domingo, 30 de novembro de 2008

O PIOR DA CRISE AINDA ESTÁ AINDA POR VIR?

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Leonardo Boff

Num artigo anterior afirmávamos que a atual crise mais que econômico-financeira é uma crise de humanidade. Atingiram-se os fundamentos que sustentam a sociabilidade humana – a confiança, a verdade e a cooperação - destruídos pela voracidade do capital. Sem eles é impossível a política e a economia. Irrompe a barbárie. Queremos levar avante esta reflexão de cariz filosófico, inspirados em dois notáveis pensadores: Karl Marx e Max Horkheimer. Este último foi proeminente figura da escola de Frankfurt ao lado de Adorno e Habermas. Antes mesmo do fim da guerra, em 1944, teve a coragem de dizer, em palestras na Universidade de Colúmbia nos EUA, publicadas sob o titulo Eclipse da Razão (no Brasil 1976) que pouco adiantava a vitória iminente dos aliados. O motivo principal que gerou a guerra continuava atuante no bojo da cultura dominante. Seria o seqüestro da razão para o mundo da técnica e da produção, portanto, para o mundo dos meios, esquecendo totalmente a discussão dos fins. Quer dizer, o ser humano já não se pergunta por um sentido mais alto da vida. Viver é produzir sem fim e consumir o mais que pode. É um propósito meramente material, sem qualquer grandeza. A razão foi usada para operacionalizar esta voracidade. Ao submeter-se, ela se obscureceu deixando de colocar as questões que ela sempre colocou: que
sentido tem a vida e o universo, qual é o nosso lugar? Sem estas respostas só nos resta a vontade de poder que leva à guerra como na Europa de Hitler.

Algo semelhante dizia Marx no terceiro livro do Capital. Ai deixa claro que o ponto de partida e de chegada do capital é o próprio capital em sua vontade ilimitada de acumulação. Ele visa o aumento sem fim da produção, para a produção e pela própria produção, associada ao consumo, em vista do desenvolvimento de todas as forças produtivas. É o império dos meios sem discutir os fins e qual o sentido deste tresloucado processo. Ora, são os
fins humanitários que sustentam a sociedade e conferem propósito à vida. Bem o expressou o nosso economista-pensador Celso Furtado:”O desafio que se coloca no umbral do século XXI é nada menos do que mudar o curso da civilização, deslocar o eixo da lógica dos meios a serviço da acumulação, num curto horizonte de tempo, para uma lógica dos fins em função do bem estar social, do exercício da liberdade e da cooperação entre os povos”(Brasil: a construção interrompida,1993,76).

Não foi isso que os ideólogos do neo-liberalismo, da desregulação da
economia e do laissez-faire dos mercados nos aconselharam. Eles mentiram para toda a humanidade, prometendo-lhe o melhor dos mundos. Para essa via não existiam alternativas, diziam. Tudo isso foi agora desmascarado, gerando uma crise que vai ficar ainda pior.

A razão reside no fato de que a atual crise se instaurou no seio de outras crises ainda mais graves: a do aquecimento global que vai produzir dimensões catastróficas para milhões da humanidade e a da insustentabilidade da Terra em conseqüência da virulência produtivista e consumista. Precisamos de um terço a mais de Terra. Quer dizer, a Terra já passou em 30% sua capacidade de reposição. Ela não agüenta mais o crescimento da produção e do consumo atuais como é proposto para cada pais. Ela vai se defender produzindo caos, não criativo, mas destrutivo.

Aqui reside o limite do capital: o limite da Terra. Isso não existia na crise de 1929. Dava-se por descontada a capacidade de suporte da Terra. Hoje não: se não salvarmos a sustentabilidade da Terra, não haverá base para o projeto do capital em seu propósito de crescimento. Depois de haver precarizado o trabalho, substituindo-o pela máquina, está agora liquidando com a natureza.

Estas ponderações aparecem raramente no atual debate. Predomina o tema da extensão da crise, dos índices da recessão e do nível de desemprego. Neste campo os piores conselheiros são os economistas, especialmente os ministros da Fazenda. Eles são reféns de um tipo de razão que os cega para estas questões vitais. Há que se ouvir os pensadores e os que ainda amam a vida e cuidam da Terra.

sábado, 29 de novembro de 2008

CoP 14 - Poznan - A ONG Vitae Civilis quer mudar o clima dessa convenção !

Por: João Talocchi

De 1 a 12 de Dezembro, acontecerá em Poznan - Polônia, a 14º edição da Conferência das Partes (CoP), onde serão discutidos as propostas para o regime pós-2012, quando termina o primeiro período do Protocolo de Kioto. A metodologia aplicada às negociões seguirão o chamado "mapa do caminho", principal conquista da última CoP (Bali, 2007). 

Entretanto, esse é um "mapa" bem diferente, já que ele mostra diversos caminhos, mas não aponta nenhum destino. Se fosse um mapa pirata, ao invés do "X" que marca a localização do tesouro, veríamos vários pontos de interrogação e um emaranhado de trilhas, mais parecidas com um esboço de nó do que com um caminho a ser seguido. 

É muito difícil que nessa CoP seja decidida qual a melhor trilha, ou desenhado o "X" que demarque aonde queremos chegar, já que estas decisões devem ser tomadas somente em 2009, na CoP 15, em Copenhagen. A proposta da reunião de Poznan é desembaraçar o mapa atual, analisando os diversos pontos de interrogação e as confusas trilhas, o que deve facilitar a sua leitura e nos aproximar do melhor caminho.

O problema é que, apesar do "tesouro" significar "A salvação da raça humana", existem muitos piratas interessados em deixá-lo enterrado por mais tempo... (só que se ele estiver escondido em uma das ilhas do Pacífico, e demorarmos um pouco mais para resgatá-lo, a chance do local onde está escondido ser coberto pelo mar é cada vez maior !)

A Vitae Civilis, ONG brasileira pioneira no acompanhamento das discussões relacionadas às Mudanças Climáticas, estará presente à CoP e além de pressionar o governo brasileiro pela adoção de uma postura séria de liderança, irá desenvolver o projeto "Desvendando a CoP 14". Criado com os objetivos de facilitar a compreensão das negociações climáticas, dar voz às pequenas ONGs e delegações oficiais e permitir a participação da sociedade civil no processo de tomada de decisão dos negociadores brasileiros, o projeto contará com as seguintes atividades:

1. Produção dos boletins analíticos "Vitae Civilis Informa", uma importante fonte de informações onde são apresentados e analisados os diversas mecanismos e ações propostos, sempre a partir da ótica da sociedade civil e com uma linguagem fácil e acessível. Estes boletins, que podem ser utilizados pela imprensa como ferramenta informativa, ficarão disponível no site www.vitaecivilis.org.br e serão renovados periodicamente.

2. Produção dos vídeos "Os olhos da CoP", um espaço voltado para a ampliação da voz das pequenas ONGs (nacionais e internacionais) e delegações oficiais, já que alguns países são muitas vezes representados por somente uma ou duas pessoas (irronicamente estes são alguns dos países MAIS vulneráveis às mudanças climáticas !). Através de entrevistas e análises, os vídeos permitirão a apresentação, divulgação e discussão de diferentes pontos de vista, muitas vezes negligenciados pelos maiores responsáveis pelo problema (irronicamente estes são alguns dos países MENOS vulneráveis às mudanças climáticas). Os vídeos ficarão disponíveis no site www.vitaecivilis.org.br ou www.youtube.com/vcivilis

3. Sala de Chat "VC na CoP", um local onde jornalistas, estudantes e demais interessados poderão  esclarecer dúvidas, discutir pontos de vista e propor sugestões para os membros do Vitae Civilis. Os chat serão realizados em horários e sites pré-determinados (essas informações estarão disponíveis em www.vitaecivilis.org.br).

4. Através do e-mail "vcnacop@vitaecivilis.org.br" qualquer pessoa pode participar da CoP. Estes endereço foi criado para que a sociedade civil envie pedidos, sugestões e críticas para os membros da delegação brasileira oficial. Essa ferramenta é importantíssima para mostrar que a população tem interesse na questão e está fiscalizando as ações de seus representantes, incentivando estes a defender posturas séria e que reflitam as reais necessidades e interesses do Brasil. Os e-mails serão impressos e entregues em mãos a algum membro da delegação pelos membros do Vitae Civilis.

