seu poder e influência diminuídos. Não acredite em mentiras como aquela que diz que a construção de uma nova fonte de energia nuclear leva de dez a quinze anos. Os franceses precisam de menos de cinco anos para tal e não há nenhum motivo pelo qual deveríamos levar mais, se evitarmos o tempo excessivo gasto nas agências de planejamento, nas salas de tribunal e em audiências públicas. Espero que o movimento verde e seus advogados não mantenham a equivocada oposição à energia nuclear. Boa parte dessa oposição é irracional e fundamentada numa concatenação insustentável de erros e desinformações amplificada pela mídia. Seria bom se jornalistas e editores moderassem o desejo de contar uma história apavorante com a realidade de que, sem um amplo suprimento de energia nuclear, a vida em nossas ilhas poderá, em uma ou duas décadas, declinar a um estado de escassez. Por terem colocado a humanidade em primeiro lugar, e negligenciado Gaia, são muitos os verdes que plantaram as sementes de sua própria destruição e, se persistirem, também a nossa; para mitigar o erro, eles poderiam desistir da tática que tem como fim retardar a energia nuclear. Mais importante, eles estariam então ajudando a impulsionar o bote salva-vidas e não sabotando, como agora, o motor.

É absurdo pensar que nós, no Reino Unido, podemos alterar a resposta da Terra a nosso favor pelo uso de energia eólica ou voltaica solar. Um parque eólico de vinte turbinas de 1 megawatt exige mais de 10 mil toneladas de concreto. Seriam necessários duzentos desses parques eólicos cobrindo uma área do tamanho do Parque Nacional de Dartmoor, que tem cerca de 950 quilômetros quadrados, para se equiparar ao rendimento constante de energia de uma única central energética nuclear ou de carvão. Mais absurdo ainda: seria necessário construir uma central energética nuclear ou de carvão totalmente funcional para cada um desses monstruosos parques eólicos a fim de alimentar as turbinas durante 75% do tempo em que o vento fosse demasiado alto ou baixo. Como se isso não bastasse para condenar a energia eólica, a construção de um parque eólico de 1 gigawatt usaria uma quantidade de concreto de 2 milhões de toneladas, suficiente para construir uma cidade para 100 mil pessoas viverem em 30 mil lares; a fabricação e o emprego dessa quantidade de concreto lançariam cerca de 1 milhão de toneladas de dióxido de carbono no ar. Para sobrevivermos como nação civilizada, nossas cidades precisam de um abastecimento seguro, garantido e constante de eletricidade que somente o carvão, o gás ou a energia nuclear podem proporcionar. E somente com a energia nuclear poderemos ter a garantia de um suprimento constante de combustível. Já vimos quão vulneráveis são os suprimentos de gás com relação à duradoura integridade dos dutos, talvez de 1,6 mil quilômetros de comprimento, e à agressiva política dos autocratas. O carvão é caro no Reino Unido e as importações não são garantidas. Parques eólicos são absolutamente inadequados para o Reino Unido como fonte de energia e, como já sugeri, pouco podem fazer para impedir o aquecimento global, mesmo quando usados numa escala global; além disso, a experiência na Europa Ocidental mostra que são fontes dispendiosas e ineficazes de eletricidade. Você em breve descobrirá isso quando as contas e impostos sobre eletricidade aumentarem para pagar a energia renovável de que não precisamos. Seu dinheiro proverá os lucros fáceis a ser sacados do escoadouro dos subsídios. Essas contas nos são impostas para que políticos possam parecer verdes e bons, e algumas nações europeias enriqueçam. Não fazem nada pela Terra e só contribuirão para aumentar o estresse de nossa ilha-nação e, talvez, levá-la ao colapso final.

A resposta mais frequente dos meus amigos verdes à inflexível mensagem do meu último livro foi: "Você não pode dizer coisas assim. Não deixa espaço para nenhuma esperança." Parece ter sido uma boa crítica, que ajudou a esclarecer minha mente e me permitiu entender por que dizem que mensageiros têm vida curta. Percebi que tinha dito muito sobre a catástrofe iminente, mas quase nada sobre como poderíamos tentar garantir nossa presença duradoura na Terra, dando aos nossos descendentes uma chance no mundo quente que em breve poderá chegar. Somos a elite inteligente entre a vida animal na Terra e, quaisquer que sejam nossos erros, Gaia precisa de nós.

Essa declaração pode parecer estranha depois de tudo que eu disse sobre o modo como os seres humanos do século XX tornaram-se quase um organismo patológico planetário. Mas Gaia levou 3,5 bilhões de anos para desenvolver um animal capaz de pensar e comunicar os próprios pensamentos. Se formos extintos, ela terá poucas chances de desenvolver outro. Aprofundarei esse pensamento mais adiante.