Você está mais do que convidado a participar! E só diga que uma pessoa não faz a diferença, ou é insuficiente para incomodar um governo, se você nunca dormiu em um quarto com um pernilongo!

Para saber mais, acesse www.vitaecivilis.org.br

Grande abraço,

Equipe Vitae Civilis.





Resposta da L´Occitane

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Prezado Sr. Hugo Penteado,

No mês de Setembro deste ano, recebemos em nosso Serviço de Atendimento ao Consumidor um contato via e-mail do Sr. que contava seu descontentamento e louvável preocupação com o excesso de materiais desperdiçados em uma embalagem que recebera da L’Occitane. De acordo com nossa supervisão do SAC, o e-mail teria sido devidamente respondido. Porém, através da Consultoria Adigo, parceira da L’Occitane nos assuntos relacionados às políticas de Desenvolvimento Sustentável da empresa, tomamos conhecimento da publicação feita no blog http://nossofuturocomum.blogspot.com/2008/09/lixo-faa-sua-parte.html onde há a informação de que o referido e-mail nunca fora respondido.

Por esta razão, tomei a liberdade de encaminhar este e-mail para o Sr. apenas para que tome conhecimento sobre algumas das ações que a L’Occitane desenvolve no que diz respeito às embalagens presentes em nossas lojas. Gostaria de complementar contando também que o seu e-mail (não identificado, logicamente) nos ajudou no árduo trabalho de “re-educar” a nossa equipe de vendas para que sejam minimizados os excessos de embalagens e para que os materiais disponibilizados sejam usados de maneira mais racional.

Sendo assim, segue no arquivo anexo com alguns exemplos da política de embalagens atualmente usada pela L’Occitane. A linguagem do material é bastante simples pois está exatamente igual ao que foi encaminhado para nossa equipe de vendas.

Gostaria de me colocar a disposição para quaisquer outros esclarecimentos referentes a esse assunto e agradecer a sua contribuição para a melhoria das nossas ações no âmbito da sustentabilidade.

Atenciosamente,
Brena Barbarini

Quem quiser receber o arquivo anexo citado, deixe um recado na caixa de comentários, ok?

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

A crise e os que dormem nas ruas

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Amigos que eu vejo de longe, fico preocupado e inativo, chocado, mas nada adianta, pois sou nada dessa forma. Mas vocês que dormem nas ruas, preciso lhes dar as notícias. Veio uma crise global e não vai mudar nada para vocês. Mesmo assim, vocês serão lembrados e isso até parecerá coisa boa, mas não é. O fato é que na hora de resolver a crise eles lembram de vocês com uma ferocidade tamanha que me pergunto porque não se lembravam antes. Os nossos iluminados dizem aos governos que precisamos solucionar a crise o mais rapidamente possível, com o mesmo remédio que a causou e temos que fazer isso com tudo que temos as mãos para resolver os problemas sociais, acabar com a mendicância e com pessoas que dormem nas ruas, evitar o desemprego. Eles falam como se nada disso existisse antes, como se nenhuma pessoa estivesse triste, sem remédios, sem tratamento de saúde, sem dignidade. Há poucos com dignidade, mesmo entre os camisados, preciso lhes dizer, vocês dormem nas ruas, mas há pessoas mais infelizes e que viverão menos por causa do stress e da loucura insana das suas vidas, talvez pior do que vocês que estão nas ruas. Segundo pesquisas de universidades, 99% das pessoas odeiam trabalhar, só o fazem para pagar as contas e crescer os filhos. Para muitos, ficar nas ruas talvez fosse tortura menor, mas acreditam que o sistema é bom, é isso que precisamos salvar, do mesmo jeito que ele é. Talvez fosse hora de um sistema novo, mas falta coragem. De todos. Coragem e consciência.

Para solucionar a crise, os argumentos são enormes mesmo nos países ricos e eles lá também tem uma árdua tarefa: há 27 milhões de mendigos nos Estados Unidos, pessoas nas ruas, que comem graças ao governo. Antes da crise, esses números já vinham crescendo, será que a urgência agora é temer que esse número dobre? Ou será que para um país rico também há uma taxa natural de mendigos, embora haja um riqueza extrema concentrada nas mãos de poucos? Puxa, muitas perguntas que não temos a quem fazer. Seríamos taxados de loucos, mas o fato é que quando as coisas vão mal todos vocês são lembrados e nós ficamos no horizonte esperando alguma esperança de mudança e nada vem. E as crises se sucedem até vir a maior e a pior de todas: o planeta não está nos querendo mais aqui. Todos ignoram, pois dizem: "eu nunca morri, portanto nunca vou morrer." Com isso acham ingenuamene que "o planeta nunca expulsou a humanidade, portanto nunca vai nos expulsar." Já está nos expulsando e o fato de eu nunca ter morrido não significa que eu não vá morrer. Nós vamos morrer de qualquer jeito, mas além disso, agora é provável que a Terra também nos expulse daqui.

Mas não se assustem, meus amigos da rua, antes, durante e depois da tal solução da crise, vocês vão continuar dormindo nas ruas. Não se preocupem, nada vai mudar, as bravatas dos governos são apenas para acalmar os mercados e as empresas que querem vender para os humanos quatro planetas Terra e mesmo assim não será suficiente, porque em nenhum momento irão abandonar a idéia do crescimento estúpido que só serve para atender a demanda de fazer as riquezas ficarem cada vez maiores nas mãos de quem menos precisa. Eles seguem acreditando e muitos intelectuaias apóiam essa crença absurda que a economia pode ser maior que o planeta, que as pessoas serão atendidas por essa insanidade e que é só aguardar as benesses e não o que estamos vendo acontecer diante dos nossos olhos. A realidade brinca de espiã das idéias falsas que regem nosso mundo cada vez mais esfacelado e se no século 19 falávamos de milionários, se no século 20 falávamos dos bilionários, agora queremos no século XXI falar dos trilionários e essa tem sido a maior conquista do nosso sistema, venerada por todos os bilhões de seres humanos que jamais alcançarão esse status, mas que morrerão acreditando sempre nessa possibilidade e vão perder com isso a alegria de viver. E os demais morrerão com uma dívida mortal com a sociedade e o planeta, incapaz de ser resgatada, exceto através da morte do seus espíritos - e podem acreditar, tenho pena de vocês que dormem nas ruas, mas tenho mais pena dos que morrem com essa dívida e que são homens que muito pensam valer, mas que mais valem mortos e enterrados.

Hugo Penteado

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Enchentes em Santa Catarina

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Comentários recebidos (omito os nomes por conveniência) dos textos abaixo:

É absolutamente impressionante a dificuldade que esse povo tem de correlacionar o desmatamento com o desastre de SC. Precisam consultar cientistas para se certificar de uma coisa tão banal e tão elementar. A negação desse povo é assustadora. Seria como você não correlacionar saneamento com saúde ou pobreza com crime. É muita cegueira, é muita burrice, é muita falta de noção básica. Deus que me perdoe, mas essa raça não vai ter a menor chance de sobreviver o século 21. Burrice dessa magnitude garante o término do processo humano. A droga é que para cada Beethoven, para cada Sócrates, para cada Gandhi existem mil B******, mil L**** e mil G***** M*****...aí ferrouu e ferrou geral.

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Isso pra não dizer que 90% dos rios catarinenses são contaminados com dejetos de suínos. Aliás, ninguém parou aind apra ver que as granjas de suínos também foram alagadas e que a porcaria toda, que antes era jogada nos rios, agora está democraticamente sendo espalhada pelo estado todo.
Lindo, não?

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Ai meu Deus, estou começando a abençoar o asteróide que está a caminho da Terra em 2012.... eu tomo um lexotan e deito... só falta ainda acordar depois.... putz...

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Estamos todos entregues às baratas!

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Enviado pelo professor Clóvis Cavalcanti:

26 / 11 / 2008 Desmatamento da Amazônia pode aumentar chuva, diz geógrafo

O desmatamento da Amazônia tem influência importante em toda a América Latina e a relação desse fato com a catástrofe climática que aconteceu em Santa Catarina deve ser considerada, embora não possa ser culpada isoladamente. Essa é a opinião do geógrafo e professor da USP Wanderley M. da Costa, especialista no assunto e ganhador do prêmio Jabuti 2008 com o livro Dimensões Humanas da Biosfera-Atmosfera da Amazônia.

"Alguns fatos já são comprovados cientificamente. Por exemplo, uma grande parte da camada de água da Amazônia está sobre forma gasosa e evaporando no sentido leste para oeste. É claro que esse fato afeta todo o clima do continente. Não podemos responsabilizar, no entanto, esse fato apenas pelo que ocorreu em Santa Catarina, pois o excesso de chuva na região Sul pode ser resultado da combinação desse fator com a alteração de temperatura dos
oceanos", explica.

O professor destaca que a Amazônia tem 5 milhões de km² de florestas tropicais úmidas contínuas, a maior bacia hidrográfica do mundo (20% da água doce), além da mais formidável megabiodiversidade conhecida. Costa comentou o assunto na palestra que deu nesta terça-feira, 25, sobre a Revista Nossa América, do Memorial da América Latina, na livraria Cultura.
(Fonte: Estadão Online)

26 / 11 / 2008 Enchentes em SC 'são reflexo de mudanças na Amazônia', diz 'Clarín'


As enchentes em Santa Catarina, que mataram dezenas de pessoas e deixaram milhares desabrigadas, são sinal de que o impacto do aquecimento global sobre a Amazônia já está tendo um reflexo sobre o clima da América do Sul, diz artigo na edição desta terça-feira (25) do jornal argentino, Clarín.

"Começa então a se cumprir, muito antes do previsto, o que vêm advertindo os cientistas, entre eles os do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas. (...) As mudanças na floresta amazônica, em conseqüência do aquecimento global e da ação destrutiva do homem, já começaram a se fazer sentir no Cone Sul", diz o diário.

"As tempestades em Santa Catarina, simultaneamente às fortes secas no Chaco, em Buenos Aires, La Pampa, Santa Fé e Córdoba" são citados pelo artigo como reflexos de mudanças na Amazônia.

O Clarín ouviu dois especialistas do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) para explicar o fenômeno.

Segundo o jornal, "o físico Antônio Ozimar Manzi afirmou: 'Esta zona (que inclui a selva no Brasil e mais outros oito países da região) é a principal fonte de precipitações na região'. E tudo o que acontecer modificará de maneira decisiva o clima no sul e no norte da América do Sul".

Paulo Artaxa, também ouvido pelo jornal argentino, explica que "no céu da Amazônia há um sistema eficaz de aproveitamento do vapor d'água (...) mas a fumaça dos incêndios florestais altera drasticamente este mecanismo: diminui a formação de nuvens e chuvas em algumas regiões e aumenta as tempestades em outras".

O Clarín conclui que "não é de se estranhar fenômenos como as inundações de Santa Cataria quanto a seca no norte, centro e leste da Argentina". "Não são castigos divinos, mas bem humanos." (Fonte: Estadão Online)

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Qual será a sua ação?

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E ai, vc já sabe qual será a sua ação para registrá-la na semana que vem?

Vale qualquer ação, a menor que possa parecer como por exemplo: ir naquele restaurante vegetariano e contar o que vc viu de diferente por lá, enviar aquele video sobre consumo consciente ou economia de água para seus amigos e depois conversar sobre o assunto com eles, recusar todas as sacolas de plástico que te oferecerem ou finalmente resolver separar seu lixo e dar um destino correto para ele... São muitas as ideias e vc pode compartilhá-la com outras pessoas que estarão agindo também! E para isso temos um local especial: a Aldeia Sustentável.

Contamos com vc para mostrar que dividir pequenas ações com outras pessoas podem inspirar e fazer a diferença!

Você é capaz de agir? Acesse, conte sua história e divulgue...

GRANDEZAS E MISÉRIAS DA PAISAGEM RECIFENSE

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Muito bonito e triste, porque no Brasil os espaços públicos foram reduzidos a nada, as pessoas que têm poder criaram espaços privados para elas e não participam mais do espaço público. Para os bem nascidos as cidades são suas imensas propriedades, cercadas de muros e longe de todos e para os que podem ter algo parecido, também, ninguém mais participa do espaço público, comunitário, nem se preocupa em preservá-lo. A regra para o grosso da população é: cada um constrói qualquer biboca em qualquer lugar. As cidades brasileiras vão adquirindo uma feiúra incrível, tornam-se inóspitas, lugares antes turísticos, passam a ser vistos com maus olhos e a elite voa como abutre para lugares novos, de Porto Seguro, onde deixa traços das suas belezas, vã para Caraívas, de Caraívas para Trancoso e por aí vai, derrubando um a um o espaço que deveria ser de todos, amado, preservado e cuidado.

O espaço privado reina soberano sobre o espaço público, onde não há amor nem pelas pessoas locais, nem pelo país, falta até há visão de longo prazo. Acho que nem na selvageria urbana dos EUA, eles conseguiram ser tão mesquinhos como nossos comandantes que vivem em castelos, quanto a nós resta apenas lamentar ver as cidades apodrecerem.

Hugo Penteado

GRANDEZAS E MISÉRIAS DA PAISAGEM RECIFENSE

Clóvis Cavalcanti
Economista e pesquisador social
clovis.cavalcanti@yahoo.com.br

Uma forma de apreciar a paisagem do Recife e Olinda é vê-la de seus rios. Foi o que fiz recentemente, com minha mulher, Vera, em belo passeio no catamarã Maurício de Nassau, de Liliana Filizola. Era fim de tarde de um sábado. Pode-se verificar em ocasião como essa como a região do Recife possui um cenário formoso. Entretanto, não pode fugir à observação que ao sul da cidade vai se perfilando uma paisagem pesada, de concreto, com edifícios de tamanho descomunal, a exemplo dos do cais de Santa Rita. Bem junto dali, o casario baixo do bairro de São José, com telhados harmoniosos, e torres de igreja graciosas, exibe um contraste visual impossível de não se notar. Do mesmo modo, do meio do rio, vê-se, ao norte, a paisagem bela de Olinda (infelizmente, mais bela ao longe do que de perto). Nela sobressai o verde, juntamente com pontos claros de prédios coloniais, sem as angulosas construções medíocres dos novos espigões do sul do Recife, símbolos de uma cidade que se enfeia em pudor. Deve haver quem goste de uma paisagem assim. Será que essas mesmas pessoas ficariam enojadas ao contemplar os arredores fauvistas de Paris, o distrito art deco do sul de Miami, as maravilhas urbanas tradicionais da costa da Dalmácia, os espaços construídos da Sardenha (Alghero, por exemplo)? Se a autoridade municipal do lugar onde está o Taj Mahal fosse o prefeito do Recife, será que permitiria que construíssem ali edifícios horrorosos como as tais torres do bairro de São José?

É triste ver como, a cada dia, no afã de enriquecerem, construtoras e imobiliárias vão ocupando sem piedade alguma o espaço público da paisagem recifense, um bem de todos, destruindo aquilo que herdamos das gerações passadas. De vez em quando, vêm pela Internet mensagens com fotos de Boa Viagem ou do Recife de décadas passadas. São instantâneos de grandeza que aí se revelam. Diante deles fica mais nítida a miséria urbana que se ergue hoje. Na verdade, são duas formas de miséria. Uma, da população das palafitas (o bairro dos Coelhos sobressaindo nas margens do Capibaribe). A outra, da arquitetura nova que não tem respeito algum pela herança de beleza da cidade. Compreende-se até que empresas privadas, movidas só pelo lucro, procurem fazer o que lhes proporciona maior rendimento. Não se pode é aplaudir um poder público que não inibe práticas inimigas da qualidade de vida da população. Um bom visual urbano é requisito de bem-estar para quem vive em cidade. Digo-o do privilégio de morar no sítio histórico de Olinda, com paisagens formosas para ver de todo lado – arvoredos e o Atlântico a leste, Hotel 7 Colinas e Alto da Sé (sem o horror da praça de barracas faveladas, que não vejo de minha casa) a oeste, convento de São Francisco ao norte, praça do Carmo ao sul. Gostaria que desse privilégio desfrutassem todos aqueles que vivem na Região Metropolitana do Recife.