Quando sou advertido de que meu pessimismo desestimula aqueles que melhorariam sua pegada de carbono ou fariam bons trabalhos como plantar árvores, lamento que eu considere que tais tentativas são, na melhor das hipóteses, bobagem romântica, ou, na pior, hipocrisia. Hoje existem agências que permitem que os passageiros aéreos plantem árvores para compensar o dióxido de carbono que seu avião adiciona ao ar sobrecarregado. Têm a mesma função das indulgências outrora vendidas pela Igreja Católica aos pecadores ricos para compensar o tempo que de outra forma passariam no purgatório. Trinta anos atrás, fui insensato e plantei 20 mil árvores, na esperança de restituir à natureza a propriedade rural que tinha comprado. Percebo agora que foi um erro: deveria ter deixado a terra intocada e permitido que emergisse um ecossistema, uma floresta natural, repleta de vida biodiversa e abundante, no próprio ritmo de Gaia. Em vez de uma mera plantação, uma floresta assim poderia evoluir, ou morrer se preciso, à medida que o clima mudasse. Plantar uma árvore não produz um ecossistema da mesma forma que colocar um fígado numa jarra com sangue e nutrientes não produz um homem.

Espero que o ótimo livro Os senhores do clima, de Tim Flannery, e meu último livro, A vingança de Gaia, tenham alcançado parte de seu propósito. Ambos pretenderam funcionar como alertas, como aquele grito ouvido no passado pelos donos de pub: "Últimos pedidos. Está na hora, cavalheiros!" - um aviso de que, em breve, as portas se fechariam e que poderíamos ser lançados às condições climáticas do lado de fora. Espero que um número suficiente de nós esteja agora ciente de que o mundo exuberante e confortável que conhecemos no passado foi embora para sempre. Mas temo que continuamos a sonhar e, em vez de despertar, inserimos o som do despertador dentro de nossos sonhos.

Talvez, por sermos tão adaptáveis, não estejamos cientes da velocidade com que o mundo está mudando. Se a temperatura média no Reino Unido em janeiro for 7°C, temos a sensação de frio a maior parte do tempo e nos agasalhamos nas manhãs geladas quando sopra um deprimente vento noroeste. Resmungamos: onde está o aquecimento global agora? No verão, a média é de 20°C em julho e desfrutamos uma semana com temperaturas máximas de 30°C, mas grunhimos se cair a 15°C por um mesmo período. Ainda assim, há apenas vinte anos, essas temperaturas de inverno e de verão teriam sido registradas como anormalmente quentes para essas épocas do ano. A precipitação pluvial nos condados orientais do Reino Unido sempre foi baixa, na faixa de 500 milímetros por ano, mas a zona rural sempre foi exuberante e verde, porque permanecia fresca durante o verão. Em comparação, o Arizona, que tem uma precipitação pluviométrica semelhante, é quase inteiramente cerrado e deserto simplesmente por ser bem mais quente e pelo fato de a chuva que cai secar inteiramente ou escorrer para dentro dos canais antes que as plantas possam aproveitá-la. Nosso condado mais ao sudeste, Kent, já está com escassez crescente de água, e o sul da Europa é agora quase um deserto. A adaptação, como animais individuais, não é tão difícil: quando uma tribo muda das regiões temperadas para as tropicais, leva apenas algumas gerações para que os indivíduos se tornem mais escuros à medida que a seleção elimina os de pele clara. Também é assim com todos nós: nosso mundo mudou para sempre, e teremos de nos adaptar a muito mais que a mudança climática. Mesmo durante meu tempo de vida, o mundo encolheu em relação àquele que era bastante vasto para fazer da exploração uma aventura e incluía muitos lugares distantes onde ninguém tinha jamais caminhado. Agora, tornou-se quase uma cidade interminável, encravada numa agricultura intensiva, mas domesticada e previsível. Em breve, poderá reverter novamente a uma selva. Para sobreviver nesse novo mundo, precisamos de uma filosofia Gaiana e precisamos nos preparar para combater um chefe militar bárbaro disposto a nos capturar e a se apoderar de nosso território.

Exceto por uma eventual inundação desastrosa, onda de calor excessiva ou temperatura congelante inteiramente inesperada, o clima no Reino Unido mudará lenta e imperceptivelmente no início. Pessoas em cidades como Londres esquecerão que, mesmo nos dias de bonança não muito distantes, o ar-condicionado quase nunca era necessário no verão, enquanto meu colega Gari Owen me lembra que Londres em 2006 usou mais energia para esfriar que para aquecer. Em curto prazo, não é provável que aconteça aqui algo muito exagerado com o clima, algo que instigasse uma rebelião. O que poderia fazê-lo são as consequências desastrosas da elevação do nível do mar, levando à destruição de uma grande cidade ou ao colapso do abastecimento de alimentos ou eletricidade. Esses perigos serão agravados pelo fluxo sempre crescente de refugiados climáticos, ao qual se somará o fluxo de repatriados que deixaram o Reino Unido por aquilo que imaginaram que seria uma vida agradável na Europa. Os perigos mais graves não provêm da mudança climática em si, mas indiretamente da fome, disputa por espaço e recursos e guerra tribal.