Artigo que li há pouco, do arquiteto Zezinho Santos na revista Class Casa, chama a atenção para a controvertida reforma da orla de Boa Viagem. Gastou-se um dinheirão ali para, por exemplo, substituir um piso bonito, de pedras portuguesas, por outro, de blocos de cimento. Diz-se que essa é uma tendência que já ocorre em outras cidades brasileiras. Mas se formos por Lisboa, como mostra Zezinho Santos, com lindas fotos das elaboradas calçadas lisboetas em seu artigo, estamos mergulhando aqui, cada vez mais, na mediocridade. Liliana Falangola, citando Pereira da Costa, reivindica para a abandonada Cruz do Patrão, na entrada do porto do Recife o resgate que engrandeceria a paisagem recifense a partir daquela “coluna de ordem dórica, em cujo capitel se levanta uma peanha faceada, encimada por uma cruz”. É urgente que se interrompa o processo de trágica decadência da paisagem do lugar em que vivemos.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Nova Carteira - ISE

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Hoje foi divulgada a nova carteira do ISE - Índice de Sustentabilidade Empresarial do Bovespa. As principais diferenças levantadas foram:

Entrada de
  • Celesc
  • Duratex
  • Odontoprev
  • Telemar
  • Tim Participações
  • Unibanco
Saída de
  • Banco do Brasil
  • CCR Rodovias
  • Copel
  • Iochpe-Maxion
  • Petrobras
  • Weg
Abaixo segue a notícia do site da Bovespa contendo mais informações sobre os critérios e metodologia do ISE.
Abraços a todos,

Eugenia

BM&FBOVESPA divulga carteira do ISE 2008/2009
Indicador reúne 38 ativos de 30 empresas e 12 setores que somam R$ 372 bilhões
25 de Novembro de 2008
A partir do dia 1º de dezembro de 2008 entra em vigor a nova carteira do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), indicador composto de ações emitidas por empresas que apresentam alto grau de comprometimento com sustentabilidade e responsabilidade social. A renovação da carteira apresentou os ingressos dos ativos da Celesc, Duratex, Odontoprev, TIM, Telemar e Unibanco, enquanto que os da Aracruz, CCR Rodovias, Copel, Iochpe-Maxion, Petrobras e WEG foram excluídos.

A nova carteira vigora até o dia 30 de novembro de 2009 e reúne 38 ativos de 30 companhias que totalizam R$372 bilhões em valor de mercado. Esse montante corresponde a 30,7% da capitalização total das 394 empresas com ações negociadas na Bolsa que, em 21 de novembro deste ano era de R$ 1,21 trilhão. A formação da carteira anterior contava com 40 ações emitidas por 32 empresas de 13 setores totalizando, naquela época, R$927 bilhões em valor de mercado (39,6% do total da BM&FBOVESPA).

As participantes da nova carteira do ISE foram selecionadas dentre as 51 empresas que responderam ao questionário desenvolvido pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade (GVCes) da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV-EAESP) e enviado às 137 companhias emissoras das 150 ações mais líquidas da BM&FBOVESPA. Confira, a seguir, as empresas que compõem a nova carteira:

- AES TIETE
- DURATEX
- ODONTOPREV
- BRADESCO
- ELETROBRAS
- PERDIGAO S/A
- BANCO DO BRASIL
- ELETROPAULO
- SABESP
- BRASKEM
- EMBRAER
- SADIA S/A
- CELESC
- ENERGIAS BR
- SUZANO PAPEL
- CEMIG
- GERDAU
- TELEMAR
- CESP
- GERDAU MET
- TIM PART S/A
- COELCE
- ITAUBANCO
- TRACTEBEL
- CPFL ENERGIA
- LIGHT S/A
- UNIBANCO
- DASA
- NATURA
- V C P

Conceito e metodologia

O ISE, criado em dezembro de 2005, foi formulado com base no conceito internacional Triple Botton Line (TBL) que avalia, de forma integrada, elementos ambientais, sociais e econômico-financeiros. Aos princípios do TBL, foram adicionados outros três indicadores: governança corporativa, características gerais e natureza do produto.

As dimensões econômico-financeiras, sociais e ambientais das empresas foram abordadas no questionário a partir de quatro conjuntos de critérios: Políticas (indicadores de comprometimento); Gestão (planos, programas, metas e monitoramento); Desempenho (indicadores de performance); e Cumprimento Legal (cumprimento de normas nas áreas ambiental, trabalhista, de concorrência, junto ao consumidor entre outras).

O Conselho do ISE é composto pelas entidades Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec), Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, International Finance Corporation (IFC), Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), além da BM&FBOVESPA e do Ministério do Meio Ambiente.

ISE na BM&FBOVESPA

O ISE reflete o retorno de uma carteira composta por ações de empresas com os melhores desempenhos em todas as dimensões que medem sustentabilidade empresarial. Foi criado para se tornar benchmark (marca de referência) para o investimento socialmente responsável e também indutor de boas práticas no meio empresarial brasileiro. É calculado pela Bovespa em tempo real ao longo do pregão, considerando os preços dos últimos negócios efetuados no mercado à vista. As ações integrantes do ISE são selecionadas entre as mais negociadas na Bovespa em termos de liquidez e ponderadas na carteira pelo valor de mercado dos ativos disponíveis à negociação.

O índice é revisado anualmente com base nos procedimentos e critérios a seguir:

Critérios de inclusão

a. Ser uma das 150 ações com maior índice de negociabilidade apurados nos doze meses anteriores à reavaliação.
b.
Ter sido negociada em pelo menos 50% dos pregões ocorridos nos doze meses anteriores à formação da carteira;
c.
Atender aos critérios de sustentabilidade apurados no questionário preenchido anualmente.

Critérios de exclusão

a. Se a empresa emissora entrar em regime de recuperação judicial ou falência.
b. No caso de oferta pública que resultar em retirada de circulação parcela significativa de ações da empresa do mercado.
c. Se algum fato alterar significativamente os níveis de sustentabilidade e responsabilidade social da empresa, caberá ao Conselho do ISE avaliar sobre sua exclusão.
d. Se na revisão anual a empresa não atender aos critérios de sustentabilidade apurados no questionário.

Vamos agir?

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Muitas pessoas têm propostas de ações para melhorar o ambiente onde vive, e como consequência, melhorar o meio ambiente. São, muitas vezes, propostas simples, ações pessoais, mudanças pequenas nas atitudes e no estilo de vida, e que podem ser feitas em casa, no trabalho, na escola e em muitos lugares pelos quais passamos diariamente.

Você se acha capaz de mudar um pouco seu estilo de vida? Acha que pode ter uma atitude verde? Faça uma ação entre os dias 01 e 07 de dezembro (mesma data em que algo muito similar estará acontecendo na Inglaterra) e registre. Vale ser uma foto, um texto, um vídeo, um e-mail, use sua criatividade.

Não tem onde postar ou "uploadear" seu registro? Não se preocupe! Organize-se, registre seus feitos que, até o primeiro dia de dezembro, você terá uma surpresa!

Transforme um pouco o mundo em que você vive e conheça outras pessoas que habitam com você essa grande aldeia que chamamos Terra!

Ajude a divulgar essa ação e não se esqueça: entre os dias 01 e 07 de dezembro, faça uma ação ou exponha sua proposta e registre. Vamos conhecer ações pessoais que também podemos fazer no nosso dia-a-dia e outras pessoas interessadas pelo meio ambiente tanto quanto nós.

3 Notícias Horripilantes

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1) O Rio Paraíba do Sul recebeu toneladas de detritos de pesticida e esta descendo rio abaixo muitos animais mortos...sem contar que a água do Guandu, que abastece o Rio, tem ligacao com o Paraíba.

2) A Chapada Diamantina teve quase metade ou mais da área do parque queimada, causando extinção de várias espécies ameaçadas.

3) O sul está com chuvas intensas há quase quatro meses.

Quem tiver notícias sobre esses desastres aqui no Brasil, em mídia que vá além da mera descrição dos fatos ambientais e busque uma explicação relacionada ao sistema econômico-humano, por favor me encaminhem.

Abraço

Hugo

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

O enxofre, a omissão e a demagogia

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Folha de S.Paulo
Sexta-feira, 21 de novembro de 2008

TENDÊNCIAS/DEBATES

O enxofre, a omissão e a demagogia
CARLOS MINC

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No impasse do teor de enxofre no diesel, sofremos fortes pressões para adiar, alterar ou criar exceções para a resolução. Não cedemos
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EM ARTIGO publicado neste espaço ("Sentença de morte", 13/ 11), o sr. Oded Grajew omite informações e faz ataques infundados, com a fúria típica de um recém-convertido à causa ambiental.

Ele ofende o Ministério Público Federal, o Ministério do Meio Ambiente e a Petrobras com o destempero de quem jogou para a platéia, querendo faturar politicamente no impasse no caso do teor de enxofre no diesel.

Ele omitiu que o governo do Estado de São Paulo e a Cetesb, co-autores da ação judicial, assinaram o TAC (termo de ajustamento de conduta) após participar de dezenas de reuniões com o Ministério Público, no que se supõe que suas demandas, ao menos na maior parte, foram contempladas.

A não-assinatura do TAC levaria o caso para a Justiça, sabe-se por quantos anos, com prejuízos ambientais, econômicos e sociais. As medidas compensatórias não seriam exercidas, oito fábricas de ônibus e caminhões seriam fechadas, 10 mil trabalhadores seriam demitidos e a
qualidade do ar não melhoraria.

A resolução 315/02 do Conama determinou que os novos ônibus e caminhões, em 2009, teriam emissão equivalente à dos motores Euro 4 e do diesel S-50 (com 50 partes por milhão de enxofre). Mas nada vinha sendo feito para seu cumprimento. No primeiro mês de nossa gestão, porém, reunimos cinco ministérios, ANP, Anfavea, Petrobras, Sindicato de Distribuidoras de Combustível, governos do Rio de Janeiro, de Minas Gerais e São Paulo e Ministério Público Federal. Uma fundação independente elaborou metodologia de cálculo para avaliar as conseqüências para a saúde da população geradas pelo atraso no cumprimento da resolução.

Sofremos fortes pressões para adiar, alterar ou criar exceções técnicas para a resolução. Não cedemos e anunciamos que nenhum caminhão ou ônibus novo a diesel sairia das fábricas em 2009 sem atender à resolução ou obter acordo judicial com o Ministério Público Federal.

Propusemos ainda uma nova etapa do Proconve (Programa de Controle de Poluição do Ar por Veículos Automotores), instituindo um padrão, para 2012, equivalente ao do Euro 5 e do S-10, cinco vezes menos poluidor do que o S-50. O atraso da resolução 315/02 não poderia justificar um recuo, e sim um salto para nos igualarmos ao padrão europeu, já que os pulmões são idênticos. Apresentamos então nova resolução ao Conama, que a aprovou, incorporando emendas dos ambientalistas. Estamos elaborando um Plano Nacional de Qualidade do Ar, envolvendo vistoria veicular obrigatória das emissões, como a que existe há nove anos no Rio de Janeiro, por causa de lei estadual de nossa autoria. O Rio é o único Estado com esse procedimento, que reduz as emissões.

A decisão do TAC ficou por conta do MPF de São Paulo. A procuradora da República Ana Cristina Bandeira Lins ouviu durante três meses as partes, criou um núcleo técnico de alto nível com profissionais da Cetesb, do Ibama e de fundações e realizou 20 reuniões de avaliação técnica das emissões e das medidas compensatórias apresentadas pela Petrobras e pela Anfavea, incluindo a importação de milhões de litros de diesel S-50, a regulagem de dezenas de milhares de ônibus e caminhões e a antecipação da fase do S-10.

Sem demagogia: todos sabiam que a resolução não seria cumprida devido a omissões de cinco anos. O que se avizinhava era um desastre ambiental, institucional e social. O Conama seria desrespeitado, e o ambiente, agredido por emissões sem nenhuma compensação. A não-assinatura do TAC implicaria a importação de 200 mil novos ônibus e caminhões a diesel, o fechamento de fábricas e a demissão de trabalhadores.

Na assinatura do TAC, a Cetesb e o governo de São Paulo exigiram medidas suplementares, como a ampliação das regulagens de outros milhares de ônibus e caminhões pela Petrobras e Anfavea, além do fornecimento de S-50, em 2009, às regiões metropolitanas do país e às
frotas cativas de ônibus. O Ibama exigiu cronograma para a substituição definitiva do S-2.000 no interior e do S-500 em todas as regiões metropolitanas.

Mas não comemoramos. A resolução 315/02 deveria ter sido cumprida. Do ponto em que enfrentamos o problema, não cedemos à postergação da resolução e ainda avançamos com o S-10. O TAC é de responsabilidade dos que o assinaram. Vamos fiscalizar o cumprimento integral do TAC e da nova resolução do Conama; aprovar a vistoria obrigatória nos Estados e ampliar a participação do etanol e do biodiesel na matriz energética, num crescimento de 11% ao ano. Em defesa do clima e dos pulmões.

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CARLOS MINC é ministro de Estado do Meio Ambiente.

Fim das sacolas plásticas no DF

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Foi publicada no Diário Oficial do Distrito Federal, de quinta-feira (06/11/08) a Lei n 4.218/08, que determina a substituição, em até três anos, do uso de sacolas plásticas no comércio por opções com maior vida útil, as sacolas de tecido, ou por embalagens de plástico biodegradável, que demora 18 meses para se decompor. Os órgãos e entidades públicas também terão de trocar os sacos de lixo por opções que agridam menos o meio ambiente - CB, 17/10, Cidades, p.29.

sábado, 22 de novembro de 2008

Homo ecologicus

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Por Maurício Andrés Ribeiro (*)

“Precisamos reinventar o humano no nível da espécie porque os temas com que estamos envolvidos parecem estar além da competência de nossas tradições culturais atuais, individual ou coletivamente.”

Thomas Berry, em The Great Work


A ciência classifica famílias, gêneros e espécies por suas características biológicas e lhes dá nomes em latim. No caso do ser humano, as propostas de classificação que surgem não se baseiam mais em diferenças biológicas ou genéticas, mas nas qualidades da consciência. A evolução biológica lenta é ultrapassada pela rápida evolução da consciência.

Nossa espécie de homo sapiens sapiens tem capacidade de auto-reflexão e de autoconhecimento.

Quais as imagens e percepções que temos de nós mesmos? Há uma diversidade e infinidade delas, cada qual realçando um aspecto ou característica de nossa consciência e atitude. Fomos designados como homo demens (“O homem é esse animal louco cuja loucura inventou a razão”, disse Cornelius Castoriadis); como o homo moralis, um primata que coopera; o homo sportivus e o homo ludens, pelas características lúdicas, que compartilha com outros animais que jogam e gostam de brincar e fazer humor (Johan Huizinga); o homo bellicus por seu caráter guerreiro; ao desenvolver a tecnologia e a economia somos os homo tecnocraticus e o homo economicus, espécie composta de um conjunto de indivíduos egoístas em busca de gratificação pessoal e acumulação material.

Edgar Morin fala do homo complexus, que lida com a complexidade. Hoje podemos nos ver também como os homo lixus, a única espécie animal que produz lixo: dois milhões de toneladas por dia. E ainda como o homo stressatus, o homem estressado moderno, com as conseqüências que isso traz à sua saúde, ansioso, com medo e preocupado com o futuro e com ameaças reais ou imaginárias.

Ao ocuparmos todo o planeta, nos vemos como homo planetaris; ao viajarmos no espaço, somos os homo cosmicus.

O biólogo Edward O. Wilson assim descreve o homo proteus: “Cultural, flexível, com vasto potencial. Conectado e dirigido pela informação. Move-se, adapta-se, pensa em colonizar o espaço. Lamenta a perda da natureza e espécies, mas esse é o preço do progresso e, de todo modo, isso tem pouco a ver com o futuro”. Alguns transumanistas, que também trabalham com a perspectiva de um ser evolutivo, acenam com o surgimento do homo perfectus que atua por meio do uso ético das tecnologias para estender as capacidades humanas.

A senadora Marina Silva diferencia o homo sapiens global e o local. O Homo sapiens global é refinado, porém vulnerável diante de situações extremas. Do outro lado está “O Homo sapiens local: mais rústico, mais resiliente, mais adaptável à escassez, menos dependente de tecnologia, com conhecimentos associados aos recursos naturais e domínio do saber narrativo: saber escutar, enxergar, fazer. Quem sabe, desse encontro de saberes nesse momento de transição, não estejamos forjando o Homo sustentabilis?”
A pergunta levantada por Marina Silva retoma a questão da transitoriedade da espécie. Se o ser humano é um ser em transição sujeito a uma mutação cultural, de comportamento, como propõe Sri Aurobindo, ele transita em direção a que? Qual será a modalidade de ser que o sucederá?

A atual transformação da consciência é induzida pela necessidade de dar respostas a crises climáticas e ambientais, pela razão e pelo conhecimento científico que proporciona crescente compreensão sobre o funcionamento do cosmos e da vida.