Em um pequeno grau, a difícil situação dos britânicos em 1940 lembra o estado do mundo civilizado agora. Naquela época, tínhamos quase uma década da crença bem-intencionada, mas inteiramente equivocada, de que a paz era tudo o que importava. Os seguidores dos lobistas da paz dos anos 1930 eram parecidos com os movimentos verdes agora; as intenções eram mais que boas, mas inteiramente impróprias para a guerra que estava prestes a começar. A falha fundamental dos lobistas verdes de agora se revela no próprio nome Greenpeace; por aglutinarem o humanismo dos movimentos pela paz com o ambientalismo, eles inconscientemente antropomorfizam Gaia. Está na hora de despertar e perceber que Gaia não é nenhuma mãe acolhedora que acalenta os seres humanos e que pode ser aplacada por gestos como comércio de carbono ou desenvolvimento sustentável. Gaia, mesmo que façamos parte dela, sempre dita os termos da paz. Em maio de 1940, despertamos para descobrir, encarando-nos do outro lado do canal da Mancha, uma força continental inteiramente hostil prestes a nos invadir. Estávamos sozinhos, sem nenhum aliado efetivo, mas tivemos a sorte de ter um novo líder, Winston Churchill, cujas palavras comoventes sacudiram a nação inteira de sua letargia: "Nada tenho a oferecer, senão sangue, trabalho duro, lágrimas e suor." Precisamos de um outro Churchill agora, que nos tire do pensamento insistente, acomodado e consensual de fins do século XX e una a nação num esforço resoluto de travar uma guerra difícil. Precisamos de um líder que instigue todos nós, mas especialmente atice aqueles jovens ativistas verdes que tão bravamente protestaram contra todas as formas de profanação dos campos. Onde estão os batalhões de "Terra acima de tudo" e para onde foram Swampy* e seus amigos?

O que mais me comoveu quando escrevia este livro é o pensamento de que nós, seres humanos, somos importantes em termos vitais como parte de Gaia, não através do que somos agora, mas pelo nosso potencial como espécie para sermos os progenitores de um animal muito melhor. Gostemos ou não, somos agora seu coração e mente; mas, para continuarmos a melhorar esse papel, teremos de garantir nossa sobrevivência como espécie civilizada e não retroceder a um aglomerado de tribos guerreiras, que foi um estágio de nossa história evolutiva. Fico emocionado com a ideia de que o sistema Terra, Gaia, tem mais de um quarto da idade do universo e que tudo isso para que evoluísse uma espécie capaz de pensar, comunicar e guardar pensamentos e experiências. Como parte de Gaia, nossa presença começa a tornar o planeta mais consciente. Deveríamos estar orgulhosos de poder fazer parte desse gigantesco passo, aquele que poderá ajudar Gaia a sobreviver enquanto o Sol continua seu lento mas inevitável aumento da produção de calor, fazendo do sistema solar um ambiente futuro cada vez mais hostil. Temos de fazer tudo que pudermos, e o Capítulo 5 trata das ideias que agora circulam entre cientistas e engenheiros que poderiam reverter a mudança climática. São, até agora, inexperientes, inseguros e possivelmente perigosos, um pouco como a medicina e cirurgia do século XIX. Se conseguirmos manter a civilização viva durante todo este século, talvez exista uma chance de que nossos descendentes algum dia sirvam Gaia e a auxiliem na autorregulação delicadamente ajustada do clima e da composição do nosso planeta.

Desfrutamos 12 mil anos de paz climática desde a última mudança da era glacial para a interglacial. Não demorará muito e poderemos nos defrontar com uma devastação de alcance planetário pior até que uma guerra nuclear ilimitada entre superpotências. A guerra climática poderia matar quase todos nós e deixar os poucos sobreviventes com um padrão de vida comparável ao da Idade da Pedra. Mas em vários lugares do mundo, inclusive no Reino Unido, temos uma chance de sobreviver e, até mesmo, de viver bem. Para que isso seja possível teremos, neste momento, de deixar nossos botes salva-vidas em condições de enfrentar o mar. Mesmo que algum evento natural, como uma série de grandes erupções vulcânicas ou um decréscimo da radiação solar, nos dê uma trégua, ainda assim terá sido melhor gastar nosso dinheiro e nossos esforços tornando nossos países autossuficientes em alimentos e energia e, se quisermos nos tornar inteiramente urbanos, então, na criação de cidades nas quais tenhamos orgulho em viver.

* "Pantaneiro", apelido de Daniel Hooper, um dos mais conhecidos "ecoguerreiros"Justificar
do Reino Unido. (N. do T.)