A percepção de que somos um ser em transição se encontra presente na internet, onde há mais de 3000 menções ao homo ecologicus. Como podemos definir as principais características desse ser emergente e que ainda dá seus primeiros passos? As atitudes e ações do homo ecologicus derivam de sua consciência ecológica que, por sua vez, é alimentada pelos conhecimentos dos vários ramos das ciências ecológicas. Ele atua tanto individualmente, em seu cotidiano, como também atua no sentido de que o grupo e a comunidade à qual pertence se organizem ecologicamente. Reconhece a sua co-dependência com a natureza, tem propensão a estabelecer consciência planetária, cósmica, universal; desenvolve a habilidade de desenvolver um respeito fundamental pela Mãe Terra Ele reconhece a inteligência contida no mundo natural e imita os processos naturais em suas tecnologias e práticas.

O homo ecologicus se caracteriza pelo comportamento de respeito à natureza e à biodiversidade; protege o meio ambiente e o valoriza em suas ações cotidianas, atuando em projetos de sustentabilidade e tornando-se agente de mudança ecologizada.

(*) Autor de Ecologizar, de Tesouros da Índia e de Ecologizando a cidade e o planeta www.ecologizar.com.br

mandrib@uol.com.br

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Stuart L. Hart

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Qualquer formulação dependente de um sistema econômico cujos lucros, resultados e sucesso são dependentes de vendas crescentes de forma contínua está fadado ao fracasso, assim como estão fadadas a morrer todas as células cancerígenas que crescem tanto a ponto de matar o organismo que as sustenta.

A principal falha é não entender que não temos significado algum sem o planeta, bem como a economia. Na verdade o planeta é muito maior que a economia; as pessoas são muito maiores que a economia; a economia depende das pessoas e do planeta e não o inverso. Hoje as visões comuns inverteram tudo: economia acima das pessoas que estão acima do planeta. Essa é a receita do nosso colapso como espécie animal, assim como já está sendo para a vida na Terra, pois de fato, ao transformarmos a Terra em uma enorme lixeira conosco dentro, com processos materiais contínuos de crescimento de coisas e pessoas num espaço finito, já provocamos além do aquecimento global, o maior processo de extinção da vida dos últimos 65 milhões de anos.

Não sei o que falta mais de sopro de realidade para mudarmos, mas essa proposta dele e a anterior - a da base da pirâmide - é mais uma que vai direto de encontro ao que Einstein disse certa vez: "Aquilo que fez parte do problema, não pode fazer parte da solução."

Hugo Penteado


Só a base da pirâmide salva
| 30.10.2008
Para o especialista Stuart L. Hart, as tecnologias limpas só ajudarão a salvar o planeta se ganharem escala com as populações de baixa renda

Divulgação
http://portalexame.abril.com.br/arquivos/img_930A/entrevistatendencia.jpg
Hart: "Os pobres são mais do que consumidores, são parceiros de negócios"


Por Ana Luiza Herzog
Revista EXAME Bem menos afeito a holofotes que seu amigo indiano C.K. Prahalad, com quem escreveu o já histórico artigo Fortuna na Base da Pirâmide, em 2002, o americano Stuart L. Hart é hoje uma das maiores referências mundiais em estratégias empresariais para as populações de baixa renda. Professor da Universidade Cornell, Hart tornou-se uma sumidade ao ajudar a revelar para as empresas as imensas oportunidades de negócios escondidas nas populações de baixa renda - e, sobretudo, por ser um crítico voraz à maneira como as companhias vêm lidando com esses consumidores ao longo das décadas. Para Hart, as empresas não têm demonstrado preocupação com os impactos ambientais e sociais de suas investidas. Com isso, estão perdendo a chance não só de ganhar dinheiro mas também de ajudar o planeta a resolver parte de seus dilemas. Em entrevista a EXAME, ele explica por que é importante que as empresas integrem a seu modelo de negócios as duas grandes revoluções hoje em curso - a da base da pirâmide e a das tecnologias limpas - e por que isso representa uma oportunidade de negócios ainda maior do que a que ele preconizou no início desta década.


EXAME
O senhor e C.K. Prahalad foram os primeiros a escrever sobre os negócios na base da pirâmide e sua relação com o movimento de responsabilidade social corporativa, há dez anos. De lá para cá, como o assunto evoluiu?
Stuart L. Hart
É curioso, mas quando eu e Prahalad escrevemos nosso primeiro artigo sobre o tema, em 1998, e ele começou a circular na internet, fomos vistos como pesquisadores "underground", e nossas idéias, como alternativas demais. Dois anos depois, já estávamos ocupadíssimos, sendo requisitados para falar sobre o assunto, mas o ritmo de aceitação ainda era lento. O grande salto aconteceu mesmo nos últimos cinco anos. Hoje, centenas de empresas têm iniciativas para a base da pirâmide.

Mesmo com esse salto, o senhor não acha que a maioria das empresas continua separando o conceito de sustentabilidade dos negócios para a base da pirâmide?

Sim. Nos últimos oito anos, vimos o desabrochar de duas revoluções: a da base da pirâmide e a das tecnologias limpas. Esses dois movimentos, igualmente cruciais para a busca da sustentabilidade, caminharam até agora de maneira isolada. O desenvolvimento de tecnologias que produzem menos impactos no meio ambiente esteve até agora muito voltado para o topo da pirâmide. Além disso, pensou-se muito no aspecto da tecnologia e muito pouco no modelo de negócios, ou seja, em como comercializar essas inovações. Só nos Estados Unidos, o setor de venture capital e dezenas de empresas privadas estão despejando milhões de dólares nesse mercado, mas ninguém sabe ainda como essas tecnologias chegarão aos consumidores. Enquanto isso, o movimento de negócios para a base da pirâmide ganhou corpo sem muita preocupação com o meio ambiente, adotando o que chamo de "estratégia do empurra". Ou seja, as empresas pegaram os produtos que possuíam, estudaram como poderiam oferecê-los em embalagens menores ou mais baratas e estenderam os canais de distribuição para que eles chegassem até as classes mais pobres.

Essa "estratégia do empurra" foi muito criticada. Qual a sua opinião sobre ela?

Chamo essa primeira fase vivida pelas empresas de "base da pirâmide 1.0". Ela é legítima. A crítica foi que muitas empresas estavam simplesmente colocando produtos em embalagens diferentes e tentando vendê-los aos pobres - precisassem eles ou não daquilo -, tirando o pouco de dinheiro que eles possuíam. Tenho de concordar que essa análise não é totalmente descabida. Para que uma estratégia de base da pirâmide seja bem- sucedida no longo prazo, ela deve ter uma abrangência maior. Não há nada de errado em adaptar produtos para vendê-los aos pobres. O que a empresa deve considerar, no entanto, é o impacto que aquele produto provocou na comunidade. Ele permitiu que as pessoas tivessem mais tempo livre para o lazer? Que elas ficassem mais saudáveis? Que elas melhorassem de vida? Não acredito que apenas vender por vender seja uma estratégia sustentável no longo prazo.

Existem riscos nas duas revoluções que o senhor comentou (a da base da pirâmide e a das tecnologias limpas)?

Sim. No caso das tecnologias limpas, o risco é termos mais uma bolha se não conseguirmos encontrar boas maneiras de comercializá-las. Já no movimento da base da pirâmide o risco é de colapso ambiental. Afinal, se o único objetivo das empresas continuar a ser gerar mais atividade econômica e consumo na parte inferior da pirâmide de renda, assim como fizemos no topo, iremos ainda mais rápido ladeira abaixo em termos ambientais e veremos o fim do jogo.

E qual é a saída?

Promover uma grande convergência desses dois movimentos. Trata-se de um desafio colossal, mas também de uma oportunidade sem precedentes para as empresas. Elas precisam entender que essas tecnologias limpas devem ser desenvolvidas e testadas, de maneira ambientalmente correta, na base da pirâmide.

Como convencê-las a fazer isso?

O argumento é simples: trata-se do melhor ambiente para tirar do papel essas tecnologias. É muito improvável que tecnologias verdes revolucionárias sejam aceitas com facilidade nos mercados desenvolvidos, nos quais os consumidores já estão acostumados com o conforto e a facilidade das tecnologias tradicionais. A receita para que os negócios muito inovadores vinguem é incubá-los na base da pirâmide e, somente depois, levá-los para o topo.

O senhor pode dar exemplos de empresas que estão conseguindo fazer isso?

Eu citaria a Cosmos Ignite, uma empresa privada, com sede em Nova Délhi, criada por empreendedores da Índia e da Universidade Stanford, nos Estados Unidos. Ela fatura apenas 1 milhão de dólares, mas nasceu em 2004 e está crescendo num ritmo absurdo. Ela fabrica uma espécie de lanterna de LED que é movida a energia solar e pode ser facilmente transportada. O equipamento custa cerca de 50 dólares no varejo, é financiado por um período de até cinco anos e está disponível em países como Índia, Guatemala e Afeganistão. As famílias pagam cerca de 5 dólares por mês - bem menos do que elas gastariam com querosene para lampiões, velas ou outros esquemas mambembes. Pense no potencial de crescimento que uma empresa como essa tem, já que as estimativas são de que existam ainda 2 bilhões de pessoas no mundo sem acesso a eletricidade.

Suponho que a Cosmos Ignite já esteja na fase que batizou de "base da pirâmide 2.0", certo?

Sim. Trata-se de uma fase na qual é preciso enxergar os pobres não só como consumidores mas também como parceiros de negócios. A fase 2.0 significa ruptura. Afinal, produtos e serviços inovadores para a base da pirâmide só surgirão se as empresas adotarem mudanças radicais em seu modelo de negócios.

Em vez de optar por essas rupturas, muitas empresas apostam em projetos de ecoeficiência, buscando a redução do consumo de energia e água, por exemplo. Qual o limite desse modelo?

Não prego que as empresas deveriam parar de pensar em melhorias contínuas, mas parar de adotar a idéia de que não é possível abraçar nenhuma outra lógica. A ecoeficiência é pautada pela idéia de melhoria contínua, e é ótimo que as empresas sejam ecoeficientes. Mas as companhias não vão garantir a sustentabilidade do planeta simplesmente fazendo de um jeito melhor aquilo que já fazem hoje. Precisamos mais do que isso.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Bolívia avalia impacto no país da hidrelétrica brasileira de Jirau

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http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u469205.shtml

da Folha Online

19/11/08

O governo da Bolívia diz que iniciou estudos em cooperação com o Canadá para avaliar o possível impacto de duas hidrelétricas que o Brasil planeja construir no rio Madeira (RO). Para o governo, as usinas trará conseqüências negativas sobre os povoados fronteiriços na região de Pando.

O ministro de Relações Exteriores boliviano, David Choquehuanca, disse que este é um "dos temas sensíveis" na relação com o Brasil e defendeu que o país precisa contar com estudos técnicos para encarar as conversas com as autoridades brasileiras.

Choquehuanca afirmou que as explicações oferecidas até agora pelas comissões técnicas do Brasil não satisfazem à Bolívia, por isso as autoridades bolivianas recorrem a novos estudos com a cooperação do Canadá para conhecer os potenciais efeitos das obras.

Na semana passada, o governo brasileiro aprovou a licença ambiental para a construção da central de Jirau, que, junto à de Santo Antônio, fará parte de um complexo hidrelétrico.

Nesta semana, o presidente do Ibama, Roberto Messias, disse que o impacto ambiental causado pela mudança no local de Jirau será praticamente o mesmo que haveria caso a usina fosse construída no local original. A usina será construída a nove quilômetros do local original.

"Nesse novo eixo, o impacto de maneira geral é muito semelhante. Ainda que tenha aspectos que podem até ter piora em um lugar, tem melhoras em outros", disse.

Antes da licença definitiva, porém, é necessária uma outorga concedida pela ANA (Agência Nacional de Águas). Por enquanto, a agência concedeu apenas uma autorização para que a obra seja construída que prevê que, se por algum motivo, a empresa não conseguir todo o licenciamento para o novo local, ela é obrigada a desfazer as barragens em até seis meses.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

A causa em busca de um movimento

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Por Flavia Pardini

O aquecimento global e a afluência material desafiam o ambientalismo nos Estados Unidos do século XXI

Levou pouco mais de três anos para que o verde se transformasse em azul. Em dezembro de 2004, Adam Werbach decretou a morte do ambientalismo em um discurso no Commonwealth Club, na Califórnia, que ficou famoso nos círculos verdes americanos. Era o menino-prodígio – em 1996, aos 23 anos, Werbach foi eleito presidente do Sierra Club, uma das organizações ambientais mais respeitadas dos EUA – dizendo aos mestres que o sonho acabou. Em abril de 2008, no mesmo Commonwealth Club, Werbach voltou à carga, desta vez para anunciar o nascimento do movimento azul. Em ambos os casos, as reações foram indignadas.
“O ambientalismo está morto, em boa parte porque nunca foi capaz de igualar o poder da direita de narrar uma visão irresistível para o futuro da América. O argumento que vou defender esta noite é que cada vez que os ambientalistas ultrapassam os limites do discurso ambiental para articular uma visão ampla, mais inclusiva e persuasiva, eles deixam de ser ambientalistas e passam a ser progressistas”, disse Werbach no primeiro discurso.
E, em abril de 2008: “Em dezembro de 2004, eu fiz a autópsia do ambientalismo. Hoje, estou aqui para reconhecer o nascimento de um movimento azul. Vasto e comum como o oceano, azul é uma plataforma para a sustentabilidade que vai além do verde bonito e profundo do ambientalismo. O verde coloca o planeta no centro do diálogo. O azul coloca as pessoas no centro”.

O movimento concebido por Werbach é movido pelos consumidores e substitui os tradicionais quatro Ps do marketing – produto, preço, promoção e ponto-de-venda – por outros três – preço, práticas e processo.

“Acredito que devemos comprar as coisas que são mais baratas, porque isso torna possível que elas sejam mainstream. Mas é preciso haver um motivo para comprar, ou seja, como aquela coisa se encaixa nas práticas que tenho na minha vida? Por fim, os processos usados para que ela fosse criada são processos dos quais posso me orgulhar?”, resumiu em entrevista à rádio pública americana. Com essa base, disse Werbach, é possível alterar o estilo de vida de cada um – desde que as pessoas se disponham a adotar o que ele batizou de Projeto Pessoal de Sustentabilidade (PPS) – e, no conjunto, gerar impactos positivos não só para o meio ambiente, mas para a sociedade e a economia.

“Engajar as pessoas como consumidoras nos dá a possibilidade de construir um movimento de bilhões. Para ser parte dele, as pessoas não precisam assinar uma petição ou pagar mensalidade. Elas não recebem uma newsletter, um cartão de sócio para colocar na carteira ou um calendário para pendurar na parede. Imagine o que esse movimento pode fazer”, conclamou.

Na imaginação dos tradicionais ativistas do verde-escuro, o movimento azul já nasceu morto, pois perpetua o consumismo que, na visão deles, alimenta o sistema que causa e aprofunda a crise ambiental. Hoje consultor, Werbach foi criticado por “pintar” seu movimento de azul, cor do logo do Wal- Mart – o gigante americano do varejo criticado por suas práticas trabalhistas –, onde promove o PPS entre os funcionários.

A busca de Werbach por um movimento que mobilize grandes massas de pessoas, apesar da polêmica sobre o consumo, denota uma preocupação generalizada entre os defensores do meio ambiente, independente do tom de verde – ou outra cor – ao qual sejam adeptos.. A despeito do aumento da conscientização ambiental em todo o espectro – dos indivíduos e seus representantes políticos às grandes corporações –, ainda não se consegue vislumbrar como mobilizar uma sociedade consumista e individualista para a mudança em direção à sustentabilidade ecológica.

Além da coruja pintada

O primeiro discurso de Werbach no Commonwealth Club ecoou outros clamores por uma agenda ampliada e progressista que englobasse as questões ambientais, mas não se limitasse a elas. Alguns meses antes, em 2004, um ensaio intitulado “A morte do ambientalismo” circulou na reunião anual da Environmental Grantmakers Association. Nele, Michael Shellenberger e Ted Nordhaus, consultores com passado no ativismo ambiental, defendiam que o ambientalismo havia se tornado apenas mais uma causa. “O ambientalismo é hoje mais proteger uma suposta ‘coisa’ – o ‘meio ambiente’ – do que promover a visão de mundo articulada por John Muir, fundador do Sierra Club, que há quase um século observou: ‘Quando tentamos selecionar apenas uma coisa, descobrimos que ela está conectada a tudo o mais que existe no Universo’”, escreveram.

Para Shellenberger e Nordhaus, o moderno ambientalismo americano é refém de seu período de glória – os anos 60 e 70, quando conseguiu aprovar uma série de políticas e regulações no Congresso em defesa de “causas” ambientais, muitas vezes ancoradas nas chamadas “espécies carismáticas”. O caso da coruja pintada que habita as antigas florestas da região Noroeste dos EUA é emblemático dessa era. Em 1990, depois de anos de acalorado debate entre ambientalistas, governo e indústria madeireira, a espécie foi declarada ameaçada de extinção. A medida proibiu a exploração de boa parte das florestas que abrigam o animal, mas foi denunciada pela indústria como causadora de irreparáveis danos econômicos.

Em sua crítica, Shellenberger e Nordhaus dizem que o ambientalismo ainda bebe da noção de que o homem está separado e acima do mundo natural, que, por sua vez, precisa ser defendido e protegido – argumento que vem abaixo diante do alcance e da complexidade das mudanças climáticas. “Por que um fenômeno produzido pelo homem como o aquecimento global – e que pode matar centenas de milhares de seres humanos ao longo do próximo século – é considerado ‘ambiental’? Por que a pobreza e a guerra não são consideradas problemas ambientais, enquanto o aquecimento global é? Quais são as implicações de definir o aquecimento global como um problema ambiental – e de deixar a responsabilidade de lidar com ele na mão dos ‘ambientalistas’?”, questionaram.

Para ilustrar o problema, Shellenberger e Nordhaus destrincharam a participação de grupos ambientalistas nos acordos políticos que permitiram que os EUA mantivessem, por décadas, baixíssimos padrões de eficiência no consumo de combustível pelos veículos. “Ao pensar só em seus interesses definidos de maneira estreita, os grupos ambientalistas não se preocupam com as necessidades nem dos sindicatos nem da indústria. Por conseqüência, perdemos grandes oportunidades de construir alianças.” Para problemas definidos como “ambientais”, as soluções em geral são técnicas, e não abrangentes o suficiente para realmente fazer a diferença, acrescentaram.

Batalha na retaguarda

Os dilemmas do ambientalismo americano foram analisados mais a fundo pelos sociólogos Robert J. Brulle, da Drexel University, e J. Craig Jenkins, da Ohio State University.
Embora identifiquem no ambientalismo um movimento social vital para a renovação e a transformação necessárias para criar uma sociedade ecologicamente sustentável, os autores apontam um processo de marginalização. Apesar do crescimento do número de organizações ambientais no passado recente, o impacto ambiental dos EUA continua aumentando, argumentam: de 1961 ao ano 2000, a pegada ecológica americana cresceu 270%. Politicamente, depois de uma boa performance nos anos 80 e meados dos 90, os ambientalistas passaram a sofrer mais derrotas no Congresso – vencendo em apenas 30% das votações, na maior parte das vezes ao bloquear projetos indesejados.

A falta de uma visão de mundo que inspire a mudança em direção a um novo estado de coisas é um dos motivos da marginalização política do ambientalismo, segundo Brulle e Jenkins. O “conservacionismo”, por exemplo, vê a natureza como recurso a ser usado para as necessidades humanas, atendendo o maior número de pessoas pelo maior período de tempo possível.

Nascido no início do século XX, fez parte de um movimento progressista que defendia a regulação dos mercados para garantir justiça social. Entrou em declínio nos anos 60, ressurgindo no conceito de desenvolvimento sustentável do Relatório Brundtland de 1987 e como método científico para gerir os recursos naturais e atender a estrutura social vigente.
O “preservacionismo” – na tradição de John Muir, Henry David Thoreau, pai da simplicidade voluntária, e Aldo Leopold, fundador da The Wilderness Society – defende a proteção da vida selvagem e da biodiversidade e, embora apresente a natureza como necessária para a renovação do homem, não a conecta com preocupações sociais mais amplas, analisam Brulle e Jenkins.

Por fim, o “ambientalismo reformado”, nascido nas décadas de 50 e 60, baseava-se na idéia de que a humanidade é parte dos ecossistemas e, portanto, sua saúde está ligada às condições ambientais. Rejeitava o uso da natureza para lucro e tentava trazer questões sociais para a agenda ambientalista, mas acabou substituído, segundo os autores, por uma visão tecnicista. A partir dos anos 80, foi dominado pela “modernização ecológica”, segundo a qual é possível reduzir os impactos dos processos industriais usando mecanismos de mercado.

Outros dois motivos apontados pelos sociólogos para a marginalização do movimento ambiental são sua crescente profissionalização – que contribui para tornar mais difícil o engajamento das pessoas comuns nas organizações ambientais – e o domínio do processo político americano pelo ideário neoconsevador nas últimas décadas, deixando o ambientalismo e as idéias progressistas na defensiva.

“O movimento ambiental está encastelado em uma batalha na retaguarda, tentando preservar o que ganhou no passado por meio de seus discursos dominantes, que não têm ressonância efetiva e falham em conectar-se com uma visão mais ampla de justiça social. Promovem soluções caso a caso que tipicamente não enfrentam as raízes dos problemas ambientais. Usar as ações de mercado para uma agenda ambiental mais ampla é menos importante do que desenvolver a agenda ambiental mais ampla. Isso requer um movimento ambientalista rejuvenescido com base na prática democrática e na organização. As especificidades são menos importantes do que o método”, concluem os autores.

Nós não vamos pagar nada

Shellenberger e Nordhaus voltaram à carga no final de 2007, com a publicação do livro Break Through – Da morte do ambientalismo à política do possível, em que reforçam a idéia de que o ambientalismo é incapaz de lidar com a crise ecológica e defendem que o aquecimento global seja reconceitualizado como algo que atinge toda a civilização – empregos, saúde, as aspirações das pessoas – e não apenas o meio ambiente. Para isso, é preciso uma narrativa política que proponha a superação da adversidade e não o ressentimento e o medo. Os consultores acreditam que, com a nova narrativa, um massivo programa de investimentos em energias limpas e o aumento da prosperidade econômica em países como China, Índia e Brasil, a humanidade será capaz de superar o desafio.

“Ao promover a verdade inconveniente de que os homens precisam limitar seu consumo e sacrificar seu modo de vida para evitar que o mundo termine, os ambientalistas estão não só promovendo uma solução que não funciona, estão desencorajando os americanos de ver as grandes soluções. Para que o pensamento dos americanos seja expansivo, generoso e orientado para o futuro, eles precisam se sentir seguros, ricos e fortes”, escreveram.
Vários ambientalistas e ativistas responderam aos ataques de Shellenberger e Nordhaus e os acusaram de ignorar a história do ambientalismo e semear a discórdia em um momento em que os movimentos progressistas desesperadamente precisam de união. A crítica mais contundente, entretanto, é a mesma feita a Adam Werbach: a solução do problema não pode ser orientada pelo mesmo pensamento que o criou.

Ao rejeitar as verdades inconvenientes em relação à necessidade de parcimônia no uso dos recursos naturais, o que conseqüentemente impõe limites, os consultores escolhem uma nova pintura – será ela azul?– e não a transformação do modelo.

Para Carl Pope, diretor-executivo do Sierra Club, Shellenberger e Nordhaus construíram um “espantalho” – a visão das fraquezas do ambientalismo – apenas para desmontá-lo depois. Em resposta à declaração de morte do ambientalismo, Pope lembrou o sucesso no combate à poluição nos anos 60 e 70, à energia nuclear nos anos 80 e à disseminação dos organismos geneticamente modificados nos anos 90.

Admitiu que o ambientalismo sistematicamente encontrou dificuldades depois disso, mas destacou que o mesmo ocorreu com os movimentos sindicais e de justiça social.
Ao tratar do tema preferido de Shellenberger e Nordhaus, o aquecimento global, Pope pôs o dedo na ferida. As mudanças climáticas diferem de outros problemas ambientais que o movimento atacou no passado, pois exige a visão ampla de uma nova ordem econômica, escreveu ele. “Um exemplo impressionante de uma estratégia para transformar o debate sobre o aquecimento global usando uma forma diferente, mas totalmente familiar, de defesa ambiental seria aplicar o princípio de ‘poluidor-pagador’. Dessa perspectiva, em seu cerne, o debate sobre o aquecimento global não é complicado. É simplesmente muito difícil porque é sobre quem vai pagar."